Caso Clínico: Remédios Controlados

Veio ao meu consultório uma mulher de 38 anos, casada, que assim me relatou:

“Tomo vários tipos de remédios controlados, tenho medo de tudo, principalmente, de sair na rua; os remédios alteram o meu estado de humor, fico extremamente irritada, nervosa e muito inchada; tenho dores fortíssimas no estômago e nas pernas; tomo também calmante, pois não consigo dormir, e tenho muitos pesadelos.

Dr. Osvaldo, não aguento mais, pareço um zumbi, não faço nada que uma pessoa normal faz: não saio sozinha, não dirijo, parei de trabalhar e estudar, fico em casa isolada em meu quarto, não tenho amigos, e o meu marido já não agüenta mais. Tomo remédio desde que completei 25 anos; estava na faculdade de arquitetura quando a primeira crise de pânico veio e desde então vivo assim”.

Na primeira sessão, a paciente sentiu muito frio, via tudo escuro, não conseguia se concentrar (acredito que os remédios a deixavam confusa). Na segunda sessão, ela estava menos ansiosa, porém, mais tranquila, dizia que queria acabar com o seu tormento, e acreditava que iria conseguir se curar (quando pensava assim, era ela em seu íntimo, sem a interferência dos remédios).

Assim ela me relatou: “Vejo uma mulher toda coberta… Não consigo vê-la direito. Ela anda de um lado para outro sem parar, parece desequilibrada… Estou sentindo frio novamente (a paciente estava sentindo frio, por sentir o campo vibracional dessa mulher que era um ser das trevas – uma região gélida)”.

– Pergunte para essa mulher quem é ela, e o que ela quer – Peço à paciente.
“Essa mulher está levantando um véu preto, pede para olhar para ela, para ver o que fiz com ela… Tenho medo de olhar, Dr. Osvaldo, não quero! (paciente começa a chorar, cobrindo o rosto com as mãos)”. (pausa).

Peço para a paciente não ter medo, pois ela tem a proteção, o amparo da espiritualidade, e que é necessário saber a verdade, pois sabendo a verdade irá se libertar e viver uma vida melhor. Paciente se acalma e pergunta: – Moça, quem é você? O que eu fiz pra você? Seja o que for que lhe fiz me perdoe, por favor! (pausa).
Dr. Osvaldo, a mulher está indo embora, não quer mais falar comigo” (fala chorando).

– Calma, temos ainda outra sessão – Digo a ela.
No final dessa sessão, pedi para que a paciente fizesse a oração do perdão de coração, irradiando a luz dourada de Cristo para aquela mulher.Na terceira e última sessão, ela veio muito mais segura e decidida:

“Vejo aquela mulher do véu novamente, ela já não anda de um lado para outro, está mais serena… Ela pede a minha mão e fala que quer me mostrar algo… Tenho medo de ir, mas preciso acabar com isso. Dou a minha mão… Agora me vejo em uma casa -numa vida passada- com algumas crianças, umas três crianças, e uma delas não é minha filha, e sim do meu marido com a esposa dele que morreu; ao me casar com ele tive que aceitar essa criança.

Eu a maltratava muito, não gostava dela e tinha muitos ciúmes, pois meu marido dava muita atenção a ela para compensar a ausência de sua mãe. Eu pensava: -Por que ela não morreu também? Então, comecei a envenená-la, dando remédios fortes para ela dormir. Meu marido era médico, então, eu tinha acesso a esses remédios; a menina passava o dia todo dormindo, fazia todas as suas necessidades na cama, e não comia. O pai acabou levando-a para o hospital, de onde ela não mais saiu, pois a quantidade de remédios que eu lhe dei a deixou com sequelas. Meu Deus, como consegui fazer uma coisa tão monstruosa assim? Que horrível, meu Deus!! (fala chorando). (pausa). A mulher do véu está me dizendo que ela era a mãe daquela menina. Diz que está fazendo comigo o que fiz com a filha dela naquela vida passada.

Ela me fala chorando: – Como você pôde ser tão cruel?!
Estou pedindo perdão do fundo do meu coração para as duas, e desta vez, se eu puder ter novamente a oportunidade de tê-la em meus braços como filha, eu vou aceitar, pois será uma forma de mostrar o quanto estou arrependida e reparar o que fiz com ela (fala chorando copiosamente). (pausa).

A mãe da menina já não está mais no escuro e não sinto mais aquele frio… Ela está indo embora em direção a uma luz clara, enorme. (pausa). Dr. Osvaldo, vejo um senhor usando uma túnica branca… Diz que é o meu mentor espiritual. Fala que aquela menina a quem prejudiquei no passado, ainda irá vir como minha filha, e que só assim minha vida irá mudar.  Agora ele diz que tem que ir, pede para ficar em paz, não me preocupar, que tudo vai dar certo, mas em seu devido tempo. Está indo embora”…

Dois anos após o término da terapia, a paciente me enviou um e-mail dizendo o seguinte:
“Dr. Osvaldo, não sei se o senhor lembra do meu caso, pois estive em seu consultório há dois anos, mas o meu mentor espiritual havia me dito em nossa última sessão que a menina a quem prejudiquei na vida passada iria vir como minha filha.  Pois bem, ele se comunicou comigo em sonho falando que eu precisava adotar uma criança porque ela não iria vir como minha filha biológica. Não hesitei, conversei com o meu marido e acabamos adotando uma menininha linda; estamos muito felizes. Por incrível que pareça, depois da adoção, os meus medos desapareceram, não precisei mais tomar todos aqueles remédios, estou dormindo muito bem e não tenho mais pesadelos. Quero agradecer de coração a Deus, ao meu mentor espiritual e ao senhor por essa bênção que obtive nesse tratamento. Muito obrigada, que Deus ilumine o seu caminho, e que possa ainda ajudar muitas pessoas necessitadas”.

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