Caros leitores (as):

A pedido da Espiritualidade preparei cuidadosamente – com o apoio e orientação dos Mentores espirituais que nos assessoram – um terapeuta de confiança que pudesse dividir os meus atendimentos no consultório. Por isso, estou comunicando aos meus queridos leitores (as) e pacientes que Odair Campos Jr. CRT – 49007 é o nome dele – um médium competente e dedicado terapeuta (fez a formação nessa terapia comigo e foi também o meu assistente durante sete anos) está dividindo comigo os atendimentos de 2ª a Domingo (8:00 às 20:00hs) em meu consultório.

Que a Luz do Altíssimo e a Luz dourada de Cristo iluminem os vossos corações!

Atenciosamente,

Osvaldo Shimoda

A benção do esquecimento do passado

Muitos espíritas questionam a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006 dizendo ser perigoso recordar experiências de vidas passadas, pois consideram uma benção o esquecimento do passado. Realmente, esse esquecimento é providencial, tem uma função, não é por acaso.

A providência divina cria um mecanismo de defesa psíquica em forma de esquecimento (amnésia) das experiências traumáticas do passado, seja desta ou de outras vidas.

Em outras palavras, aquilo que nos convêm a gente lembra; o que não nos convêm, ou seja, tudo aquilo que gera dor ao lembrarmos, reprimimos no fundo do inconsciente, procurando esquecer.

Desta forma, existe um mecanismo interno de defesa psíquica que é acionado automaticamente sempre que algo ameaça a nossa integridade moral e/ou emocional. Mas, por outro lado, se não mexermos nas experiências traumáticas, fazendo o paciente revivê-las, ele nunca irá se libertar de seu passado. É como uma ferida purulenta, se não a tratarmos, com o tempo, ela irá se agravando.

É o caso de um paciente que me procurou porque tinha pesadelos constantes à noite, acordava gritando, assustado e suado, mas não se lembrava de seus pesadelos.
Esses pesadelos começaram depois dele ter sido sequestrado em São Paulo, ou seja, sofria de stress pós-traumático. Geralmente esse stress é desencadeado quando a pessoa passa por experiências dolorosas, como: sequestro, violência sexual, perda de um ente querido de forma violenta (assassinato, desastre de carro, etc.).
As imagens da experiência traumática voltam de forma recorrente (repetitiva), gerando crises de ansiedade.

Mas, no caso desse paciente, ele não se lembrava de nada do ocorrido. As lembranças das experiências do sequestro que acabara de passar estavam reprimidas em seu inconsciente e se manifestavam em forma de pesadelos constantes quando estava dormindo. Ninguém em sua casa (morava com os pais e irmãos) conseguia mais dormir por conta desses pesadelos. Nas primeiras sessões de regressão, o paciente não conseguiu trazer as recordações desse sequestro em função desse mecanismo de defesa psíquica que estava resguardando-o de recordar suas experiências dolorosas.

Procurei respeitar seu mecanismo de defesa e esperei que as lembranças viessem espontaneamente, e foi o que aconteceu. Somente na 5ª sessão de regressão, o paciente trouxe suas recordações com forte conteúdo emocional.
Recordou experiências muito dolorosas do período que ficou no cativeiro. Ou seja, lembrou que os sequestradores estavam drogados e brincaram de roleta russa com ele, entre outras coisas.

Portanto, o objetivo da regressão é fazer o paciente recordar o seu passado e fazê-lo revivenciar para poder se livrar das emoções reprimidas. Em muitos casos, o fato de o paciente compreender a causa de seu problema e graças à liberação da carga emocional negativa – que sempre está atrelada à experiência dolorosa de seu passado – por si só tende a se curar. Foi o que aconteceu com esse paciente. Após revivenciar por várias sessões de regressão os acontecimentos dolorosos de seu passado, essas lembranças passaram a não mais incomodá-lo.

No início das regressões, ele ficava tenso, encolhido, chorava muito quando recordava o tempo que ficou no cativeiro.

No final do tratamento, conseguiu trazer o seu passado, desta vez, sem sentir dor e não teve mais aqueles pesadelos.

O mesmo procedimento terapêutico é aplicado nas recordações de vidas passadas. As lembranças de fatos traumáticos de vidas passadas que estavam reprimidos no inconsciente do paciente são afloradas no nível da consciência, espontaneamente, sem forçá-lo a recordar. O paciente só deixa aflorar as lembranças que está em condições de suportar e bloqueia aquelas que ainda o estão violentando.

É importante salientar que na TRE o paciente não se lembra de uma vida passada inteira, mas somente de fatos traumáticos que estão lhe trazendo desajustes no presente.
Neste sentido, nunca é demais afirmar que a regressão a vidas passadas é aplicada somente para fins terapêuticos com o intuito de ajudar o paciente a melhorar sua qualidade de vida. Por isso, não faz sentido aplicá-la apenas para satisfazer curiosidades fúteis, para se descobrir se alguém foi uma personalidade importante em vidas passadas.

Vou agora transcrever um e-mail que recebi de um internauta, leitor assíduo de meus artigos no Portal da Espiritualidade:

 

- Olá Dr. Shimoda, visito regularmente a sua home. Confesso que é o site de melhor conteúdo sobre Terapia de Vidas Passadas, pelo menos dos que eu já visitei. Parabéns! Recentemente o mestre espírita Divaldo Franco esteve em nossa cidade (Macapá, Estado do Amapá), e, apesar de não ter ido à sua palestra, soube que o mesmo fez referência aos seus trabalhos em TRE. Sou psicólogo de formação (há 12 anos exercendo a profissão) e, como atuo na área hospitalar, pretendo me especializar em hipnoterapia e/ou Terapia Regressiva Evolutiva – A Terapia do Mentor Espiritual.  Aqui em Macapá não existe nenhum hipnoterapeuta, muito menos terapeuta em TRE.

Abraços!.

Caso Clínico:
Pacto de Amor Eterno.
Mulher de 32 anos, solteira.

Veio ao meu consultório para entender o porquê de criar obstáculos, desculpas para não se envolver amorosamente com os homens. Desde criança, dizia para si: “Não nasci para casar e constituir uma família. Isso não é para mim”.
Quando um rapaz se interessava por ela, chegava a rezar para ele arrumar outra mulher. Por outro lado, quando se interessava por um homem, evitava-o quando este se aproximava dela, criando desculpas para si, justificativas para não se envolver afetivamente.
Queria entender também o porquê de estar viva, de viver; ao contrário, tinha uma fascinação pela morte. Não encontrava, portanto, uma razão para viver.

Ao regredir, ela me relatou: “Vejo o retrato de um homem com bigode, cabelos castanhos, pele clara. Deve ter uns 40 anos. Tenho a sensação de estar segurando este retrato e olhando para ele, mas não estou me vendo”.

– Mentalmente, dê uma olhada nos seus pés nessa cena – peço-lhe.
“Estou descalça e os meus pés são brancos. Tenho a impressão de que estou com os meus braços apoiados numa escrivaninha, sentada num banquinho. É noite, tem um lampião em cima de um tripé de madeira. Estou sozinha, uso um vestido bem longo, claro, as mangas são fofas, uso um colete e os meus cabelos são pretos, com cachinhos. Estou debruçada na escrivaninha olhando esse retrato desbotado (pausa). Sinto saudade, muita saudade desse homem”. (paciente começa a chorar copiosamente).

– Repita algumas vezes essa palavra “saudade” – peço-lhe.
“Agora, sinto como se o retrato se ampliasse” (pausa).

– Que recordação vem acerca desse homem? – pergunto-lhe.
“ Esse homem do retrato é o meu avô materno da vida atual. Não o conheci, só o vi numa foto que a minha mãe me mostrou… Ele foi o meu marido dessa vida passada, mas é bem diferente fisicamente do meu avô de hoje. Vem saudade porque ele morreu nessa vida passada. Fiquei viúva e me vejo segurando o seu retrato. Sinto muita tristeza. Ele era carinhoso, amigo e companheiro. Sinto uma perda muito grande” (chora copiosamente).

– Volte antes dessa cena do retrato, e veja como foi sua vida nessa existência passada? – peço-lhe (pausa).
“ Vejo-o andando numa rua de pedras redondas. Ele caminha com uma bengala e usa uma cartola na cabeça, cumprimenta as pessoas com gestos… Passa uma charrete e tem um jardim do lado. Agora o vejo se despedido de mim, acenando com a cartola… É só o que eu consigo ver”.

– Pergunte para o seu mentor espiritual por que hoje você cria obstáculos para não se envolver amorosamente com os homens? – peço à paciente.
“ Está vindo novamente a imagem de meu marido dessa existência passada. Ele está olhando para mim”.

– Como é o olhar dele? – pergunto-lhe.
“ É de tranquilidade, como se soubesse da resposta (pausa). Diz que fizemos um trato – de comum acordo – em que combinamos que não iríamos nos envolver com mais ninguém. Fizemos esse acordo ainda em vida naquela existência passada. Por isso, ele não me libera para eu me envolver com outro homem. (pausa). Agora estou vendo também a presença de outro homem, um velho. Ele está do lado do meu marido, orientando-o”.

– Quem é esse velho? – pergunto-lhe.
“ É o rabino que nos casou na época. Meu marido acredita nas palavras do rabino que lhe diz que o casamento é eterno e, portanto, ninguém deve ficar com outra pessoa”.

– Peça ajuda para o seu mentor espiritual que afaste o rabino para você conversar melhor com o seu marido – peço-lhe.
“Vejo agora uma mão segurando o braço do rabino e o afastando do meu marido. O rabino está se afastando, mas reclamando”.

– Converse com o seu marido e lhe diga que esse pacto foi feito nessa existência passada, e que agora não faz mais sentido preservá-lo, porque ambos estão em planos diferentes: ele está desencarnado no mundo espiritual e você encarnada no mundo terreno.

Peça-lhe para que a liberte desse pacto, e que cada um trilhe o seu caminho e sejam felizes. (pausa).
“ Eu lhe disse também que se ele me amava verdadeiramente, então que me soltasse. Ele ficou triste, mas concordou. Virou as costas e foi embora”.

– E você, como se sente? – perguntei-lhe.
“ Estou me sentindo aliviada, sem nenhum apego. Agora entendo também o meu fascínio pela morte. Era a interferência espiritual do meu marido dessa vida passada(avô materno de hoje) que queria que eu ficasse com ele no mundo espiritual”.

No final da sessão, ela me disse que tinha perdido o seu tempo por não encontrar um companheiro e constituir uma família. Sentia agora que estava aberta para um relacionamento amoroso.

Benefícios da Terapia Regressiva Evolutiva

Muitas pessoas me perguntam via e-mail se todas as pessoas podem se submeter à TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual- método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006.
Quero esclarecer nesse artigo que a regressão de memória como instrumento terapêutico tem suas indicações, contraindicações e limitações.
De um modo geral, a TRE é bastante indicada em casos de distúrbios psíquicos, psicossomáticos, orgânicos (doenças cuja causa não foi constada pela medicina oficial) e de relacionamento interpessoal.
Gostaria de especificar mais detalhadamente suas indicações.

Indicações:

 

- Todos os tipos de fobias, ou seja, todos os tipos de medos intensos como: medo de lugares fechados (metrô, elevador, dirigir em túneis); medo de altura; de falar em público; medo excessivo de contrair doenças incuráveis como o câncer e a AIDS; medo da solidão pelo fato de ter sofrido sucessivas decepções amorosas;
– Problemas de relacionamento familiar, conjugal, social e no trabalho (aqueles relacionamentos difíceis, dolorosos, truncados entre pais e filhos, irmãos, marido e mulher, figuras de autoridade – chefes e/ou colegas de trabalho);
– Problemas sexuais (impotência, ejaculação precoce, anorgasmia – falta de orgasmo, perda da libido – diminuição ou ausência de desejo sexual, etc.);
– Transtornos de ansiedade (síndrome do pânico, ansiedade generalizada, tiques nervosos);
– Transtornos de humor (depressão, angústia, instabilidade de humor);
– Medo excessivo da morte;
– Doenças psicossomáticas – doenças orgânicas de origem emocional como: Alergias, vitiligo, psoríase, ictiose, asmas, enxaquecas, dores, etc.;
– Dificuldades financeiras e profissionais decorrentes de bloqueios emocionais e interferência de seres extrafísicos (obsessores espirituais).

 

Contraindicações:

 

- Deficientes mentais e auditivos (relação terapeuta-paciente se torna dificultosa no processo de comunicação);
– Distúrbios psiquiátricos graves (pacientes psicóticos e pré-psicóticos – podem levar o paciente ao surto psicótico).

