Caso clínico: Síndrome do Pânico e Agorafobia

Mulher de 29 anos, solteira.

cl_31058A paciente veio ao consultório com a seguinte queixa: Tenho muito medo, medo até de sentir medo. Por isso, não ando mais só, pois posso ter uma crise de pânico e não ter ninguém para me ajudar. Não tenho muito o que dizer, só sei que esse medo me acompanha desde o dia em que quase fui violentada pelo meu vizinho: eu tinha 9 anos… só não aconteceu porque o filho dele de 11 anos nos viu e gritou. Então, ele me dizia que se contasse pra alguém me mataria, colocaria um saco plástico em minha cabeça, e eu morreria sem ar.

Até hoje tenho essa sensação de não conseguir respirar. Essa tentativa de abuso sexual ainda me atormenta, apesar de ter passado 20 anos. Hoje, com 29 anos, dependo ainda dos meus pais, não consigo trabalhar, fazer nada sozinha. Então, resolvi, com a ajuda de minha família, fazer a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva)- A Terapia do Mentor Espiritual para entender o porquê de tudo isso.

A paciente, acompanhada de seus pais, veio então se submeter a primeira sessão e me relatou o seguinte: Estou correndo, parece que fujo de alguém ou de alguma coisa… Não consigo identificar, está muito escuro e sinto muito frio. Meus pés doem, parece que estão cortados, sinto muita dor, meu corpo todo dói. Escuto passos, tem alguém correndo atrás de mim, estou cansada, não aguento mais….

Ela não conseguiu trazer mais nada nessa sessão, pois, devido ao seu medo, não quis mais continuar a sessão de regressão. Desta forma, marcamos, então, para a semana seguinte sua segunda sessão. Nesta sessão, ela trouxe novamente a sensação de estar sendo perseguida, porém, a paciente viu algo diferente: uma mulher de manto azul, sua mentora espiritual, que com os olhos dizia para que ela confiasse, e que deixasse a experiência traumática de seu passado vir para que pudesse se livrar definitivamente de seu problema.

Após o relaxamento progressivo, assim ela me relatou nessa sessão de regressão: “Não aguento mais correr, estou fraca… Eu me vejo desmaiando e um homem me pega e me arrasta. Ele me mantém presa, tem uma barba muito grande e diz de forma autoritária que eu tinha que seguir o que ele dizia. Na verdade, ele é o meu pai dessa vida passada… Vejo mais dois homens, são meus irmãos, e uma mulher, minha mãe. Não entendo bem, vivíamos isolados, éramos somente nós ali. Meu pai era muito violento, batia sempre na gente e, minha mãe, de tanto levar tapa dele, acabou ficando surda. Por isso, eu tinha muito medo dele.

Numa noite, meus dois irmãos fugiram… e acordei com o meu pai espancando a minha mãe e a mim. Foi horrível! Disse pra minha mãe que precisávamos matá-lo, senão ele nos mataria. Como ele bebia, às vezes, desmaiava de tanto beber. Então, num desses dias que ele tinha bebido e estava dormindo profundamente, abri sua boca e coloquei um pano dentro e, em seguida, o asfixiei com um saco. Ele acabou morrendo. Eu matei aquele pai desgraçado! (paciente fala com ódio). (pausa).

Estou sentindo… Ele está aqui no consultório, em espírito. Dr. Osvaldo, intuo que é ele que fez aquele vizinho querer me abusar sexualmente, por isso, o vizinho dizia que me mataria com o saco plástico… É ele que me amedronta desde que eu tinha nove anos.

A mulher de manto azul, a minha mentora espiritual, era a minha mãe daquela vida passada. Ela diz que eu tenho que perdoá-lo, mas eu lhe digo que foi ele que fez mal a mim e a minha família… Desgraçado, bêbado nojento! (pausa). A minha mentora me diz que se eu não perdoá-lo, ele não irá embora de minha vida. Não acho justo isso, Dr. Osvaldo!”

A paciente não conseguia perdoar seu obsessor espiritual, seu pai daquela vida passada. Mas como faltava ainda a última sessão, pedi que ela fizesse a oração do perdão para ele (essa oração, impressa num papel, entrego sempre para os meus pacientes no final da sessão, após conversarem com o seu obsessor espiritual), e quando sentisse que estava pronta, voltasse para a sua última sessão.

Nesse intervalo de tempo, ela me mandou um e-mail dizendo que suas crises de pânico se intensificaram e, por isso, alegou que não conseguia fazer a oração do perdão. Seus pais que acompanharam às sessões de regressão pediram também para que ela pedisse perdão para aquele ser espiritual, pois assim ela poderia ter sua vida de volta. Mas a paciente estava irredutível.

Ao voltar ao meu consultório para fazer a última sessão, depois de passados 30 dias da segunda sessão, por estar sofrendo muito por causa das crises de pânico, finalmente, entendeu o que precisava fazer… E, assim, quando pediu perdão do fundo de seu coração para o seu obsessor, sua mentora espiritual o levou para a luz. Desde então, ela me enviou outro e-mail me informando, bastante feliz, que nunca mais sentira as crises de pânico.

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