Caso clínico: Por que me realizo ao ver cenas com muito sofrimento?

Mulher de 30 anos, casada, dois filhos.

ponteA queixa dessa paciente era uma só: sempre quando ia dormir vinha cenas tristes de abandono, de sofrimento, perdas, pensamentos suicidas, homicidas, estupro, violência, enfim, tudo o que era de ruim. No entanto, sentia-se aliviada quando as cenas vinham em sua mente, chorava muito, e depois dormia, mas não entendia o porquê daquilo.

Era uma mulher bonita, bem sucedida, casada, com dois filhos, porém, só se realizava quando imaginava cenas com muito sofrimento. Nas duas primeiras sessões de regressão, ela sentiu muito frio e dores intensas na cabeça, muito choro, um choro de muita dor. Foi muito cansativo para a paciente, pensou até em desistir da terapia.

Mas 15 dias após a segunda sessão, ela voltou à terapia dizendo que estava muito deprimida, pois as cenas que ela visualizava à noite, agora também ocorriam durante o dia, quando dirigia e quando estava no trabalho; com isso, estava com medo de ficar louca.

As dores de cabeça que sentia também afetaram Joshua, o terapeuta, que estava cuidando de seu caso. Após ele conduzir o relaxamento, a paciente começou a se contorcer, levou sua mão ao pescoço, gritando: – estão apertando meu pescoço, meu Deus, não consigo respirar! Com muita calma, Joshua perguntou à paciente: – Quem está apertando o seu pescoço?

– Vejo um homem (obsessor espiritual), falou a paciente, quase sem voz.

– Seja firme, peça para que ele pare, pergunte-lhe por que está fazendo isso; fale que você quer ajudá-lo.

– Ele diz que sou uma pessoa muito ruim, que destruí muitas famílias numa vida passada, portanto, causei muito sofrimento. Fala que eu vejo aquelas cenas de sofrimento e me sinto relaxada, aliviada. Isso é uma prova do quanto não tenho coração, que continuo ruim.(pausa).

– Eu não entendo, as cenas que visualizo antes de dormir realmente me fazem bem, mas me incomoda essa sensação de prazer que sinto.

– Pede para ele se identificar?

– Ele diz que me acompanha há duas vidas, isto é, desde que tirei a vida de seus familiares, envenenando-os. Diz ainda que gosta que eu sinta aquelas sensações que me dão prazer, ou seja, as cenas horríveis que vêm à minha cabeça, pois quer que eu fique louca, que eu mate alguém. A paciente revela que essas cenas horríveis de estupros, assassinatos, suicídios podem chocar as pessoas “normais”, mas a ela não, são cenas normais para ela; porém, diz que não gosta de sentir isso, que a incomoda não se condoer com essas cenas.

– O que você vê agora? – Pergunta Joshua.

– Vejo muita gente… são as pessoas que matei nessa vida passada, sinto tudo o que elas sentem.
Subitamente, a paciente desatou a chorar dizendo: – Sinto muito, me arrependo imensamente por tudo o que fiz a essas pessoas … não quero mais sentir essas coisas ruins, me perdoem, por favor! (paciente chora copiosamente).
O que posso fazer para ajudá-las? – Ela perguntou a seu obsessor espiritual.

Ele respondeu:
– Só o fato desse arrependimento que você agora está sentindo de coração, por si só irá melhorar a sua culpa, mas você precisa também ajudar às pessoas, fazer alguma coisa para amenizar o sofrimento alheio. (pausa). A paciente relata que agora estava vendo uma luz azul levando todas aquelas pessoas, e o seu obsessor espiritual lhe diz: ‘-Vou embora, mas estarei de olho em você para ver se realmente vai cumprir a sua parte. É uma chance que vou te dar’.

– Obrigada, muito obrigada, não vou decepcioná-lo, diz a paciente, chorando.

Depois de um tempo, recebemos o e-mail da paciente, dizendo que não estava mais vendo aquelas cenas ruins, e que se sentia muito feliz trabalhando como voluntária em uma maternidade.

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