 

Limitações:

- Pacientes excessivamente céticos, incrédulos em relação à regressão e a reencarnação (não é recomendável, pois vão bloquear, não permitem se entregar no processo regressivo). Fica evidente, neste caso, que uma pessoa de mente fechada é incapaz de revivenciar experiências de seu passado, principalmente de suas vidas passadas. Daí a importância do paciente querer efetivamente passar por este tipo de terapia;

 

Caso Clínico:
Transtorno Obsessivo Compulsivo (T.O.C)
Mulher de 25 anos, solteira.

 

Veio ao meu consultório por conta de inúmeros problemas de ordem emocional e orgânica.
Quando ficava tensa, apresentava comportamentos obsessivos, repetitivos, rituais obsessivos tais como: contar números (e o resultado sempre tinha que ser par). Contava nos dedos de uma mão e, em seguida, em outra mão; tinha a necessidade de contar, conferir quantas lajotas tinha o piso dos banheiros e a cozinha de sua casa.

Veio a saber que sofria de T.O.C (Transtorno Obsessivo Compulsivo) com um neurologista. Em verdade, percebeu que desde os 9 anos de idade apresentava esses rituais obsessivos. Outra manifestação de T.O.C era se certificar várias vezes que a porta estava fechada. Geralmente se levantava três vezes à noite para conferir se tinha fechado as portas de sua casa.
Após receber a notícia da morte de seu pai, começou a limpar compulsivamente sua casa, a fazer faxina feito “louca”, a soluçar bem alto, mas sem cair uma lágrima. Foi parar no pronto-socorro e o médico disse à família que a paciente estava em estado de choque.
Apresentava também doenças de pele (vitiligo e psoríase), problemas sexuais (dores no ato sexual e dificuldade de atingir orgasmo) e pensamentos negativos obsessivos como: vir a morrer, ficar doente, de lhe acontecer um infortúnio ou algo ruim.
Sentia dores no corpo, principalmente no peito, angústia, depressão desde criança e uma tristeza profunda. A paciente me relatou também que sonhava com um espírito desfigurado – ser das trevas – que queria fazer sexo e ela lutava com ele para que isso não ocorresse.
Ao regredir, ela me relatou: “ Dr. Osvaldo, tem alguém segurando os meus ombros, impedindo-me de atravessar o portão para eu saber a causa verdadeira de meus problemas (o portão é um artifício que uso que funciona como um “portal” que separa o passado do presente e após a indução hipnótica peço ao paciente que atravesse esse portão para que ele volte ao se passado e traga suas recordações de experiências traumáticas que originaram o seu problema).

Ele (ser espiritual obsessor) não quer me deixar atravessar esse portão. Diz que não quer que eu descubra o meu passado”.

- Pergunte-lhe por que ele não quer? – Peço à paciente.
” Diz para não mexer nessas coisas, pois se eu descobrir o meu passado vou perder os meus medos e não terei mais medo dele também. Ele quer ter o meu controle, me dominar. Ele diz que foi meu pai de uma vida passada (pausa). Vejo-o agora entre dois espíritos de luz que conversam com ele. Estão tentando convencê-lo a ir embora com eles para a luz. Mas ele esbraveja, não quer ir. Um dos espíritos de luz diz que ele está fraco e que precisa de ajuda, de ser cuidado, mas ele resiste. O outro ser de luz o faz agora dormir”.

- Veja o que acontece com ele? – pergunto à paciente.
” Os espíritos de luz me dizem que vão levá-lo ao plano de luz para tratamento, pois ele está muito cansado. Agora, eles estão pegando-o pelos braços e saem flutuando em direção a uma luz”.

- Peço então à paciente que atravesse aquele portão e dê um salto no tempo e vá à época onde esteja a causa verdadeira de seus problemas.
” Vejo uma casa de madeira, têm árvores e um campo… É uma vida passada. Sou criança, devo ter uns oito anos, uso um vestido até os joelhos. Sou bonita, meus cabelos são compridos, uso um laço no cabelo”. (pausa)

- Você mora com quem? – pergunto-lhe.
” Moro com os meus pais. Vejo minha mãe, ela é bonita, magra, usa uma roupa longa, apertada na cintura. O meu pai não está em casa. Gosto de ficar olhando para minha mãe”.

- Prossiga nessa cena – peço-lhe.
” Ela fica olhando para mim, parece que está preocupada. Ela está triste. Ela me abraça e diz que vai embora. Peço-lhe para não ir. Ela se ajeita, segura a minha mão, me leva até a porta e me mostra a estrada de terra e me diz algo que eu não entendo” (pausa).

- Avance mais para frente nessa cena – peço-lhe.
” A casa está vazia. Estou perto da escada. Eu quero a minha mãe, eu a quero de volta”. (começa a chorar).

- O que aconteceu com a sua mãe? – pergunto-lhe.
” Ela foi embora. Vejo-a na estrada com duas malas nas mãos. Minha mãe foi embora, antes que o me pai voltasse para casa. Ele tinha ido até a cidade. A casa está vazia, eu fico sozinha” (chora copiosamente).

E o seu pai? – Pergunto-lhe.
” Ele não chega. Agora, anoitece, estou sozinha. Eu olho pela janela, está escuro, não vejo nada lá fora. A casa está às escuras também, tenho medo de bicho. Eu fico na escuridão” (pausa).

- Avance mais para frente nessa cena e veja o que aconteceu com você?
” Vejo agora o meu pai. É aquele homem que não queria que eu atravessasse o portão no início da regressão. Ele é branco e usa bigode. Agora estou com 18 anos, ele mostra a estrada de terra. Ele me lembra quando minha mãe foi embora. Meu pai tem raiva dela e desconta a sua raiva em mim. Ele me trata como se eu fosse a minha mãe. Eu não posso chamá-lo de pai. Eu tenho raiva dele, ele me machuca, me faz mulher dele. Eu não gosto disso. Ele não quer que eu vá à cidade. Ele me esconde das pessoas. Eu não uso sapato, ele não deixa porque senão eu vou para longe. Ele construiu uma casa de pedra que fica bem isolada no campo, mas continua morando na casa onde morávamos. Eu fico na casa de pedra, não vejo ninguém. Ele só vem nessa casa para me trazer comida. Eu sinto muita solidão, tenho medo de sair, não conheço nada. A cidade é bem longe” (pausa).

- Avance bem mais para frente nessa cena, anos depois – peço-lhe.
” O meu pai agora está mais velho, deve ter uns 65 anos. Ele tem pouco cabelo, usa um chapéu branco, bigode grisalho. Ele vem me visitar no sanatório. Estou com uma camisa de força”.

- O que aconteceu para você parar no sanatório? – Pergunto-lhe.
” Eu não sou louca. Ele me colocou num hospital para obedecê-lo”.

- Mas por que a camisa de força? – Pergunto-lhe.
” Ele disse que eu estava louca porque tive uma crise. Eu me revoltei, bati muito no rosto dele. Eu queria que ele me deixasse em paz. Aí ele falou para o médico que eu estava louca. Ele me levou à força para o hospital, cheguei lá gritando para o médico que eu não era louca. Sou branca, meu rosto é bonito, devo ter por volta de 25 anos; sou muito parecida com a minha mãe”.

- Você nunca mais viu sua mãe? – pergunto-lhe.
” Nunca mais. Meu pai era muito violento com ela”.

- O que aconteceu para a sua mãe não levá-la junto? – Pergunto-lhe.
” Eu ia atrasá-la caso me levasse junto. Ela achava que não iria conseguir fugir de meu pai se me levasse”.

- Avance mais para frente nessa cena – peço-lhe.
” Acho que eu consegui fugir do sanatório. Ao anoitecer, fugi e fui para a floresta. Estou escondida no mato. Mas eu fui encontrada. Estou abaixada e sinto alguém se aproximando. Olho para cima e sei que fui descoberta. A pessoa me pega e me puxa”.

- Quem te puxou pela roupa? – pergunto-lhe.
” É o meu pai. O olhar dele é de ódio. Ele está a cavalo, começa a me espancar e me leva à casa de pedra. Entra comigo e fala para eu vestir a roupa de minha mãe. É uma roupa longa, preta. Ele me obriga a deitar na cama e amarra as minhas mãos e pernas por cima do vestido. O meu corpo está todo ferido e ensanguentado devido ao espancamento que sofri. Ele fala: “Agora você não foge mais”. Eu sinto frio, a temperatura do meu corpo cai. Vejo os meus pés, eles estão ficando roxos. Estou perdendo as forças, sinto muito tremor no corpo. Estou sozinha agora, ele foi embora (pausa). Vejo agora um homem de túnica, chega e senta ao meu lado. Estou tremendo muito. Olho para ele e sinto uma bondade muito grande no rosto dele. Ele veio me ajudar”.

- Quem é esse homem? – pergunto-lhe.
” É o meu mentor espiritual. Estou sentindo muito frio, tremo muito (pausa). Vejo agora uma luz amarela sair do meu estômago. Acho que é a minha alma, ela sai pelo meu abdômen. Mas ela demora a sair. Por isso ele fica comigo para me auxiliar. Sinto muito medo, não quero sair do meu corpo físico. Ele fala para eu não ter medo. Diz para eu sair do meu corpo, para eu não ter medo que ele está ali para me pegar. Quando a minha alma sai, ele me pega no colo. Fico como se eu fosse um bebê (paciente chora intensamente). Sinto-me segura e acabei dormindo no colo dele (pausa). Agora, ele se levanta me carregando, caminha e atravessa a porta e o ambiente fica todo iluminado.

- Pergunte para o seu mentor de onde vem o seu T.O.C.? – peço – lhe.
” Diz que vem dessa vida passada porque o espírito do meu pai veio junto comigo na vida atual. A presença de meu pai em espírito me fez trazer esta doença. Ele diz que o T.O.C é uma espécie de tique nervoso que trago dessa existência passada porque eu era muito sozinha, vivia presa naquela casa. Vivia contando os tijolos das paredes. Verificava também várias vezes se a porta estava trancada para o meu pai não entrar no meu quarto. Eu me sentia suja por causa dos abusos sexuais que sofri do meu pai. Mas ele diz para eu ter calma, porque eu achei um caminho que é bom para mim”.

- Que caminho? – Pergunto à paciente.
” Ele está se referindo à TRE (Terapia Regressiva Evolutiva).

Diz que essa regressão está sendo boa para mim porque eu precisava mexer nas coisas do passado para entender a causa dos meus problemas”.

- Pergunte-lhe de onde vem essa mania de limpeza? – Peço-lhe.

“Diz que vem dessa relação incestuosa com o meu pai nessa vida passada. Eu trago à vida atual a crença de que sou suja pelos abusos sexuais que sofri e então tenho necessidade de limpar tudo que está ao meu redor. Diz ainda que todas as manifestações do T.O.C vem dessa existência passada”.

Após passar por mais 8 sessões de regressão, a paciente me disse que estava se sentindo muito bem, mais solta, mais leve. Não sentia mais aquela tristeza profunda, depressão. Disse que o seu sono estava mais tranquilo. Antes, acordava de madrugada assustada e, pela manhã, despertava cansada, irritada e depressiva. Hoje, acordava bem disposta. Disse ainda que os pensamentos negativos destrutivos tinham ido embora. O vitiligo estacionou e a psoríase melhorou bastante, bem como os seus rituais obsessivos de contar números, lajotas e sua mania de limpeza. Seu mentor espiritual lhe esclareceu também que o vitiligo e a psoríase, como doenças de pele, ela trouxe na existência atual devido às feridas internas (mágoas, humilhações, culpa) e externas (agressões físicas) provocadas pelo pai ao morrer por espancamento naquela existência passada.

Sua Vida… Quase chega lá?

Sua vida financeira e profissional é uma grande batalha?
É sempre demitido do emprego, não tem sucesso nos negócios?
Aparecem grandes oportunidades, bons negócios, bons empregos, mas na “hora H” não dá certo, dá tudo errado?
Sua vida financeira e profissional é um tobogã de altos e baixos? Está bem e de repente desanda tudo, voltando novamente à estaca zero?
São as queixas mais frequentes que ouço de muitos pacientes que vêm ao meu consultório para passarem pela TRE e, com isso, receber suas sábias orientações acerca da causa de seus problemas e sua resolução. São pacientes atormentados pelo insucesso e instabilidade profissional e financeira.
Em relação à vida financeira e profissional, há três grupos de pacientes que buscam o auxílio dessa terapia:
a) Vencedores: São bem-sucedidos, têm êxito; seus problemas estão em outras áreas de suas vidas;
b) Perdedores: Tentam de tudo, empenham-se ao máximo, mas não logram êxito, estão sempre quase chegando lá, pois normalmente algo dá errado. Passam por inúmeros percalços, sua vida financeira e profissional é feita de adiamentos. Tem tudo para dar certo (ótimo currículo, capacitação profissional, vasta experiência, pós-graduação, MBA, mestrado, doutorado, etc.), mas estão sempre e somente falhando em seus objetivos;
c) Empatadores: Da mesma forma que ganham, perdem tudo. Sua vida financeira e profissional é um tobogã de altos e baixos. Por isso, nunca se estabilizam nem se mantêm.
Veja a seguir o caso de um paciente de 38 anos que veio em meu consultório desesperado, querendo entender por que sua vida financeira e profissional não dava certo e, com isso, tinha que depender financeiramente de seus familiares.

