Caso Clínico: Perda do filho de 9 anos

Mulher de 30 anos, casada.

Paciente veio me procurar, por conta de uma grande tristeza que a abateu pela perda de seu único filho.

Ela estava sofrendo muito por essa perda, não queria aceitar, não entendia a sua morte. Chegou ao meu consultório muito abatida e desesperançosa, pois já tinha ido a vários lugares em busca de respostas.

Ela queria saber onde seu filho estava, como estava, por que ele tinha ido embora assim tão precocemente, com apenas 9 anos, e da forma como foi. Ele estava brincando com os amiguinhos, desequilibrou-se, e, ao cair, bateu a cabeça numa mureta.

No dia seguinte, sentiu fortes dores de cabeça. Foi levado ao pronto-socorro, ficou na UTI, mas, dois dias depois, entrou em óbito. Ela se culpava por não ter prestado atenção na gravidade do caso; enfim, sentia muita dor.

Antes de começarmos a regressão de memória, expliquei-lhe que em muitos casos, o tipo de resposta que ela procurava era difícil de obter, pois fazia pouco tempo de seu desencarne, mas que iríamos tentar.

Porém, o importante era o seu bem estar, que ela precisava sair daquela depressão e recomeçar sua vida, pois tudo tem uma razão de acontecer.

Ela passou por cinco sessões. Farei um breve resumo dessas sessões, mas o que mais me deixou emocionado e feliz foi o fato da paciente ter aceitado sua perda, bem como o que sua protetora espiritual havia lhe revelado.

Nas duas primeiras sessões, a paciente sentiu um calor muito gostoso, uma sensação de descanso, pois havia meses que ela não sentia paz de espírito. Ela me disse: – Doutor sinto-me tomada por um calor gostoso, aconchegante, uma sensação de descanso, de alívio. Essa onda de calor invade meu corpo, não sei ao certo, mas é muito bom. Ela me dá um alívio imenso.

Nas sessões seguintes, ela estava muito mais calma em relação à perda do filho. Conseguiu até dormir, o que não estava conseguindo, pois estava mais tranquila, sem precisar tomar remédio; porém, estava ansiosa para sentir novamente aquela sensação de calor que havia sentido em sua primeira sessão.

Ao entrar em relaxamento, sentiu novamente aquele calor agradável e viu uma luz (ser espiritual). Ela me pediu: – Doutor o senhor pode apagar a luz, por favor!

Eu lhe disse que estávamos em uma penumbra, que a luz do consultório não estava acesa. Ela me interpelou dizendo: – Mas tem uma luz aqui, não me incomoda, mas estou vendo… Sinto agora a minha mão sendo tocada, vejo uma mulher, ela que toca a minha mão.

Ela usa um vestido longo e verde claro. Ela me passa uma paz tão grande, que estou emocionada! (paciente chora copiosamente). Ela me olha com muito carinho e agora sinto a mão dela fazendo carinho em minha cabeça.

Pergunte a esse ser de luz quem é? – peço à paciente.

– Diz que é minha protetora espiritual, ela me olha como uma mãe olha para seu filho… Ela me diz que seu nome é Annely, que está sempre comigo e que tem muito orgulho de mim.

Ela sabe de meu sofrimento, mas afirma que eu tinha que passar por essa perda. Ela me esclarece que fui escolhida pelo meu filho, que era um anjinho, e que antes dele reencarnar já havia sido acordado que ficaria comigo até os 9 anos. Ela diz que fui uma mãe maravilhosa, e que ele aprendeu muito comigo (paciente chora muito).

A minha protetora, a Annely, diz: – Seu anjinho reencarnou para terminar um ciclo, mas ele está muito bem e feliz por ter conhecido uma mãe maravilhosa e guerreira. Mas ele se ressentiu por não ter se despedido de você; em breve terá uma notícia maravilhosa.

Ele fica triste por você estar sofrendo, pois a ama muito. Você é uma mãe que qualquer filho gostaria de ter. Mas você tem que se levantar e se preparar para um maravilhoso presente.

Paciente chora muito e pergunta se pode vê-lo novamente. Sua protetora diz que não, pois, assim como ela, seu anjinho também estava se adaptando a nova vida, apesar de estar bem e feliz.

– Pergunte à sua protetora qual é esse maravilhoso presente? – peço à paciente.

– Revela que vou engravidar novamente, que vou me surpreender, pois será uma nova fase de minha vida. Diz que sempre me lembrarei do meu anjinho, mas sem a tristeza. Vou lembrar com alegria e dos momentos lindos que passei com ele, que quando menos eu esperar, o presente chegará. Ela só não diz quando… Paciente saiu do consultório muito mais aliviada e feliz com essa revelação.

Essa paciente veio ao meu consultório em outubro de 2014. Escrevi esse caso para vocês, meus leitores, porque ontem, dia 01 de setembro de 2016, recebi uma ligação. Nessa ligação veio um convite que me deixou muito feliz: conhecer os dois filhos que essa paciente acabou de trazer para esse mundo. Ela deu à luz a duas crianças lindas – Henrique e Helena.

Aqui confirma, portanto, o maravilhoso presente que sua protetora havia lhe revelado.