Caso clínico: Síndrome do Pânico e Fibromialgia

perda-de-um-filhoMulher de 59 anos, casada e um casal de filhos

Ela veio ao meu consultório para resolver seus principais problemas que eram a Síndrome de Pânico e a Fibromialgia (dores pelo corpo todo). Era também muito ansiosa, impaciente, preocupada, sofria por antecipação, e tudo que começava não concluía, pois desistia. Quando era criança – aos 4 anos – sofreu uma queimadura grave ao brincar com fogo(ela teve como sequela uma cicatriz grande no abdome).

Outro problema que a incomodava era sua preocupação com o filho, excesso de zelo, por medo de perdê-lo, o que não ocorria com sua outra filha. Em relação ao seu marido, era muito ciumenta e isso estava prejudicando o relacionamento do casal.  Queria entender também por que engordava com muita facilidade, apesar de ter uma alimentação bem regrada, Por fim, queria saber por que sofria de fobia social(medo de falar, de se expor em público), transpirava em excesso – isso a incomodava muito – ao dar uma palestra e tinha lapsos de memória, não lembrava o que tinha que falar.

Após ter passado por duas sessões de regressão, na terceira e última sessão, ela me relatou: “Vejo uma paisagem bonita, é um campo, com muitas árvores, gramados, flores coloridas, é um ambiente bem alegre… É uma vida passada. Uso um vestido azul, calço uma sandália bem leve, sou jovem, devo ter uns 26 anos. Estou em minha casa que é simples, porém, bem confortável, tem um pomar, lugar bom, gostoso, com muitas flores”.

– Você mora com quem? – Pergunto à paciente.
“Moro nessa casa, desde que nasci, meus pais faleceram, casei e espero o meu marido chegar. Mas ele demora, há rumores de uma guerra, estamos preocupados, pois vamos ter que abandonar a nossa casa e fugir. (pausa). O inverno está chegando, gosto muito de meu pomar, das flores, mas agora deixamos tudo para trás. Fomos pegos fugindo, estamos com medo. Para ficar alegre, penso sempre nas minhas flores, em minha casa. Meu marido não está mais comigo, fomos separados, estou numa fazenda junto com outras pessoas, somos prisioneiros.

Vamos ser levados de trem para algum lugar que não sei onde fica. Meu marido era judeu e eu francesa…Vem à mente Belle, era o meu nome. É muita gente, estamos todos juntos agora num alojamento…Acho que vamos morrer. Estamos na Segunda Guerra Mundial, o ano é 1943.  Sinto um odor insuportável, pois estamos amontoados nesse alojamento e faz tempo que a gente não toma banho. Quero ir embora, não quero ficar aqui. Não sei onde está o meu marido (paciente fala chorando).

Falo para os soldados nazistas que sou francesa, mas eles me dizem: – Onde se viu uma francesa casar com um judeu?
Eles descobriram que estou grávida, vão me levar para um hospital, não sei onde fica. Eles me fazem de cobaia, querem fazer testes, experimentos – eles me dão choque (eletro-choques) para ver como o meu bebê reage em minha barriga. (pausa).

Saí de uma mesa onde estava deitada, aproveitei um descuido dos médicos e fujo pelos corredores. Vejo os médicos, enfermeiras e soldados correndo atrás de mim e acabam me pegando. Estou sempre tentando fugir, mas agora estou mais fraca de tantas experiências que fazem comigo. Só penso em fugir, não suporto mais as dores que sinto pelo corpo todo, eles me dão eletro-choques, injeções, fazem cheirar alguns líquidos, desmaio muito, e fico pensando: – Onde está Deus que vê tudo isso e não faz nada?

Fujo novamente, descalça, piso na grama que está úmida, a neve acabou. Estou cansada, há enfermeiras e soldados armados me perseguindo… Eu já perdi o meu bebê(fala chorando muito). Corro, corro, mas não tem onde me esconder…Ai, levei um tiro pelas costas! (grita chorando). Caí de bruços no chão, sinto o cheiro de terra molhada e lembro de minhas flores, do meu pomar. Odeio os soldados nazistas e penso: – Que mundo é esse que não respeita o ser humano? Eles me jogam numa vala ainda viva, jogam terra em cima de mim e dão risada. Morri com muito ódio!(grita chorando, desesperada).

Vou perseguir todos, vou me vingar, mas até para vingar estou cansada. Que absurdo!
Eu já morri, mas continuo cansada, penso então que é melhor dormir, que é tudo um sonho.
Fico me perguntando: – Será que morri mesmo?! Não consigo me vingar…Parece que já estou viva de novo, como pode?!”.