Caso Clínico:
Por que a minha vida financeira e profissional não dá certo?
Homem de 38 anos, solteiro

O paciente veio ao meu consultório querendo entender por que sua vida financeira e profissional não dava certo. Foi demitido de uma empresa e, desde então, sua vida profissional e, principalmente, financeira, tem sido uma grande batalha.
Aparecem grandes negócios, boas oportunidades, mas, em cima da hora, no momento de fechar o negócio, sempre algo dava errado, ou era adiado. Obviamente, passar por tantos insucessos o deixava com os nervos em frangalhos.
Por conta de sua dificuldade financeira, era sustentado pelos seus pais e irmãos, vivendo de favores (seus familiares pagaram essa terapia).
Nas horas de desespero, chegou a pensar em fazer uma bobagem (suicidar-se), pois há cinco anos estava desempregado. Pensou várias vezes em pegar um atalho, ir para o caminho do mal, da ilegalidade, para saldar suas dívidas. Ele sofria também de traições, pessoas que o prejudicavam nos negócios.
Queria entender também por que há anos ocorria com frequência, ao consultar as horas no relógio do carro ou do celular, deparar-se com números repetidos: 12h:12min ou 23h: 23min.

Ao regredir na 4ª sessão, o paciente me relatou: “Sinto uma mão forte e grande segurando o meu antebraço esquerdo (paciente estava deitado no divã). O ser espiritual usa uma roupa brilhante e irradia muita luz”.

– Pergunte para esse ser espiritual de luz por que ele segura o seu antebraço? (o paciente entrou em transe mediúnico, incorporando esse ser espiritual de luz)
” É para não cometer atos impensados”.

– Que atos?
“Os atos de ira, revolta, por não entender os propósitos da existência”.

– Quais são esses propósitos?
“A melhora, a facilidade de entendimento, a aceitação, a comparação e a evolução dos bons sentimentos e dos bons propósitos que todo o Ser tem que ter para continuar na trilha, no caminho da evolução.
Foram muitos atos de insanidade. Atos de agruras foram cometidos, que não deveriam jamais acontecer. Muitos, mas muitos foram sacrificados, destruídos, escarnecidos pelos atos do passado. A roda da existência deve girar, deve prosseguir, mas não se repetir. A ira, o ódio, a vingança devem ser extintos nessa existência. Muitos que aguardam em plano inferior precisam entender que a mesma oportunidade de elevação pode lhes ser dada como foi dada para esse irmão (paciente). O véu que cega a consciência dos que estão tomados pelo ódio e pela vingança deve ser retirado para que tanto os que ficaram no plano sutilizado (plano espiritual) como para os que passaram no plano denso (plano terreno) possam evoluir”.

– Você pode se identificar?
“Sou o Guardião do Portal dessa existência e de muitas lutas antigas. A ele (paciente) será dada a oportunidade de refazer-se, bem como a restauração dos muitos atos de sangue praticados em existências passadas, em atos, liberdade e justiça através de nova oportunidade que tanto aguarda. Mas é necessário reestruturar os princípios, os ideais na existência atual.
Os recursos, os meios materiais, não devem e não poderão ser canalizados em direção errada. Muitos que foram atingidos porque sangraram através de atos do passado estão presentes e aguardam uma nova oportunidade de recomeçar. Caberá a ele (paciente) proporcionar esse recomeço”.

– De que forma?
“Através ou pelos caminhos da oportunidade que lhe serão entregues em suas mãos, e que não poderão ser desperdiçados. Quanto maior o Poder, mais acesso, maior será a responsabilidade”.

Na sessão seguinte, a 5ª e última sessão, o paciente me disse: “Ao passar pelo portão (recurso técnico que sempre utilizo nessa terapia, que funciona como um portal que separa o presente do passado, o mundo material do mundo espiritual) foi-me jogado um líquido, um fluido, da cabeça aos pés, como num banho. O meu mentor espiritual (Guardião) está presente. Já na prece (nessa terapia, antes de iniciarmos o relaxamento, fazemos sempre a prece juntos) o meu mentor espiritual estava presente na minha frente, aqui na sala do consultório. Ele é realmente um Guardião, usa uma armadura no peito, é um ser alado muito forte e alto. Essa água, o fluído, é para a minha purificação, limpeza do meu espírito…
Vejo agora um homem sendo trazido por dois outros seres de luz (usam uma túnica branca, são também altos e bem fortes), um de cada lado”.

– Veja quem é esse homem que foi trazido aqui no consultório, como ele é?

“É também muito forte, está prostrado, cabisbaixo. Ele é embrutecido, é peludo; seus braços são fortes. Usa uma roupa muito antiga, lembra os bandeirantes ou um capitão do mato, barbudo, cabelos longos, emana um sentimento muito ruim. Existem também outros seres de luz à minha volta, porém, mais distantes. Não os vejo com clareza, apenas observam, assistem”.

– Veja quem é esse homem? Peça para ele se identificar.
” Ele transmite muita raiva e tristeza, mas isso vem de um tempo que já se foi, de uma vida passada bem distante (paciente fala chorando). (pausa).
Não tenha tanta raiva de mim, tanto ódio… Procure entender para que você possa sair dessa condição onde se encontra. A culpa não foi minha por você ter ficado aí nas trevas. Entenda e procure me perdoar porque já te perdoei. Não existe outro caminho, meu irmão, a não ser o caminho do perdão e do entendimento.
Procure ver isso, ao manifestar esse sentimento tão ruim, veja que também me prende onde você está. Entenda que não é me prejudicando, impedindo o meu caminho, o meu crescimento por coisas que fizemos, e que você ainda julga inacabadas, que iremos chegar a algum lugar.
Isso não vai trazer benefício para nós. Sai daí, irmão! Basta querer, como eu quis, para que possa se tratar no plano espiritual de luz. Só o perdão pode melhorar e trazer uma outra condição de existência para nós. Nós não tínhamos nada naquela vida passada, só um dia atrás do outro. Foi uma época triste, solitária, obscura. Você se lembra disso; perdoe as pessoas que fizemos sofrer com tantas coisas horríveis para que elas possam nos perdoar e, com isso, todos possamos evoluir, melhorar, crescer.
Hoje existem outros seres encarnados que dependem de mim, me aguardam e me esperam para que eu volte para falar e conduzi-los. Você também pode ter isso. Trabalhe para isso, lute para isso! (pausa).
Chora irmão, chora! Abra o seu coração, assim como estou abrindo o meu!
Deixe que a resignação, o perdão, o amor entrem para que você possa entender que o nosso grupo é o caminho do entendimento, da compreensão. Quero que você saia daí onde está.
Por favor, eu peço o seu perdão, e lhe entrego o meu perdão e a minha compreensão! (pausa).
Dr. Osvaldo, esse ser espiritual das trevas está chorando muito. (pausa).
Receba, meu irmão, o amparo desses que estão do seu lado para que você possa entender e aceitar o que está por vir, o que precisa ocorrer na sua existência.(pausa)).
Dr. Osvaldo, a mesma água, o fluido que jogaram em mim, agora está caindo sobre ele. (pausa).
Ele está sendo levado… mal consegue ficar em pé. Ele está muito cansado, está sendo carregado”.

– Onde você está?
“Num lugar aberto, num campo. O meu mentor espiritual está do meu lado esquerdo”.

– Pergunte se ele tem algo a lhe dizer?
“Ele está segurando novamente o meu antebraço esquerdo… meu corpo está ficando adormecido, imobilizado (paciente estava entrando novamente em transe mediúnico de incorporação inconsciente). (pausa).
“O último remanescente (obsessor espiritual do paciente) de tempos distantes, agora é encaminhado à sua senda evolutiva. A jornada desse irmão (o paciente) é retomada; que ele não tema os desafios e o que há a ser executado. Muito se há a fazer. Na verdade, a jornada de muitas léguas se inicia agora para ele como o primeiro passo. Muitas provas, muitos momentos de provação virão; porém, esse irmão estará forte e apto a suportar as provações da vida. Os elos que o prendiam às agruras do passado foram rompidos. Eu estarei sempre presente no caminho da evolução desse irmão, orientando-o e dando-lhe a direção certa a seguir.
A luta será árdua, muitos percalços e tentações lhe chegarão e devem e precisam ser superados e suplantados a bem do processo evolutivo.
Muitos lhe chegarão com vestes auspiciosas, sob pele de cordeiro e, na verdade, serão lobos.
Irmão (o mentor espiritual estava se referindo ao paciente, ao seu tutelado), use o seu livre-arbítrio para que sua capacidade de discernimento e senso de justiça norteiem e conduzam àqueles que lhe aguardam, que necessitam de sua orientação”. (pausa).

– Por que vêm ocorrendo repetições de algarismos quando o paciente consulta às horas? – Pergunto ao mentor espiritual do paciente.

“Reflexo de um tempo que não mais existe, mas será dada a orientação a respeito do que fazer”.

– Que tempo seria?
“Em uma das existências passadas, o irmão (paciente) se utilizou do conhecimento que tinha dos números. Será esclarecido a esse irmão o caminho a ser utilizado para o conhecimento do bem”.

– Esse conhecimento que ele traz de uma existência passada será utilizado para o benefício coletivo?
“Peço para que o irmão (paciente) aguarde o tempo devido, que o esclarecimento lhe será dado”.

– O que o estava impedindo de prosperar?
“Burilamento para a sua existência e preparo para o que agora iniciar-se-á.
O ensinamento maior é para que ele jamais se esqueça, e se dará infelizmente através do sofrimento, da dor.
Hoje esse irmão tem embasamento, conhecimento e experiência para não incorrer em erros do passado. O que está a se aproximar trará ao irmão, como já foi dito, uma grande responsabilidade e um grande comprometimento pelo poder e pelo acesso material (dinheiro)”.

– O paciente fez mau uso do dinheiro na existência passada para passar por tantas dificuldades financeiras na vida atual?
“Sim, em outras vidas ele teve o poder de vida e morte sobre muitos”.

– A dependência financeira que ele sofre de sua família faz parte de seu aprendizado?
“Isso não continuará. Essa situação lhe foi imposta pelo irmão (obsessor espiritual) que foi levado por vingança e desentendimento sobre divisão de ganhos, roubos, bem como a própria vida do irmão (obsessor) foi tirada pelo paciente numa existência passada”.

– O paciente terá que voltar a essa terapia mais para frente?
“Será necessário para esse irmão cultivar o hábito da prece, elevar o seu pensamento e sentimento ao sanctus e às esferas superiores para que possa obter sustentação, força e resistência no seu caminho para executar sua missão. Somente a oração e elevação de pensamento para atingir a seara de Maria e do senhor Jesus poderão lhe dar a paz, o equilíbrio e a proteção de que necessitará.
Existem muitos caminhos, porém, os caminhos a serem trilhados devem ser os que levam à casa do senhor. O nosso senhor Jesus Cristo disse: ‘Existem muitas moradas na casa do meu Pai’.
Estarei sempre ao lado desse irmão para não permitir que ele se desvirtue e saia da senda e no caminho do bem. É imperativo que muitas pendências do passado desse irmão sejam saudadas.
Que a paz, a harmonia, e a luz de Maria estejam entre vós”!

TRE e Psicanálise: Uma combinação eficaz para o processo de cura

Em janeiro de 1977, o grande médium Chico Xavier fez o seguinte comentário: “Cremos que a psicanálise unida à reencarnação, mas adotando os processos educativos da reencarnação no espaço e no tempo, seria para o mundo de hoje uma realização ideal”.

Para quem não sabe a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006 se utiliza de técnicas psicanalíticas para fazer o paciente regredir e buscar a origem traumática de seu problema que pode estar nesta vida (infância, nascimento, útero materno) ou muito mais atrás, em vidas passadas.

Por isso, quero esclarecer que a TRE como método psicoterápico, não é apenas um método reencarnatório, porque a regressão se aplica também a fatos traumáticos da vida atual.

