Caso Clínico: Por que sinto angústia, um vazio, que a vida não tem sentido?

Mulher de 50 anos, casada, dois filhos.

adolesPaciente veio ao meu consultório se queixando que sentia uma angústia, aperto no peito (desde os 12 anos), um vazio, sensação de que a vida não tinha sentido. Por isso, tinha que fazer um grande esforço para viver.

Sofria de claustrofobia (pavor de lugares fechados), síndrome de pânico (quando ficava longe de sua família), agorafobia (pavor de andar na rua, por conta do medo de sofrer uma crise de pânico e não ser socorrida).

Sofria também de dores constantes nas costas, labirintite, não se sentia uma boa mãe, apesar de sua preocupação excessiva de perder o filho mais velho e, por último, queria saber qual era o seu verdadeiro caminho profissional.

Ao regredir, a paciente me relatou:
“Vejo um senhor idoso, barba e cabelos grisalhos, usa uma túnica branca… Ele fala que o seu nome é Horácio, e que é o meu mentor espiritual. Vejo também ao seu lado, aqui no consultório, vultos escuros… um deles parece ser um rapaz e me chama de mãe (paciente fala chorando).

Ele me diz: ‘Foi muito triste a gente perder a senhora, mãe. A senhora se foi… e não voltou mais’. (pausa)”.

– Pergunte a esse ser espiritual o que aconteceu para você não voltar mais – peço à paciente.

“A senhora, nessa vida passada, trabalhava como doméstica em uma casa grande e rica, e só voltava para nosso lar a cada vinte dias. Não tínhamos o pai porque ele veio a morrer de pneumonia. Então, a senhora teve que trabalhar para nos sustentar, pois éramos cinco filhos, todos pequenos, e eu era o mais velho, tinha 9 anos.

Tenho muita saudade da senhora, pois fomos parar num orfanato e depois separados. A senhora não voltou mais para casa, ficamos esperando, esperando… e ficamos sem comida. A senhora dizia para não sairmos, pois tinha medo de acontecer algo de ruim com a gente.

Fazia muito frio, acabei saindo na rua e falei com uma senhora que nos ajudou, dando comida, mas ela chamou a polícia. Fomos para um orfanato, fora da cidade.

Nunca mais vimos a senhora, só a encontramos agora nessa vida atual. Ficamos sabendo, após o nosso desencarne, que a senhora tinha adoecido e que o seu patrão a internou no hospital porque tinha contraído pneumonia. A senhora não morreu porque era muito forte e quando voltou para casa, não nos encontrou, ficou desesperada. Não tínhamos recursos, pois éramos pobres, tudo era muito difícil nessa vida. (pausa).

O meu mentor espiritual está me dizendo que, por conta dessa existência passada, vim na vida atual sem alegria, angustiada, triste, com um vazio interior porque nunca mais vi os meus filhos (paciente fala chorando)”. (pausa).

– Pergunte ao seu filho mais velho dessa vida passada se ele gostaria de lhe dizer mais alguma coisa – peço à paciente.

“Ele diz que queria que eu lembrasse dessa história, pois eles não querem me ver mais triste. Eles sabem que eu não voltei para casa de propósito, mas que foi uma fatalidade do destino. Querem que eu sorria, que fique alegre, para que eles possam ir para a luz. Ele pedem para eu voltar a sorrir, pois não querem mais me ver triste (paciente fala, chorando muito).

O meu mentor espiritual me revela que eu sempre fui uma mãe dedicada nessa existência passada e também na atual, e que essa ideia que não sou uma boa mãe vem dessa vida em que senti muito culpada pelo desaparecimento desses filhos; isso explica também porque na vida atual tenho tanto pavor de perder o meu filho mais velho, pois transferi o sentimento de perda desse filho mais velho da vida passada, pois era muito apegado a ele.

Horácio, o meu mentor espiritual, revela ainda que os meus filhos dessa vida pretérita virão como meus netos, e que irei reconhecê-los. A minha claustrofobia, a dor nas costas, crises de labirintite e de pânico, ele diz que vêm de uma outra vida em que fiquei presa como escrava, onde fui acorrentada. Revela que essa vida foi após aquela em que perdi os meus filhos e que acabei ficando louca, vindo a falecer.

Horácio fala que é por isso que quando vêm as crises de pânico e agorafobia tenho medo de enlouquecer e vir a morrer sozinha, desamparada, pois foi dessa forma que morri naquela vida. Fala ainda que ele é o meu falecido marido que morreu de pneumonia, e que me deixou viúva com cinco filhos (paciente fala chorando).

Mas diz que, agora, o meu caminho profissional se abrirá, e que como terapeuta se puder associar o lado espiritual com a prática do Reiki, será um bom caminho. Ele finaliza dizendo que, após ter entrado em contato com a verdade de meu passado (o mestre Jesus dizia: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”), vou me perdoar, pois não tive culpa pela perda de nossos filhos.

Está agora se despedindo, junto com os meus filhos, indo em direção a uma Luz maior”.

Foto: Reprodução

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