Caso Clínico: Desvirtuando-se do seu verdadeiro caminho.

Homem de 36 anos, casado, uma filha.

suicídioO paciente foi trazido por sua mãe ao meu consultório, pois não tinha muita certeza que queria passar por essa terapia. Por insistência dela, ele acabou concordando em vir. Ele me disse na entrevista de avaliação (sua mãe estava presente), que o seu irmão o perseguia e que em novembro de 2010 o trancou por fora em uma sala (seu escritório onde estava trabalhando à noite) e caiu na gargalhada ao lhe contar o que fizera, e lhe disse ainda que da próxima vez iria atear fogo em seu escritório.

O paciente relatou que depois que o irmão se tornou usuário de drogas, o vem ameaçando, tornando-se bastante violento também com a família, tendo muita inveja de seu sucesso profissional e financeiro (seu irmão não conseguiu se desenvolver profissionalmente e dependia ainda financeiramente dos pais). Por conta das agressões, desentendimentos e ameaças do irmão (ele andava com uma arma no porta-luva de seu carro), resolveu cortar as relações com ele (há mais de 10 anos que não se conversavam).

Após passar por duas sessões de regressão, na terceira e última sessão, ele me relatou: “Vejo o rosto de um menino, deve ter uns 10 anos. Tem uma fisionomia boa, bem tranqüila”. (pausa).

– Pergunte quem é ele…
“Diz que é o meu mentor espiritual, revela que venho tentando buscar um caminho que não é o que vim trilhar na encarnação atual… Entendi que estou me desvirtuando do meu verdadeiro caminho”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual qual é o seu verdadeiro caminho…
“Ele diz que o caminho seria uma busca, um aprimoramento mais espiritual, mais profundo, e que venho deixando de lado ao longo dos anos”.

– Pergunte-lhe qual seria esse caminho espiritual mais profundo…
“Seria realmente a busca do aprofundamento do conhecimento da espiritualidade, pois afirma que já vim na encarnação atual com uma bagagem espiritual boa. Mas, em vez de seguir nesse aprofundamento espiritual, deixei de lado. Ele diz que dei as costas para a espiritualidade e que no fundo me incomoda deixar de lado o meu aprimoramento espiritual”.

– Pergunte se ele tem algo a lhe dizer de seu irmão…
“Diz que o meu irmão no fundo gosta de mim, e que de certo modo me vê como um espelho”.

– Mas o que o leva então a te perseguir?
“Ele diz que o meu irmão, como me vê como um espelho, e não consegue ser como sou, tem vontade de quebrar essa imagem. Eu o incomodo porque ele não consegue ser como sou”.

– Pergunte-lhe se o seu irmão tem alguma interferência espiritual obsessora?
“Diz que tem, e essa interferência faz com que ele seja agressivo não só comigo, mas com a nossa família e também com os outros”.

– O que você poderia fazer para ajudá-lo?
“Diz que deveria tentar uma reaproximação, e que, num primeiro momento, ele pode ter uma reação negativa, até mesmo explosiva, mas que devo fazer isso. Diz ainda, que eu deveria ajudá-lo, colaborar com os planos que ele tem no lado profissional. Meu o mentor espiritual afirma, que enquanto ele não resolver o sentimento de inferioridade que nutre por mim, o nosso relacionamento vai continuar conturbado porque isso o incomoda”.

– E como você pode quebrar esse sentimento de inferioridade que ele nutre por você?
“Fala que o primeiro passo é procurá-lo, reaproximar-me dele porque ele acha que o meu distanciamento é uma forma de me esnobar dele. Então, essas ameaças que ele me faz é uma reação por achar que estou me esnobando”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual como você pode ajudá-lo em relação à influência que ele sofre do obsessor espiritual…
“Diz que diretamente não tenho condições de ajudá-lo, mas depois dessa reaproximação, vou poder conversar com ele para que procure ajuda”.

– Que tipo de ajuda?
“Diz que o ideal seria tentar essa reaproximação dentro do núcleo familiar porque ele se sentiria acolhido, pois todos se afastaram dele. O fato dele estar isolado da família o deixa mais vulnerável à interferência espiritual. Desta forma, a família funcionaria como um escudo protetor porque ele se sente desamparado. Mas reafirma que é eu que teria que fazer esse primeiro contato com ele para depois a família se reaproximar dele. Diz que pelo fato dele se incomodar mais comigo, seria mais impactante para ele depois se reaproximar de nossa família”.

– O que você teria que fazer para dar prosseguimento no aprofundamento espiritual?
“Diz que primeiro preciso estar disposto a me abrir realmente à espiritualidade. O conflito com o meu irmão colaborou para minha vinda ao consultório e, com isso, me abrisse para a espiritualidade”.

– Pergunte se o seu mentor espiritual tem mais algo a lhe dizer…
“Diz que essa situação com o meu irmão vai se resolver, para não me preocupar”.

– Pergunte-lhe se você terá que voltar à essa terapia…
“Diz que sim, mas não mais para tratar da questão do meu irmão, e sim de um outro assunto”.

– Como você saberá o momento certo para voltar à essa terapia?
“Na medida que for me abrindo e aprofundando na questão da espiritualidade, saberei o momento certo para vir”.

– Pergunte qual é o nome de seu mentor espiritual…
Diz que é Rodrigo. Pede para que eu inicie com as leituras, um aprofundamento sobre o tema da espiritualidade. Afirma que a leitura irá despertar a minha curiosidade, vontade, e que me levará a outras formas de conhecimento (pausa).
Eu lhe perguntei se nós já estivemos juntos numa existência passada. Diz que sim, que ele já foi o meu filho numa vida pretérita”.

Foto: reprodução

Anúncios