Em verdade, buscar lembranças traumáticas que estavam reprimidas no inconsciente e fazer o paciente reverenciá-las com emoção, é um recurso psicanalítico. Freud, o pai da psicanálise, dizia que nas livres associações ocorriam frequentemente uma catarse (liberação) emocional e que, somente desta maneira, o paciente teria uma melhora clínica.

Portanto, o objetivo seria fazer o paciente compreender a causa de seu problema – que estava reprimida no inconsciente – e liberar a experiência traumática de seu passado para que essa lembrança se torne apenas uma lembrança, desvinculada de emoção negativa.

O objetivo último seria fazer o paciente se recordar da experiência traumática que gerou o seu problema, mas, desta vez, sem sofrer mais. Freud dizia que essas experiências traumáticas reprimidas na infância emergiam posteriormente na fase adulta produzindo inúmeros distúrbios psíquicos, psicossomáticos, orgânicos e de relacionamento interpessoal.

No entanto, ele só se limitou a curar feridas da infância, não indo mais a fundo na causa verdadeira do problema do paciente (nascimento, útero materno e vidas passadas).

A terapia regressiva evolutiva(TRE) vai muito mais além, extrapolando o campo de ação do pensamento e tratamento psicanalítico.

 

Neste aspecto, a TRE trabalha em três níveis psíquicos:

a) Consciente;
b) Inconsciente;
c) Supraconsciente (nível espiritual).

O nível supraconsciente é onde ocorrem as manifestações de entidades espirituais (espíritos protetores de elevada evolução – mentores espirituais e aqueles de pouca evolução – os obsessores espirituais, seres das trevas).

Muitos pacientes durante a regressão conversam com esses espíritos, chegam a receber mensagens e orientações de seus mentores espirituais que se dizem satisfeitos em vê-los se tratando com a TRE.

O trabalho com meus pacientes que entraram em contato com esses espíritos me levou a rever minhas crenças, pois antes era uma pessoa cética, incrédula acerca da vida depois da morte e à sobrevivência da consciência.

Gostaria de transcrever uma mensagem que me foi passada pelo mentor espiritual de uma paciente, no início de meu trabalho com essa terapia:

“ Boa noite, irmão!
É muito louvável o seu trabalho, estamos gratos por tornar a vida de seus semelhantes melhor de ser vivida. Você, assim como outros, são pontinhos de luz ajudando o Pai Maior a transformar este lindo planeta. Continue sempre colaborando e fazendo outros a se transformarem.
Obrigado, fique com Deus, e que Ele ilumine o seu caminho.
Com todo amor Crístico,
Agenor”.


CASO CLÍNICO:
Pesadelos constantes
Mulher de 21 anos, solteira.

Veio ao meu consultório por conta de seus pesadelos constantes que a atormentavam desde criança. Acordava assustada todas as noites chorando, mas não se lembrava do que sonhara. Ao ser indagada a respeito desses pesadelos, dizia que não queria morrer.

Já na fase adulta, lembra que acordou do pesadelo esmurrando o guarda-roupa. Queria entender também o porquê de sua mãe não confiar nela, nunca deixá-la sair sozinha, querendo sempre controlar sua vida. Ocasionalmente, era tomada também por uma tristeza profunda sem saber o porquê e uma impaciência e ansiedade constantes. Frequentemente lhe vinha o seguinte pensamento: – Não posso perder o meu tempo, tenho muitas coisas para fazer.

Na entrevista de avaliação, a paciente veio acompanhada de sua mãe. Mas na semana seguinte, na1ª sessão de regressão, embora quisesse vir, sua mãe lhe disse que não tinha coragem, pois achava (intuía) que estava envolvida nos pesadelos dela. Por conta desse medo, mandou a prima da paciente acompanhá-la em sua regressão de memória.

Ao regredir, a paciente me relatou: – O meu coração está acelerado, estou com medo. Não consigo parar de tremer (ela começa a tremer). Estou presa, alguma coisa me prende às minhas pernas. Estou deitada, as pernas doem. Não consigo movê-las (chora copiosamente).

– Veja o que está acontecendo? – pergunto-lhe.
– Alguém me prendeu… Não vejo nada, só sinto, está tudo escuro.

– Volte antes desta cena para ver quem foi que te prendeu? – peço-lhe.
– Estou deitada no chão em um cômodo, as minhas pernas estão amarradas com cordas, presas a um barril. É uma vida passada, sou morena, meus cabelos são pretos, devo ter uns 20 anos. Vejo uma casa, é de madeira. Uso uma blusa branca, a minha saia é colorida, sou cigana (pausa). Foi a minha mãe que me prendeu… É a minha mãe da vida atual. É o mesmo olhar profundo (os pacientes costumam identificar as pessoas que estiveram com eles em suas vidas passadas através do olhar). Ela também era cigana. Morávamos somente eu e a minha mãe. Meu pai – o mesmo da vida atual – nos deixou. Ele também era cigano. Agora entendo porque ele me superprotege na vida atual. Meu pai ainda se sente culpado (inconscientemente) por ter nos abandonado nessa vida passada. Foi a minha mãe que me amarrou, me prendeu naquele cômodo. Ela não quer que eu fique com o homem que amo. Ela tem medo de me perder, quer me ver sempre por perto. Minha mãe descobriu que eu saia com ele. Ela não me deixa fazer nada, vive me controlando. Tenho que fazer tudo debaixo dos seus olhos. Faz exatamente a mesma coisa na vida atual. Ela me amarrou para que eu não me encontrasse com ele, mas ela não teve a intenção de me matar.

– Volte para o momento de sua morte nessa vida – peço-lhe.
– Estou muito nervosa, com muita raiva dela, não sinto mais dor nas minhas pernas… Acho que morri. Estou flutuando, vendo o meu corpo de cima. Alguém mexe em minhas mãos. Não é minha mãe (pausa) É o rapaz que eu amo. Ele está de costas. Só vejo os seus cabelos. É loiro e encaracolado. Ele não é cigano. Usa roupas velhas, camiseta suja e velha. Ele está triste e muito nervoso. Estou vendo-o de cima, fora de meu corpo, flutuando. Estou nervosa, porque acabou tudo, estou consciente que estou morta, em espírito (chora copiosamente). As minhas mãos pararam de formigar e as minhas pernas estão agora mais leves. Mas carrego comigo ainda muita raiva e nervosismo. Tenho muita coisa presa.

– Repita algumas vezes esta frase em voz alta, peço-lhe: “Sinto raiva e nervosismo”! (O objetivo é fazê-la soltar toda essa carga emocional presa ao passado).
– Ele está chorando, debruçado sobre meu corpo (pausa). Vejo agora um homem me levando embora. É o meu mentor espiritual. Ele tem cabelos pretos e usa roupas claras. Ele costuma vir nos meus sonhos na vida atual”.

– Veja para onde ele te leva? – peço-lhe.
– Ele me leva para um jardim do plano espiritual de luz. Estou triste, não queria morrer. O lugar é bem calmo. O meu mentor espiritual me diz que vou encontrá-lo novamente na vida atual depois dos 21 anos. Diz também que vou reencarnar novamente para me encontrar com a minha mãe. Digo-lhe que não quero voltar porque ela não vai me deixar ficar com ele (chora copiosamente). Fala que devemos confiar uma na outra e que eu tenho que ajudar a minha mãe a ser mais confiante. Diz ainda que ela (minha mãe) vai vir ao seu consultório no devido tempo para se perdoar. Ela quer também fazer regressão, mas tem muito medo e culpa de ver o que fez nessa vida passada.

– Pergunte ao seu mentor espiritual por que você e aquele rapaz precisam se reencontrar novamente? – peço-lhe.
– Precisamos completar, concluir, o que não fizemos naquela existência passada, mas, afirma que na vida atual, desta vez, vamos ficar juntos.

Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente me disse que não estava mais tendo aqueles pesadelos constantes, pois estava dormindo profundamente, só vindo a acordar no dia seguinte.

Aquela tristeza profunda que vinha do nada também havia passado e estava bem mais calma. Não pensava mais em querer fazer tudo ao mesmo tempo para não ‘perder seu tempo’, pois entendera o porquê dessa ansiedade de querer viver (morreu naquela vida passada com 20 anos e hoje está com 21 anos).

Disse-me no final do tratamento que iria fazer de tudo para trazer também sua mãe à regressão para que ela possa se perdoar.

 

Aborto: O que diz a Terapia Regressiva Evolutiva?

O meu objetivo ao escrever esse artigo, não visa emitir um juízo de valor, e, desta forma, condenar as pessoas que praticam o aborto. Em verdade, o meu intuito é esclarecer as consequências físicas, emocionais e espirituais dessa prática tanto para a mulher como para a criança abortada. Ao trabalhar com regressão (conduzi mais de 20.000 sessões de regressão), pude constatar que a causa de muitos problemas é, em muitos casos, consequência de abortos praticados pelas pacientes nesta vida e/ou em outras vidas.

Esses problemas se traduzem em depressão, dificuldade de engravidar e doenças orgânicas do aparelho genital, oriundos, em muitos casos, da obsessão espiritual da criança abortada.
Em verdade, o encontro com os pais era para resolver pendências que deixaram em suas vidas passadas, pois muitas dessas crianças abortadas já chegaram também a sofrer vários abortos pelos mesmos pais numa existência passada e, desta forma, perderam a oportunidade de voltar a reencarnar para se reconciliar com seus genitores. E, com isso, revoltadas e sentindo-se rejeitadas, passam a obsediar (perseguir) os pais, os médicos e todos aqueles que, de uma forma ou de outra, foram responsáveis pelo aborto.

É importante ressaltar aqui que nem todas as crianças abortadas irão passar a se vingar dos responsáveis. Essas perseguições vêm daqueles espíritos ainda imaturos que, ressentidos e/ou rejeitados, querem se vingar e passam a persegui-los.

Por outro lado, os mais evoluídos reagem de forma mais moderada. Muitos lamentam a perda de oportunidade de ajudar os pais, de os aproximarem mais, ou mesmo de ajudar outros membros da família (irmãos, tios, avós, etc.).

Apesar de o aborto ter lhes causado sofrimento físico e emocional, não cultivam ódio ou ressentimento em relação aos pais; pelo contrário, chegam a mandar vibrações positivas do mundo espiritual.

Eu me recordo de uma paciente que me procurou por sentir muita culpa por ter praticado um aborto. Ao regredir, viu o rosto de um bebê na sua frente (é comum uma entidade espiritual – amiga ou não – manifestar – se dessa forma). A criança lhe disse para não se culpar pelo aborto, pois compreendia que não era ainda o momento de ela reencarnar visto que ambos (o casal) não estavam ainda maduros para assumi-la. Mas que no momento oportuno iria reencarnar como filha do casal, pois tinha uma pendência cármica de uma vida passada com os dois. Despediu-se dizendo que estava orando muito pela felicidade deles. Após a regressão, a paciente me compartilhou emocionada que estava se sentindo muito aliviada.
Caso Clínico:
Sentimento de rejeição e medo de fracassar.
Mulher de 25 anos, solteira.

A paciente veio ao meu consultório querendo entender o porquê de se sentir rejeitada pelas pessoas e insegura por conta de seu medo de fracassar. Sentia-se muita indecisa, insegura ao ter que tomar uma decisão, pois tinha receio, vinham pensamentos negativos de fracasso. Tinha também baixa autoestima, sentimento de desvalorização e muita dificuldade de dizer não (necessidade de agradar as pessoas para não ser rejeitada).
Após ter sofrido um sequestro relâmpago, desenvolveu um medo grande de sair de casa (sofria de transtorno de stress pós-traumático).

Ao regredir, ela me relatou: – Vejo uma cena de minha infância onde nós três, eu, minha mãe e a minha irmã, estamos abraçadas, sentadas no sofá de casa. Estamos felizes, mas sinto também um aperto no peito, angústia, vontade de chorar e medo (paciente fala chorando).

– Medo do quê? – Pergunto à paciente.
– Medo de fracassar. Sinto uma presença espiritual aqui no consultório… Na hora em que vi aquela cena inicial de nós três abraçadas, senti essa presença espiritual.

– Veja quem é esse ser desencarnado? – peço novamente à paciente.
– Diz que é a minha irmã. Fala que a minha mãe a abortou (na entrevista de avaliação, a paciente me relatou que após o seu nascimento, sua mãe abortou uma criança).

O aperto no peito, a angústia, a vontade de chorar e o medo de fracassar que senti no inicio dessa sessão são sentimentos que não me pertencem, mas vêm dessa minha irmã que foi abortada.