– Onde você está? – Pergunto à paciente.
“Nossa! Estou num berço, sou agora um nenê, uma menina, mas quero voltar para o meu país, não queria esta aqui. Dormi só um pouquinho e agora estou num berço como nenê? Como pode?! Estava no ano de 1943 e era francesa… Agora estou aqui nesse berço, não estou nada contente com isso! Nem sei o que aconteceu com o meu marido. Agora me vejo crescendo nesse berço, não queria voltar, estava dormindo. Saí de uma situação difícil e estou aqui de novo, reencarnei de novo. Isso é um castigo!(paciente fala chorando).

Vejo os meus pais de hoje…É a vida atual! A minha última encarnação anterior a atual foi aquela que vivi na Segunda Guerra Mundial onde morava na Polônia”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual por que ele lhe mostrou essa vida passada?
“Eles dizem… são seres de luz, que não posso ver, conversar com o meu mentor espiritual porque vou querer ir embora logo, desencarnar, mas que ainda não é hora, pois não aprendi a ser paciente. Falam que vim na vida atual para exercitar a paciência porque sou muito ansiosa”.

– Pergunte a esses seres de luz de onde vem a sua Síndrome do Pânico?
“Esclarecem que vem da forma como morri nessa vida passada, onde levei um tiro nas costas, estava apavorada, sendo perseguida, e me enterraram ainda viva numa valeta. Mas me asseguram que vou superar esse trauma porque agora tomei consciência da causa de meu problema, que vou me curar. Pedem para não me preocupar”.

“Pergunte-lhes de onde vem sua excessiva ansiedade e impaciência?
“Revelam que vem também dessa existência passada em que eu e o meu marido fazíamos planos para fugir dos nazistas”.

– Por que aconteceu aquele acidente com fogo na vida atual quando você era criança e sofreu graves queimaduras?
“Falam que eu era teimosa, mas que aquele acidente me fez resgatar algumas dívidas cármicas que contraí numa outra vida, relacionadas com minha beleza física. Nessa vida passada, não respeitei as famílias, enganava os homens, eu os fazia deixar suas famílias para ficar comigo. Procurava seduzi-los usando minha beleza física e depois os abandonava”. (pausa).

– Pergunte-lhes como você pode melhorar o relacionamento com seu marido?
“Ele dizem que estamos indo bem, que tudo o que a gente vem passando faz parte de nosso aprendizado, crescimento, para que possamos um respeitar o outro. Dizem também que foi o meu marido de hoje que indiretamente colaborou naquela vida passada para eu usar a minha beleza e destruir lares, fazendo com que os maridos abandonassem suas famílias. Ele me usava sexualmente, me enganava com promessas. Ele me tirou de minha família, contou muitas mentiras dizendo que iria casar comigo, mas não fez isso, acabou me abandonando. Na verdade, ele era casado, e só vim a descobrir isso depois. Revoltada, passei a seduzir os homens casados, todos que pudesse, desde que fossem ricos”.

– Por que tudo que você começa, não termina, desiste?
“Falam que isso ocorre justamente pela minha impaciência, e que por isso, preciso aprender, exercitar a paciência na vida atual. Mesmo nessa terapia, a TRE, após ter feito a primeira sessão de regressão, pensei em desistir, não fazer mais as sessões restantes. Não tenho paciência de chegar até o fim, e se encontrar alguma dificuldade é pior ainda, já desisto de imediato”.

– De onde vem sua fobia social e de transpirar em excesso quando você dá uma palestra?
“Falam que naquele hospital nazista, como cobaia, eu transpirava muito por sentir medo na frente dos médicos, enfermeiras e soldados armados. O suor escorria e me sentia pegajosa, por isso hoje me incomoda quando transpiro ao falar em público”.

– Por que você engorda com facilidade?
“Afirmam que está relacionada àquela vida que usava minha beleza para seduzir os homens casados. É também um resgate cármico para não me deixar levar novamente pela ilusão da beleza física, mas me asseguram que daqui para frente vou começar a emagrecer naturalmente”.

– E a questão do lapso de memória quando você dá uma palestra?
“Eles me tranqüilizam dizendo que agora tudo vai ficar bem, pois minha ansiedade irá diminuir após essa terapia”.

– De onde vem sua fibromialgia, as dores no corpo?
“Esclarecem que está relacionada àquela vida no hospital nazista onde sofri, senti muitas dores, pois fui judiada, maltratada, levei eletro-choques e injeções – falam que foram muitas pelo corpo todo”.

– O que eles têm a lhe dizer de sua preocupação excessiva pelo seu filho, o medo de perdê-lo?
“Revelam que o filho que perdi naquele hospital nazista era o meu filho de hoje. Mas me asseguram que vou superar esse medo, pois agora soube da verdade. Falam que a verdade sempre liberta como dizia o mestre Jesus(“Conhecereis a Verdade, que a Verdade Vos Libertarás”).

Eles finalizam dizendo que estão dando por encerrado essa terapia, estão parabenizando o senhor como facilitador, mediador desse tratamento”.

Foto: reprodução

Anúncios