Caso clínico: Carma familiar

espiritualidade-e-ecologiaVeio ao meu consultório uma jovem de 23 anos. Ela queria respostas, pois sentia que se não resolvesse sua vida teria o mesmo da mãe. A paciente assim me relatou:

Dr. Osvaldo, moro com os meus pais e uma irmã de 25 anos. Temos uma boa moradia, trabalhamos, e o único que não trabalha é o meu pai, por conta de um acidente de carro que o deixou inválido logo que eu nasci. Até aqui o senhor pode dizer que a minha vida é normal, no entanto, eu e minha irmã – quando estávamos firmes em nossos relacionamentos afetivos-, perdemos os noivos em acidentes de carro. Ela quando faltava um mês para o casamento.
Meu namorado perdeu a vida ao colidir seu carro com um caminhão quando estava vindo em minha casa para conhecer meus pais. Minha mãe confidenciou para minha irmã que ela tinha também perdido um noivo, antes de conhecer o meu pai. E esse noivo, apesar de não ter morrido, praticamente leva uma vida vegetativa hoje, pois não sabe quem somos e não fala com minha mãe. Ela toma conta dele como se fosse uma criança.
Não quero acreditar que somos amaldiçoadas, como disse a minha avó, mãe do meu pai! Não sei, Dr. Osvaldo, sinto minha mãe um pouco confusa, vejo medo nos olhos dela quando a gente está namorando, minha irmã está depressiva, não quer sair de casa. Eu quero ajudá-la e também me ajudar, quero entender, fico me perguntando como fazer para que ninguém mais sofra…
Será que eu e minha irmã teremos o mesmo fim da minha mãe? Será que temos uma ‘maldição’? Não sei, estou muito confusa.

Após o relato da paciente, sugeri que não só ela, mas que também sua irmã, ambas, fizessem o tratamento: uma comigo e a outra com o outro terapeuta, o Joshua.

Marcamos a primeira sessão já para o dia seguinte e, para o nosso espanto, as duas retrataram o mesmo conteúdo nas sessões de regressão. Ou seja, ao descerem as escadas (recurso técnico que sempre utilizamos nessa terapia para que o paciente possa aprofundar em seu relaxamento), as duas viram mulheres com vestes pretas da cabeça aos pés, com capuz. Eram mulheres bonitas, feiticeiras, e elas acreditavam que os homens só serviam para a reprodução. Por isso, os matavam e alguns de seus órgãos -como o coração- eram comidos por elas. Muitos homens se apaixonaram por elas chegando a largarem tudo, inclusive suas famílias, para segui-las. Porém, quando os tinham em suas mãos, após o ato sexual, os matavam.

Nesta sessão, apareceram também os mentores espirituais de cada uma, que as levaram para um outro lugar (trevas) onde viram alguns dos homens que elas tinham matado: havia ódio e revolta nos olhos deles. Eles disseram que elas (as irmãs) não teriam paz, e que qualquer homem com que elas tivessem um envolvimento mais sério, iria morrer. Descobriram também que a mãe delas da vida atual era uma daquelas mulheres feiticeiras da vida pretérita. Ela era a líder do grupo.

Os mentores das duas pediram para que elas dessem continuidade no tratamento num outro dia e deram 10 dias para que fizessem juntas com a mãe a oração do perdão para aqueles seres que estavam nas trevas, seus obsessores espirituais.

Após os 10 dias, as irmãs voltaram para a segunda sessão de regressão: eu fiquei com uma paciente e o Joshua com a outra irmã e nesse dia, a mãe veio para acompanhar. A mesma história se repetiu com as duas, ou seja, ambas trouxeram o mesmo conteúdo da primeira sessão de regressão. Após ouvir o relato de uma das filhas do que fizeram na vida passada, a mãe arrependida ajoelhou-se na minha sala, chorando copiosamente.

Ela, então, pediu perdão aos obsessores espirituais para que as filhas fossem poupadas, já que com ela não havia como reverter, mas que com as filhas fosse diferente, pois eram boas pessoas e estavam ali também para pedirem perdão. Emocionados, começamos a orar baixinho e, então, um daqueles seres disse que todos iriam embora, que iriam deixá-las em paz, pois realmente sentiram sinceridade no perdão. Porém, pediu para que as duas irmãs adotassem uma criança com algum problema de doença para sentirem o que elas fizeram com eles, bem como com os seus familiares.

Assim, ficou acertado com esses seres obsessores, que eles não mais iriam tirar as vidas de seus eventuais parceiros, mas que elas teriam que adotar uma criança.

Ao término das sessões, mãe e filhas se abraçaram, chorando muito, e agradeceram aos seus mentores, bem como aos obsessores espirituais.

Foto: reprodução

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