– Pergunte à sua irmã se ela gostaria de lhe dizer algo? – peço à paciente.
– Diz que queria reencarnar, estar com a minha família. Por isso, sente raiva, rejeitada ao ver nós três juntas, felizes (a paciente se dá muito bem com a sua mãe e a sua irmã).

– Você gostaria de dizer algo à sua irmã? – Peço à paciente.
– Gostaria que ela perdoasse a minha mãe por tê-la abortada (pausa).
Ela está chorando, sente-se rejeitada.
Agora, percebo que esses sentimentos de rejeição, desvalorização, angústia, medo de fracassar que sinto vêm dela, não são meus.

Ela reafirma que queria estar entre nós e me pergunta: “Por que a sua irmã nasceu e não eu? Se sua mãe me abortou, não queria uma criança, por que depois ela aceitou a sua irmã?”.
Ela chora muito, não se conforma por não ter nascido.

– Pergunte-lhe se quer receber ajuda dos espíritos amparadores, ser levada à luz? – Peço à paciente.


– Ela diz que quer.

– Então, fale para ela pedir ajuda – em pensamento – para eles. (pausa).
– Vejo-a agora como uma criança pequena, sendo levada. Um anjo vestido de branco cobre a minha irmãzinha com um manto.
Ele a leva em direção a um grande foco de luz intensa (é o astral superior, plano espiritual de luz).
O anjo (mentor espiritual da paciente) pede para me acalmar, afirma que vai dar tudo certo em minha vida daqui para frente. Diz que vou ficar bem, e que os meus problemas vinham da interferência espiritual de minha irmã e de mim também. Na verdade, a minha irmã estava me obsediando porque queria a minha ajuda, pois eu era a única da família que poderia ajudá-la a ser resgatada das trevas, da escuridão em que se encontrava. (pausa).
O meu anjo fala ainda: “Acredite na vida, nada acontece sem a permissão de Deus. Tenha fé! Busque ser você mesma, tenha coragem, se imponha diante das pessoas. Fale o que pensa e sente. Seja verdadeira, sincera. Você é muito exigente, severa consigo mesma porque não aprendeu ainda a se amar.
Aprenda a se amar, dando ouvido aos seus sentimentos. Escute mais os anseios de sua alma, trilhe novos caminhos”.

– Pergunte ao seu anjo, quais são esses novos caminhos? – Peço à paciente.
– Afirma que isso vou ter que descobrir por mim mesma, pois faz parte de meu aprendizado (em muitos casos, nessa terapia, o mentor espiritual não revela a direção de vida ao paciente, para não prejudicar o seu aprendizado). Afirma também: “Segue o seu caminho, que irei te iluminar. Você precisa aprender, exercitar a dizer não às pessoas. Peça para sua mãe para fazer a oração do perdão à sua irmã abortada”.
Pede para eu ir em paz, orar sempre, e está agradecendo ao senhor, enquanto terapeuta (o meu papel como terapeuta, é buscar abrir o canal de comunicação entre o paciente e o seu mentor espiritual para que ele possa orientá-lo melhor acerca da causa de seus problemas, sua resolução, bem como se está no caminho certo a que se propôs antes de reencarnar).


Ele está indo embora em direção àquele grande foco de luz.

Medo de Amar

O coração é bastante grande para conter muito amor.
Quanto mais você o dá, mais você o tem.
– Victor Hugo.

Por que tenho medo da intimidade?

Por que tenho medo de me entregar?
Por que os meus relacionamentos amorosos não dão certo?

Essas são as perguntas mais comuns da maioria das pessoas que me procuram no consultório. A causa do insucesso amoroso está no medo de amar, no medo da intimidade, de se entregar. São tantas as mágoas, desilusão que se carrega do passado!
Em verdade, sua vida afetiva é péssima porque ainda está presa ao passado (embora, muitas vezes, não admita!) e existe em você uma quantidade enorme de desilusão. E o que acontece? Você cria uma resistência em se entregar. E isso impede que você tenha sucesso na esfera amorosa.

A maioria das pessoas não percebe que essas mágoas, desilusões advindas do passado, acabam afastando as pessoas boas, amorosas, que são capazes de amar. Os relacionamentos são ruins porque sua energia não é boa, isto é, você cultiva crenças negativas a respeito do amor. Muitos dos meus pacientes antes de se submeterem à regressão, não têm consciência dessas crenças.

Desta forma, o objetivo da TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006 – é fazer o paciente ver suas mágoas, feridas e decepções de seu passado, que o impedem de se entregar nos relacionamentos amorosos. Não há espaço para se realizar afetivamente se ainda está preso ao seu passado.
Em muitos casos, essas feridas se originaram de um passado mais remoto, em vidas passadas, e continuam abertas pelo fato de você ter sido criado num lar onde o desamor, a violência e o descaso estavam presentes.
Levine, um biólogo americano, numa investigação feita com ratos demonstrou que além do desenvolvimento físico, mental e social, também os processos bioquímicos são afetados pela ausência de estímulos e contato físico.
Ele fez a experiência com três grupos de ratos (filhotes), colocando-os em gaiolas separadas.

No 1º grupo (A), ele dava pequenas descargas elétricas; no 2º grupo (B), ele manuseava os ratos, isto é, pegava-os para colocá-los em outras gaiolas; e, no 3º grupo(C), ele simplesmente ignorou os ratos, não deu choque elétrico e nem os pegou, só deu comida e água.

Após três meses de experiência, adotando os mesmos procedimentos diariamente com esses três grupos de ratos, Levine os colocou juntos numa gaiola maior e observou o comportamento deles.

O grupo A (que levou descarga elétrica) demorou em explorar o novo ambiente, mas acabou buscando comida. O grupo B (o manuseado) imediatamente resolveu explorar o ambiente para buscar comida e o grupo C (ignorado) ficou encolhido, com os ratinhos amontoados entre eles, trêmulos, e, em nenhum momento, exploraram o ambiente.
Conclusão da pesquisa: Levine concluiu, portanto, que qualquer estímulo, ainda que negativo, é melhor do que nenhum.

Transpondo para nós, seres humanos, podemos dizer que um beijo é melhor que uma tapa, mas quando não o obtemos, pelo menos vamos buscar uma tapa, melhor do que a indiferença. Aqui explica, em muitos casos, o porquê da criança ir mal na escola, ficar doente, ter comportamentos agressivos em lares onde impera o desamor e, pior, a indiferença. Explica também o porquê de muitos casais cultivarem um relacionamento tóxico, doentio, na base da agressividade, violência, ofensas, maus tratos, etc.

Em verdade, nós incorporamos o modelo relacional de nossa família. Se você foi criado num ambiente de afeto, ternura, aceitação, reconhecimento, atenção e contato físico, a tendência será de se recriar esse ambiente saudável em seus relacionamentos social, conjugal, familiar e de trabalho.
Entretanto, se foi criado num ambiente familiar de pouco afeto, atenção, violência, de maus tratos e humilhação, a tendência é você desenvolver sensibilidade para reproduzir com as pessoas esses comportamentos destrutivos. Daí porque muitas pessoas, apesar de receberem elogios, atenção, carinho, não se sentem bem, ficam até agressivas ou mesmo bastante constrangidas.

Mulheres que apanharam muito dos pais na infância, tendem a receber com mais naturalidade a violência do marido.

Um estudo dos psicólogos da Vara da Infância e Juventude de São Paulo constatou que crianças espancadas tendem a se tornar futuros pais espancadores. Da mesma forma, crianças abusadas sexualmente tendem a se tornar adultos abusadores. Em verdade, muitos estupradores foram estuprados quando eram crianças.
Boa parte da amargura das pessoas tem algum problema grave na área da ternura. Neste sentido, a ternura tem uma força sobre as relações humanas e com a atrofia dela, você se torna seco. Sofre do que eu chamo de “secura de afeto”.
O pior é que muitas pessoas não percebem que são secas, isto é, são disfuncionais do ponto de vista amoroso. São aquelas que respondem só o necessário, não conseguem intimidade com ninguém. Como estão no auto-abandono, experimentam a dolorosa sensação de solidão.

Mas, o pior é a solidão a dois, isto é, o casal está junto fisicamente, porém, não se entrega, pois não sabe ser íntimo. São dois estranhos morando e comendo no mesmo teto. A solidão familiar é a mesma coisa: cada um em seu canto, não há proximidade física e nem tampouco afetividade. Não há espaço para diálogo, afeto, ternura, porque não há confiança mútua. Dar boas gargalhadas, um abraço bem redondo, cumplicidade, elogios, reconhecimento, não há nessa família. O intercâmbio de toques positivos é desestimulado.

Toques positivos são aqueles que convidam às pessoas que os recebem a sentirem-se bem. Atuam no sentido de valorizar, qualificar, aprovar, aceitar e incentivar o crescimento e aumentar a autoestima. Ex.: “Eu te amo”; “Adoro sua companhia”; Você é muito importante para mim”.

Toques negativos são aqueles que criticam, reprovam, diminuem ou rejeitam às pessoas, convidando-as a sentirem-se mal. Por isso, agem no sentido de desestimular ou mesmo bloquear o desenvolvimento das potencialidades individuais e baixam a autoestima. Ex: “Eu te odeio!”; “Suma da minha frente!”; “Não tenho tempo para perder com você!”.
Não obstante, não importa de que família você vem. O mais importante é se tornar uma “pessoa de transição” em sua própria família. Ser uma “pessoa de transição” significa barrar em você a transmissão dessas tendências negativas que lhe foram passadas pelos seus pais e não reproduzi-las às outras pessoas.

Se você veio de uma família mal humorada, extremamente crítica e condenadora, deve mudar isso e se tornar uma pessoa mais amorosa primeiramente consigo mesma, permitindo-se ser mais alegre, levar a vida de forma mais ‘light’, aprender a se elogiar e elogiar às pessoas. Terá de exercitar mais, até que se torne livre dessas tendências, dessas inclinações negativas. Então, você terá se transformado numa “figura de transição” em sua família.

Caso Clínico: Medo de ser feliz
Mulher de 51 anos, casada.

Veio ao meu consultório me indagando sobre o porquê de tanta infelicidade em sua vida. “Tudo é complicado e difícil em minha vida”, disse a paciente. Ela me relatou que havia contraído inúmeras doenças e se submetido a 11 cirurgias (três para tirar miomas e oito para extirpar as trompas, ovário, seios e vesícula). Sofria de hipotireoidismo, anemia crônica, problemas nas pernas (febre reumática), osteoporose e dificuldade de andar por conta de um acidente de carro (colisão). Recentemente, caiu e fraturou o braço esquerdo. Já teve embolia pulmonar e parada cardio-respiratória, ficando 32 dias em coma; felizmente, não teve nenhuma sequela.

Para terminar de relatar a lista de doenças que teve, disse-me que já havia tido também pancreatite aguda e foi submetida duas vezes à cirurgia de intestino.

Não tinha um sono profundo, cochilava e costumava acordar assustada. Tinha problemas de insônia e quando chegava de madrugada, perdia o sono e não conseguia mais dormir. Ela me relatou que sentia uma tristeza profunda desde criança. Disse-me que quando criança também contraiu quase todas as doenças infantis.
Portanto, queria entender o porquê de tantas doenças, essa tristeza profunda e angústia que a perseguiam desde criança.

Ao regredir, ela me disse: “Estou entrando num porão… É uma vida passada. Sinto um cheiro de coisa velha, estragada, de mofo. Sinto também falta de ar, estou passando mal (paciente começa a respirar de forma ofegante).
Vejo um corredor, ando nele para chegar ao porão. Tem uma mesa, minha mãe dessa vida passada está lá. Tem uma mulher deitada na mesa… Oh, meu Deus! (começa a chorar e gritar).

Minha mãe tira a criança, está fazendo um aborto. A moça está deitada, cheia de sangue, grita muito… Minha mãe tirou a criança.
Mas não é só uma criança, ela abortou muitas crianças… Essas crianças vão me culpar. Que cheiro, meu Deus! (chora copiosamente).
Eu a ajudei na prática desses abortos, enterramos muitas crianças… Eu também tirei um nenê, pois estava grávida. O pai da criança não quis ficar comigo. Eu não tinha como cuidar dela. Eu tirei um nenê de três meses, por isso seu espírito ainda hoje me odeia.

Minha mãe me falou que tínhamos que ganhar dinheiro praticando abortos. A gente tirou muitas crianças, elas estão com muita raiva de mim. Eu escuto o choro delas! (paciente fecha os ouvidos com as mãos). Minha mãe é uma mulher gorda, grandona, suja, cabelos desarrumados. Ela é muito feia. Vejo muitos espíritos escuros do lado dela (seres desencarnados obsessores das trevas).

Sou muito magra, minhas mãos são muito grandes, cheias de calos, muito sujas”.(pausa).

– Peço para que a paciente prossiga na cena.
“Eu tenho que parar com tudo isso. A minha mãe está no porão. Se ela sair do porão vai continuar a matar mais crianças. Eu tenho que prendê-la… Vou fechar o porão lacrando a porta”.
– O que foi que aconteceu com a sua mãe? – indago-lhe
“Fechei a porta, ela está presa lá dentro. Ela não vai mais poder fazer mal a ninguém. Estou do lado de fora. Eu saí do porão, mas não tenho para onde ir, estou sem destino.

Agora, estou correndo e caí, bati a cabeça numa pedra… Foi aí que eu morri”.

– Peço-lhe que me descreva o que aconteceu com ela depois de sua morte física?
“Estou fora do meu corpo. Sinto muitas mãos querendo me pegar. Estou num lugar escuro, cheio de fumaça. Tem uma mulher vindo em minha direção. Oh, meu Deus! É a minha mãe. Ela morreu no porão. Ela está com muita raiva de mim… Vejo gente caída, atolada, elas ficam pondo a mão em mim (paciente estava descrevendo o plano espiritual inferior, das trevas).

Eu preciso sair daqui… Socorro! Socorro! (ela começa a chorar e a gritar). A minha roupa está suja, não consigo nem andar”.

– Peço-lhe que avance mais para frente nessa cena.
“Vejo agora duas pessoas, um casal, que me tira desse lugar. São seres de luz, espíritos socorristas. Eles estão me levando e falam que tenho que dormir porque estou muito cansada. Estou com sono e muito machucada. Eles falam que preciso me curar. Falo que não mereço dormir, pois tirei o meu nenê, matei minha mãe e muitas crianças. As vozes, os choros dessas crianças que matei falam que nunca vão me perdoar. Será que um dia Deus me perdoa?
Agora, estou dormindo. Estou num quarto, é tudo claro (ela estava descrevendo o plano espiritual de luz).

Vejo uma mulher, uma senhora de cabelos esbranquiçados… Ela diz que é a minha mentora espiritual e está vestida de azul. Fala que vou ver algumas pessoas. Estou flutuando, é noite, estou num lugar, não estou mais machucada. Estou dentro de uma casa. Essa senhora está comigo e diz que vou morar nessa casa.
É uma casa grande, está todo mundo comemorando alguma coisa, mas ninguém vê a gente. Vejo uma mulher grávida. A minha mentora espiritual revela que essa mulher será a minha futura mãe e vou vir de novo à vida terrena (reencarnar). Está todo mundo comemorando a gravidez dela. As pessoas escrevem seus nomes num livro. Na capa do livro está escrito: 1964(ano que a paciente nasceu na vida atual).
Eu estou com medo, não quero voltar. Se voltar tenho medo de errar novamente. Lá no porão, eles (os espíritos das crianças) falaram que Deus vai me castigar. E se eu reencarnar novamente, Deus vai me castigar. Mas a minha mentora espiritual me diz que vou ter que voltar… Por que tenho que morar nesta casa? Nem conheço essa moça (mãe da vida atual). Quero ir embora, eu tenho que dormir, não quero voltar, eu já falei! (fala com raiva, gritando).
No lugar onde estava (plano espiritual de luz) eu me sentia bem, eu ajudava no jardim, gostava da biblioteca, lia muito. Não quero mais voltar! Eu quero ficar lá!(grita)”.

– Peço, em seguida, para que ela se sinta no 1º trimestre de gestação no útero de sua mãe na vida atual.
“Quero ir embora. Minha mãe fica chorando porque tem medo de me perder. Eu quero ir embora, sair daqui! (começa a gritar).
Aquela senhora, minha mentora espiritual, que cuidou de mim no astral fala para ter paciência, que é para o meu bem reencarnar novamente. Mas não quero ficar aqui. Minha mãe chora porque tem medo de me perder. Mas nem a conheço!

– Vá agora para o 2º trimestre de gestação, peço-lhe.
“Que lugar apertado! É muito apertado! Eu preciso sair desse lugar. Eu quero sair daqui, que droga! (esmurra o divã). Quero ir embora, voltar para minha casa (mundo espiritual)”.

– Vá para o 3º trimestre de gestação, peço-lhe novamente.
“ Minha mãe está feliz, mas eu não. Sinto que não vou ser feliz porque pequei, Deus vai me castigar”.

– Vá para o momento de seu nascimento, peço-lhe.
“ Eu me sinto triste, quero ir embora, não quero nascer”.

– Qual o seu propósito de vida nesta encarnação atual? – pergunto-lhe.
“ A minha mentora espiritual me diz: – Você precisa se perdoar. Se você se perdoar irá sentir que Deus te perdoou… Agora me vejo deitada no berço… Sinto a presença de minha mentora espiritual nos momentos mais difíceis de minha vida atual”.

Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente me disse que estava se sentindo muito bem, pois compreendeu que o seu maior desafio na vida atual era se perdoar, e que essas doenças que contraíra, foi uma forma de se autopunir. Na verdade, não era castigo de Deus, mas, sim, sua alma que estava lhe cobrando pelo que fizera nessa vida passada. Ao encerrarmos o nosso trabalho, ela me confidenciou algo que me deixou muito feliz: resolveu construir um orfanato para reparar seus erros do passado.

 

 

 

 

 

 

Vocês reencarnaram para ficar juntos

Assim como a alma passa, neste corpo,
pela infância, juventude e a fase adulta,
de igual maneira ela toma outro corpo.
O sábio não estranha tal coisa. Tal como uma
pessoa despe a roupa velha e veste outra
nova, a alma encarnada deixa os corpos
gastos e veste outros que sejam novos.

Krishna Avatar – Bhagavad Gita.

Nem o tempo, nascimento, morte ou reencarnação podem separar aqueles que formaram um profundo elo emocional, espiritual ou físico em seu passado.
Em todo o meu trabalho com a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva)- A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006, milhares de homens e mulheres passaram pelo meu consultório para resolver também seus problemas conjugais, e, apenas em alguns casos, não consegui estabelecer um elo de vidas passadas. Por isso, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que muitos casais nesta vida atual já estiveram juntos também em vidas passadas. Portanto, se você está intimamente envolvida (o) por alguém, são grandes as chances que vocês tenham estado juntos em outra época e em outro lugar.
Explica o porquê de muitos casais ao se conhecerem na vida presente, sentirem uma forte atração e afinidade um pelo outro. Em muitos casais a afinidade e o entrosamento são tão grandes que basta um olhar para que o outro saiba o que quer.
Não precisam de muitas palavras para se entenderem. Há felicidade nesses relacionamentos porque ambos aprenderam suas lições do passado e estão nesta encarnação para outras experiências de crescimento e de evolução.
Portanto, essa felicidade não veio por acaso, mas como fruto de várias encarnações juntos, muitas vezes traumáticas, pelas quais adquiriram sabedoria e amor em seus relacionamentos.

Por outro lado, há aqueles cujo relacionamento é instável e cheio de conflitos. São relacionamentos truncados, difíceis e dolorosos que não atam e nem desatam. E por mais que ambos tentem sair desse relacionamento, não conseguem por conta do vínculo de amor e ódio que se criou entre o casal.
Nesses relacionamentos conturbados, frequentemente a Terapia Regressiva Evolutiva (TRE) – através de seu mentor espiritual – revela a causa desse conflito, permitindo que ambos aprendam a fazer suas mudanças internas.
Neste aspecto, se o casal reage a uma crise conjugal de forma positiva, buscando mudar seus pensamentos, sentimentos e atitudes a respeito do (a) parceiro (a), estará desintegrando o carma que existe entre os dois. Todavia, se ambos reagem de maneira negativa, com amargura, ressentimento, ódio ou desejo de vingança, colherão os frutos do carma negativo, porque ainda não aprenderam suas respectivas lições.

Mas que lições?
É a pergunta que os pacientes costumam me fazer. Ao passarem pela regressão, muitos se recordam que antes de reencarnarem na vida atual, conversaram com o seu mentor espiritual (ser desencarnado de elevada evolução, que responde diretamente pelo nosso aprimoramento espiritual) que os ajudou a planejar as lições necessárias à vida presente. Neste propósito de vida estão envolvidas outras pessoas que também irão reencarnar na mesma época, de tal forma que essa interação cármica, dará oportunidade a todos de fazerem suas próprias mudanças.
Sendo assim, muitos encontros estão predestinados a acontecer em sua vida como lições para o crescimento de sua alma. Em muitos relacionamentos conjugais, o matrimônio está destinado a chegar positivamente ao fim se o casal tiver aprendido tudo o que tinha de aprender. Em determinados casos, passar pelo divórcio é o único motivo pelo qual duas pessoas vieram juntas. Em verdade, eles predeterminaram essa situação no espaço entre vidas (mundo espiritual) como um teste para a evolução de suas próprias almas, isto é, de se separarem amigavelmente na vida terrena.

Como diz a escritora brasileira Lya Luft, autora do Best- Seller Perdas & Ganhos : “O fim de um casamento não precisa ser o fim de uma relação”.

Visto por esse ângulo, muitos casamentos desfeitos podem se transformar numa grande amizade.

Entretanto, se o divórcio envolver ações e emoções negativas, certamente ocasionará um carma negativo do casal. O mesmo irá ocorrer se os cônjuges mantiverem um casamento infeliz na base do ressentimento, hostilidade e desavenças constantes.
Mas, para se quebrar um ciclo cármico, é necessário que o casal exercite a humildade e se despoje do orgulho e da prepotência para finalmente mudar suas atitudes.

CASO CLÍNICO
Medo de se separar do marido.
Mulher de 40 anos, casada.

 

Veio ao meu consultório por sentir-se insegura em se separar do marido.
Queria saber o que a prendia ainda nesse relacionamento, já que não o via mais como homem. Dormiam em quartos separados há 10 anos. Portanto, não havia mais nenhum relacionamento sexual entre eles. Embora não o visse mais como homem, tratava-o com carinho como se fosse seu filho. Numa hora pensava em se separar dele, noutra hora, não. Arrumava suas coisas para ir embora e na hora H, desistia. O medo de machucá-lo estava muito presente, daí sua dificuldade de tomar uma decisão.
Na 1ª. sessão de regressão, a paciente começou a gritar aos prantos:
– Meu filho! Eu quero o meu filho… Levaram o meu filho. Levaram embora o meu filho. Ele é um bebê… estava em casa. Eu estava deitada na cama…

- Peço-lhe que me descreva sua aparência física.
– Sou clara, estou com os cabelos desarrumados. Moro num lugar simples, numa casa simples. Estou num quarto, só tem uma cama e uma mobília com gavetas. Ele era um bebê, não sei por que o levaram? (chora convulsivamente).
Ele estava enrolado num lençol. Morávamos eu e o meu bebê… Agora ele não está mais comigo. Estou sozinha. É muito ruim ficar sozinha. Eu quero o meu bebê de volta! (grita, chorando copiosamente).
– Você sabe quem pegou o seu bebê? – Pergunto-lhe.
– Ele tinha nascido há poucos dias. Eu mal o peguei nos braços. Meu pai me disse que eu não tinha condições de criá-lo. Ele não queria que eu andasse na cidade com um filho nos braços, sem marido. Ele não queria ouvir comentários de que sua filha solteira estava grávida. Foi por isso que ele me mandou para essa casa, distante da cidade. Antes eu morava com ele e as minhas duas irmãs.
Quando ele descobriu que eu estava grávida, me mandou para esta casa, longe dos olhos dos moradores da cidade. Logo que o meu bebê nasceu, ele foi me visitar. Estava deitada e acabei dormindo. Ao acordar, não os vi mais. Fui implorar para que ele devolvesse o meu filho. Disse-lhe que não iria depender dele para criá-lo, mas ele não me ouviu… Eu nunca mais tive notícias de meu filho.
– Avance nesta cena anos depois, peço-lhe.

– Após 20 anos é que vi o meu filho. Quando estava andando na cidade, vi um rapaz muito parecido com o pai do meu bebê. Alto, cabelos escuros, pele morena, muito bonito. Ele estava conversando com outros dois rapazes aparentando a sua idade. Ele despertou a minha atenção. Eu o segui e ele entrou numa casa grande, um jardim enorme com muitos empregados. Reconheci a casa porque uma das empregadas me conhecia. Pedi para que ela informasse e descobrisse se ele era realmente o meu filho. Ela ficou atenta nas conversas que escutava dentro desta casa. E numa dessas conversas, ela soube que ele era filho adotivo. Os donos desta casa eram pessoas de posse e foram eles que o criaram. Eu o observo de longe. Tenho medo de me aproximar dele. Ele não sabe que é filho adotivo. Se eu lhe contar que sou sua mãe verdadeira, tenho medo de sua reação, de não compreender o que aconteceu. Mas me sinto feliz por ele estar vivo; por outro lado, me sinto triste por não poder me aproximar dele. Sou muito pobre e ele foi criado por uma família abastada. Ele não vai me aceitar como sua mãe.
Por isso, eu só fico observando- o. Eu sofro por ele estar perto e não poder abraçá-lo. No entanto, eu já me acostumei a ficar só.
Eu levo uma vida muito simples. Presto serviços lavando roupas dos moradores da vila onde moro. Agora estou com um pouco mais de idade. Minha saúde ainda é boa, uso avental, cabelos pretos com um lenço na cabeça…  O ano é 1846. Não posso destruir a vida dele, não posso tirar as coisas que ele tem, por isso eu só o observo de longe. (pausa).
– Peço-lhe para que avance nessa cena bem mais para frente, anos depois.
– Meu filho está mais velho, ele está com 37 anos. Há 37 anos que não o abraço. Ele constituiu uma família. Sua esposa e seu filho são muito bonitos. Eu o vejo passeando com o seu filho pela cidade. Meu neto é lindo! Tem os cabelos claros, deve ter por volta de 6 anos. Ele é bonito, se parece com o pai… Vejo-me agora velha, cansada, meus cabelos já estão grisalhos. Não consigo mais andar direito. Não tenho mais forças para ir até a cidade para ver o meu filho.
– Vá agora para o momento de sua morte, peço-lhe.
– Estou deitada na minha cama. Estou só. Fico pensando que se eu tivesse contado toda a verdade para ele, não estaria só. Eu vou morrer e não irei mais vê-lo (chora copiosamente). Sinto muita solidão, medo de não vê-lo mais… Acabei morrendo.
– Veja o que aconteceu com você após sua morte física? – peço-lhe.
– Meu corpo fica lá durante vários dias. Ninguém sabe que eu morri. Não posso ir embora porque vou ficar sem o meu filho…
Passaram-se muitos dias até que alguém descobre o meu corpo. Agora é hora de eu ir embora, preciso ir. Vou descansar… Não vejo mais nada.
Antes de encerrarmos essa sessão de regressão, perguntei-lhe: – Você consegue identificar na vida atual alguém de seu convívio que seja o seu filho dessa vida passada?
– Sim, é o meu marido. Agora fica claro o porquê dessa insegurança em me separar dele. Não posso deixá-lo porque sofri muito quando o meu pai daquela vida passada me separou dele. Agora, na vida atual, o encontrei de novo… Mas sinto (intuo) que chegou a hora de cada um seguir o seu caminho. É assim que tem que ser. Vejo um ser de luz, é o meu mentor espiritual… É ele que está me dizendo isso.
Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente tomou a firme decisão de se separar de seu marido. Felizmente, a separação foi amigável sem mágoa ou ressentimento de ambas as partes.

Uso da intuição na Terapia Regressiva Evolutiva

O ser humano tem à sua disposição
o potencial de uma variedade tremenda
de poderes intuitivos. Há bastante evidência
de que somos mais sábios do que
os nossos intelectos. Nós estamos aprendendo
como é triste o fato de termos
negligenciado a capacidade de nossa
mente não racional criativa, intuitiva, que
corresponde à metade direita do nosso cérebro.
– Carl Rogers

Segundo o dicionário Aurélio, intuição é “o ato de ver, percepção clara, direta e imediata de verdades sem necessidade da intervenção do raciocínio”. Em outras palavras, intuição é “a apreensão direta e imediata de algo, de uma forma não racional”.

É ver algo com olhos de primeira vez; é a primeira impressão que nos causa. Em grego, intuição significa “olhar”.
Da mesma forma, a parapsicologia a define como visão que parece vir do fundo da alma. Uma revelação que não depende da razão.
É um estado alterado de consciência e faz parte da P.E.S. (Percepção Extra- Sensorial) como a telepatia, clarividência, clariaudiência, etc.

Spinoza, Kepler, Pascoal, Thomas Edison, quando estavam em estado alterado de consciência, em alfa, faziam descobertas melhores. Beethoven, embora surdo por ter contraído uma doença venérea (sífilis), escutava zumbidos e compunha assim suas músicas que o consagraram na história.

Freud, o pai da psicanálise, também jogava Tarô e, no fim de sua vida, chegou a usar a intuição dentro de sua prática psicanalítica. Ele dizia que o terapeuta, ao escutar o paciente, tinha que deixar a atenção flutuante, isto é, estar atento não só no que o paciente falava, mas também na forma como ele falava, observando sua postura corporal, entonação de voz, maneirismos, expressão facial, o olhar, etc.

C. G. Jung, discípulo de Freud, definiu a intuição como “percepção via inconsciente que se dá em forma de símbolos”.

Certa ocasião, ao atender uma paciente na entrevista de avaliação, senti que ela estava omitindo alguma coisa, embora tivesse me dito detalhadamente o motivo que a tinha levado a me procurar no consultório. Não obstante, sentia que não era esse o seu verdadeiro problema. Enquanto ela falava, resolvi fechar os meus olhos por um momento e, mentalmente, perguntei ao meu Eu Superior qual era o verdadeiro motivo que a levou a me procurar. Após um breve espaço de tempo, veio a imagem de uma boneca estraçalhada.

Sem saber o significado dessa imagem, perguntei novamente ao meu Eu Superior, qual era o significado dessa imagem. Subitamente, veio à minha mente a palavra aborto. Era isso. A paciente tinha praticado um aborto e, provavelmente, estava constrangida em me falar disso.
Resolvi interrompê-la e lhe disse: – Vamos ser objetivos. O verdadeiro motivo que a fez me procurar é o seu sentimento de culpa por ter feito aborto, não é?
Atônita, a paciente desatou a chorar.
Após chorar copiosamente, perguntei-lhe se estava mais calma e se gostaria de comentar a respeito do ocorrido. Ela me respondeu: – Obrigado, agora estou mais aliviada. Você não sabe o quanto isso tem me incomodado. Na verdade, eu queria ter a criança, mas na época eu tinha 16 anos e a minha mãe me obrigou a tirar o bebê. Fiquei confusa, não sabia se tirava. Acabei tirando porque minha mãe me pressionou muito. Mas o remorso e a culpa me perseguem até hoje.

No final da entrevista, após a paciente ter desabafado, disse-lhe que precisava se perdoar, libertar-se dessa culpa, soltar o passado, e que a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – Método terapêutico de autoconhecimento e cura, desenvolvido por mim em 2006, iria ajudá-la no seu processo de auto-perdão. Ela concordou prontamente em se submeter a essa terapia.

Em verdade, a capacidade intuitiva do ser humano tornou-se algo mágico porque foi constantemente reprimida. Por natureza, a mente humana tem uma faculdade intuitiva – também chamada de sexto sentido – e tal faculdade não é privilégio de uma minoria. Aliás, muitos estudiosos do assunto falam até em 7º, 8º e 9º sentidos, mas que na psiquiatria convencional, tais faculdades são erroneamente rotuladas de anômalas, ou seja, são distúrbios psiquiátricos.

Na civilização ocidental, fomos ensinados a valorizar e mesmo a venerar o lado lógico, racional e a rejeitar, depreciar, ou mesmo negar a intuição. Desta forma, a nossa educação é muito voltada para o racional e técnico. Por esta razão cultura, arte, literatura e o próprio lado espiritual não são muito valorizados e estimulados.

Neste aspecto, é muito importante desenvolver a mente racional junto com o lado intuitivo no processo de aprendizagem da criança.

O que será do meu futuro se tomar tal decisão?


Usando apenas o nosso intelecto, não será possível respondermos a esta pergunta, pois nossa mente racional funciona como um computador – ela processa os dados e tira suas conclusões baseada nessa informação. Por isso, ela é muito limitada, superficial e não tem profundidade. A mente intuitiva, por outro lado, é profunda e seu conhecimento é ilimitado.
No entanto, é necessário como tudo na vida, certa prática para ouvir e confiar em nossa intuição, nesta sutil voz interior.

Somos um canal das forças espirituais, mas precisamos dominar o nosso ego (medos, dúvidas, incredulidade), pois nossa cultura recalca essa orientação interior (inteligência universal).
Esta orientação interior não é algo racional que se manifesta pelo pensamento lógico-matemático do 8 ou 80. É por isso que muitos pacientes ao se submeterem à TRE, encontram dificuldades no início do processo regressivo porque sua mente racional, crítica e analítica, questiona, duvida se o que está revivendo são experiências de vidas passadas ou somente fruto de sua imaginação.
Em verdade, a regressão faz o paciente conectar-se com o mais profundo de seu Eu. Ou seja, ele entra em três níveis psíquicos: o consciente (o ego), o inconsciente e a consciência superior (Eu Superior, que é a sua alma, seu espírito).

CASO CLÍNICO:
Medo de se perder e ficar sozinha.
Mulher de 28 anos, solteira.

Veio ao meu consultório por conta de sua insegurança em enfrentar situações novas. Ficava muito ansiosa e insegura de ir num lugar novo ou distante e não saber voltar para sua casa. Entrava em pânico ao sair de carro sozinha com medo de se perder.
Ao se perder, ficava paralisada, travada, não conseguia sair do lugar, tinha dificuldades de tomar uma decisão em função do medo intenso que a dominava. Sentia-se totalmente desorientada.
Ao regredir, ela me relatou: ”Sinto um vazio, parece que estou perdida… É uma vida passada. Vejo mato, só mato. Sou criança, tenho sete anos e estou sozinha. Estava brincando na aldeia e me perdi dos meus pais. Agora estou muito longe dessa aldeia (fala de forma ofegante e tom de voz choroso). Sinto medo, eu me perdi. Mas eu não saio do lugar. Espero que alguém me encontre, mas ninguém chega”.
– Como você é fisicamente? – Pergunto-lhe.
“ Sou uma índia, cabelo curtinho e magrinha… Eu continuo perdida e não me mexo. Fico esperando alguém me encontrar…”.
– Regrida antes dessa cena para entender melhor o que foi que aconteceu para você se perder dos seus pais? – Peço-lhe
“ Vejo agora uma floresta, meus pais e eu saímos da aldeia para caçar. Estou brincando sozinha no rio. A correnteza do rio é muito forte e acabou me levando… Agora eu estou na floresta. Meus pais me procuram. Sinto muito medo, está escuro (começa a chorar). É noite, ninguém me encontra, começo a andar. Eu só vejo mato…
Oh, meu Deus! (grita e chora desesperadamente)”.

- O que foi que aconteceu? – Pergunto-lhe.
“ Um animal me atacou, é uma onça… Eu morri!! (chora copiosamente)”.
– Quais foram seus últimos pensamentos e sentimentos no momento de sua morte? – Peço-lhe.
“ Ninguém me encontrou, onde estão os meus pais? Senti muito medo, me deixaram sozinha. Eu não morri na hora… Ela (a onça) foi me comendo aos poucos. A onça me puxou pelo pescoço e me levou numa caverna. Ainda estava consciente… Só via o escuro… Foi nessa caverna que morri. Agora entendo o porquê dessas dores constantes no meu pescoço na vida atual (paciente se submeteu às sessões de RPG – Reeducação Postural Global)”.
– Veja o que aconteceu com você após sua morte física? – Peço-lhe.
“ Vejo uma mulher de branco, ela me abraça. É a minha mentora espiritual (ser desencarnado de elevada evolução espiritual responsável diretamente pelo nosso aprimoramento espiritual).

Estou agora me sentindo segura. Ela é bonita, tem um rosto angelical. Ela cuida de mim. Vejo um jardim bonito, muito iluminado…É do plano espiritual. Estou com ela sentada num banco. Ela me diz que preciso retornar à vida terrena, reencarnar novamente. Eu não quero, tenho medo de me perder novamente. Ela me diz: “É preciso retornar. Você ainda não terminou seu propósito de vida”.
– E qual é o seu propósito para a vida atual? – Pergunto-lhe.
– Diz que é ser eu mesma, acreditar em mim, ajudar espiritualmente as pessoas. Mas eu preciso ter fé em mim, nas pessoas e na vida. Ela me diz: “Você está indo por esse caminho, continue orando. Você vai encontrar o seu dom, o seu talento e saberá no momento certo. Você se perdeu, ficou desorientada, mas está encontrando o seu caminho, siga em frente. Seja forte, ouça mais o seu coração, a sua intuição. Agora, ela me dá um beijo. Diz ainda: “Você é luz, nasceu para brilhar, mas andaram te apagando”.
– Quem te apagou? – Pergunto à paciente.
“ Fala que foi minha família. Mas me aconselha a acreditar mais em mim e diz que Deus está comigo.
Agora estamos caminhando num jardim e tem outras crianças. Ela me deixa com essas crianças. Antes de ir embora, ela me disse novamente para ser eu mesma, acreditar mais em mim”.

No final dessa regressão, a paciente me disse, emocionada, que estava se sentindo muito bem. Ela apresentava um semblante de profunda serenidade, mesclada com surpresa e alegria interna.
Após ter feito mais quatro sessões de regressão, ela me disse que não se sentia mais desorientada ou mesmo em pânico quando se perdia.

 

 

Somos todos companheiros de uma mesma jornada

“Às vezes, imagino a vida como uma viagem de trem, feita com companheiros que a compartilham em determinados trechos. Quando nasci, entrei no trem em que estavam meus pais. No meio da minha viagem nasceram meus filhos. Há pouco tempo meu pai deixou o trem e, com sua partida, a dor mudou a maneira de fazermos a viagem. Mas o trem continuou… Quando juntos, cada um dos companheiros de viagem faz suas descobertas e procura passá-las para os outros, sabemos que a riqueza da luz se amplia quando é compartilhada”.
– Roberto Shinyashiki.


Todas as pessoas com as quais já convivemos, estamos convivendo e iremos conviver são, na verdade, companheiros de viagem. A verdade nos ensina que ninguém se realiza e nem caminha para realização, sem os outros, mas para que isso aconteça, ninguém pode exigir que os outros (pais, filhos, marido, mulher, amigos, etc.) lhe carreguem a existência, isto é, caminhem por você nas estradas da vida.

Os outros serão nossos cooperadores, intérpretes, associados e companheiros, enquanto isso se fizer necessário, ocorrendo o mesmo conosco, em relação a eles. Em vista disso, ame as pessoas sem prendê-las.

É possível que chegue um dia em que tanto você quanto essas pessoas não consigam mais permanecer inteiramente juntas em face das novas tarefas que a vida venha lhes reservar.

Enquanto a viagem durar, todos irão adquirir experiências e se aprimorar mutuamente. Aceite-os  como eles se mostram sem querer modificá-los.

As pessoas não nos pertencem. Deixe-as viver e siga adiante na construção de uma vida melhor em ti mesmo. Quando uma relação acaba – qualquer relação – você deve agradecer à vida pela oportunidade de ter tido esse relacionamento.

As pessoas vêm, vão, e levam um pedacinho de você. Se você ficar apegado (a) pelo fato do seu casamento não ter dado certo, por exemplo, vai impedir o seu próprio crescimento, a sua evolução.


Enquanto durou, ambos aprenderam.

 

As pessoas são passageiras em nossas vidas. No entanto, se você viver em função do passado, se olhar para trás (e continuar…), vai virar uma “estátua”. O apego de se olhar para trás é que atrapalha sua vida, te paralisa, impede-o (a) de viver.

Permita ser feliz, se deixe ser feliz. Abra seus olhos, deixe sair essa criança maravilhosa que está dentro de si. Tire todo o peso das costas, seja mais relaxado (a), menos tenso (a), tenha um rosto mais alegre, sorridente. Felicidade é tudo o que está à sua volta.

Se você passar a gostar verdadeiramente de si mesmo (a) ter autoestima, tudo vai melhorar em tua vida. Viva o hoje.

Por outro lado, se você muda e a outra pessoa não mudar, haverá uma ruptura, uma separação. Nunca se culpe por tomar uma decisão. Faça a sua parte, que o universo faz o resto.

 

Caso Clínico:
Fobia Social
Homem de 32 anos, casado.

Veio ao meu consultório por conta de sua fobia social, isto é, sua dificuldade, medo de expressar o que pensava e sentia no seu relacionamento com as pessoas. No seu trabalho, principalmente, ficava com insônia em função de seu medo de ter que se expor nas reuniões de grupo na empresa onde trabalhava. Ficava nervoso, constrangido, ansioso e confuso ao ter que expor suas ideias. Tinha muito medo de ser criticado pelo grupo. Em reuniões sociais, não costumava prolongar uma conversa, pois não deixava que as pessoas o conhecessem melhor. O medo da proximidade, da intimidade, lhe era muito ameaçador.

Numa festa, por exemplo, sentia-se deslocado, ficava isolado, não conseguia se enturmar e sempre encontrava uma desculpa para fugir do ambiente que lhe causava tensão e constrangimento.

Ao regredir, ele me relatou: – Estou vendo uma igreja… É uma vida passada, devo ter uns 13 anos. Eu me vejo sendo levado lá à força pelos meus pais. Não quero entrar na igreja, não gosto porque não entendo nada do que o padre fala. Ele fala em latim. É cansativo ficar lá dentro.

– Perceba como você se sente? – Pergunto-lhe.

– Eu me sinto preso e constrangido (pausa). A missa termina, vamos embora e meus pais me arrastam com violência. Eles me prendem no quarto. Falam que se eu continuar assim, não vou mais sair desse quarto. Eu me sinto preso e assustado. As paredes estão me aprisionando. Eu quero sair, começo a ficar desesperado, mas eles não me tiram. Eu subo na janela e começo a gritar. Eles me batem, mandam-me parar de gritar. Eu invento uma estória para sair. Falo que quero ser coroinha da igreja. Só assim eles me tiram do quarto. Aí eu penso: – como vou fazer agora? Se eles descobrirem que eu menti só para sair do quarto? Eu uso a mentira para sair do quarto e fugir. (pausa).

Eu me vejo agora acompanhando os meus pais até a igreja. Na hora que tive oportunidade, fugi. Fico com medo de Deus, porque o padre dizia que se eu fosse contra os meus pais, Deus iria me castigar (pausa). Agora me vejo andando pela cidade. Eu me arrependo, quero voltar para casa, mas acabo não voltando. Vou me fechando cada vez mais. Eu vou mentindo quando as pessoas me perguntam de onde eu venho (pausa).

– Avance alguns anos para ver o que acontece com você nessa vida passada? – Peço-lhe.

– Agora estou com 16 anos. Eu trabalho na estrebaria de uma taberna. O dono do recinto é uma pessoa estudiosa, tem vários livros. Ele me ensina assuntos de física, astrologia, natureza, filosofia de Platão, Aristóteles. Ele percebe que eu minto a respeito de minha vida. Diz para eu não ter medo, que podia confiar nele. Fui aprendendo os ensinamentos passados por ele. Estudava latim porque todos os livros eram escritos nesta língua. Comecei a questionar os ensinamentos dos padres, pois eles estavam errados. Vejo agora a taberna sendo invadida pelas Cruzadas (eram expedições de cristãos para libertar a Terra Santa – atual Palestina – dos turcos (muçulmanos), e eram patrocinadas pela Igreja Católica (Papa). O nome Cruzadas é porque os cristãos teciam a cruz de Cristo em suas roupas, simbolizando o voto de fidelidade à Igreja Católica).

O dono é levado embora para ser queimado na fogueira. É a época da inquisição (tribunal eclesiástico também chamado de Santo ofício, instituído pela Igreja Católica no começo do século XIII com o intuito de investigar e julgar sumariamente pretensos hereges e feiticeiros que iam contra os dogmas da Igreja Católica. Aqueles que eram condenados cumpriam as penas que podiam variar desde a prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira, onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública).

 

Todos os livros, cujo conteúdo ia contra as ideias, dogmas da Igreja Católica, eram apreendidos e queimados juntos com os donos desses livros. Eles não me pegaram porque eu estava fazendo limpeza na estrebaria. Vejo a casa toda revirada. Levaram todos os livros e só restaram os que estavam comigo. Fiquei assustado, peguei os livros e fugi. Em outra cidade, arrumei um emprego na mesma função. Um dia o dono, desconfiado, abriu a minha mala, viu os livros e me entregou ao padre da cidade. Os padres das Cruzadas me prenderam dentro de uma carroça e me levaram para julgamento. Havia outros presos dentro da carroça. Eles ficavam cutucando a gente com um pedaço de pau para entrar mais presos (pausa).

– Prossiga na cena, peço-lhe.

– Na carroça vêm recordações de meu pai me batendo, eu mentindo para ele. Fico confuso, começo a bater a cabeça nas grades da carroça. Minha cabeça começa a sangrar. Eles me tiram da carroça, amarram as minhas mãos e os meus pés para que eu não morra dentro dela. Eles querem que eu morra na fogueira (pausa). Estamos nos aproximando agora de uma arena. Vejo uma platéia. A arena é antiga, mas não é em Roma. A arquibancada é feita de madeira. É um lugar pequeno, deve ter umas 100 pessoas. Elas estão sentadas nessas arquibancadas. Eles me soltam da carroça, me batem nos joelhos para endireitá-los. Os outros prisioneiros me ajudam. Somos amarrados num tronco (pausa).

Estamos agora sendo julgados. Temos que mentir para não sermos queimados.  Vamos ser queimados, juntos com os livros. Ouço a sentença de que iremos ser queimados e o motivo é que fomos contra a Igreja Católica. Vamos ser queimados para expulsar os demônios porque eles alegam que estamos possuídos. Eles começam a acender a fogueira. Digo que não concordo com os ensinamentos da Bíblia. Falo que até as leis da natureza foram distorcidas, pois o mundo não foi feito em sete dias e, sim, em milhões de anos. Ele foi formado pela condensação da matéria. Vocês acreditam que o planeta é chato e não redondo. Se ele é chato por que então quando a gente sobe no morro, vemos o horizonte curvo e não chato? (pausa).

– Prossiga nessa cena e veja o que acontece com você? – Peço-lhe.

– Estou morrendo, as minhas ideias agora estão confusas. Quando sinto o fogo queimando o meu corpo, eu me acovardo, quero desmentir o que eu falei para ver se continuava vivo, mas já era tarde, ninguém mais me ouvia, o fogo estava consumindo o meu corpo e a minha voz estava sufocava pelo barulho das chamas. Eu sinto medo de morrer! (grita chorando).

Acho que eu morri. (pausa).


Agora estou me vendo sair em espírito do meu corpo físico. Senti um tranco e saí do meu corpo. Estou sendo retirado do meu corpo por três espíritos, seres de luz. Eles estão bem serenos, mas estou apavorado e eles falam para eu ter calma que o sofrimento já passou, e que não vou mais sentir dor. Eu desencarnei, sinto uma paz muito grande. Vejo uma luz bem prateada que envolve o meu corpo. Essa luz dá uma sensação de muita calma e tranquilidade. Estou flutuando, sentindo o meu corpo bem leve.

– Veja agora para onde você vai? – Peço-lhe.

– Estou indo para um hospital do plano espiritual, tem um jardim bonito. Estou numa cama, ela não tem os pés, fica suspensa. Estou deitado num colchão fino, lençol branco, é muito macio.

O meu corpo espiritual (perispírito) se adapta bem nesse colchão. Estou levitando, suspenso no ar, mas é esse colchão que me segura.
Uso um roupão azul, bem claro. Estou num sono profundo. Com o olhar, eles me transmitem uma energia de cura para tirar a sensação de queimadura que ainda sinto. Eu me sinto envergonhado, pois me acovardei, queria mentir dizendo que aqueles livros não eram meus na hora que senti o meu corpo queimando. Quero pedir desculpas para mim mesmo por ter ido contra os meus ideais no momento de desespero. Senti muito medo de morrer.

– Você consegue agora fazer uma conexão com o seu medo de se expressar com a experiência dessa vida passada? – Pergunto-lhe.

– Hoje, na vida atual, eu ainda tenho medo de expressar meus pensamentos e sentimentos, ser punido e perder a vida novamente. Mas vejo agora que não faz mais sentido esse temor porque na vida presente sei que se expressar o que eu penso e sinto não vou perder a minha vida.

 

O máximo que pode acontecer é as pessoas não concordarem com as minhas ideias.

No final da sessão, o paciente me disse que estava se sentindo muito bem, mais aliviado. Estava com a sensação que tinha soltado alguma coisa de seu peito (dor, angústia, desespero e o medo de morrer que trouxe daquela existência passada).

Após passar por mais quatro sessões de regressão para se livrar definitivamente do trauma da experiência de morte dessa existência passada, o paciente compartilhou com alegria e satisfação dizendo que não se sentia mais travado e inseguro em expor suas ideias no seu trabalho. Em reuniões sociais, não recusava mais nenhum convite e não se sentia mais deslocado ou constrangido. Estava bem mais falante e comunicativo com as pessoas. Demos por encerrado o nosso trabalho terapêutico.