Caso Clínico: Por que tenho medo de tomar as rédeas de minha vida?

images (5)Mulher de 29 anos, solteira.

A paciente veio ao meu consultório dizendo que tinha muito medo de tomar as rédeas de sua vida, pois não conseguia concretizar o que queria. Ou seja, cultivava o hábito de deixar para a última hora o que precisava fazer, além de acordar com muito sono, desvitalizada, cansada. Não conseguia também estabelecer uma rotina de trabalho, faltava disciplina e organização; com isso, não cumpria com os seus deveres. Não conseguia também demonstrar afeto, carinho, pois não confiava, não se abria com sua mãe e irmã. Por fim, estava confusa, não tinha certeza de qual era o seu verdadeiro caminho profissional (trabalhava em designer gráfico).

Após passar pela primeira sessão de regressão, na segunda sessão, assim me relatou: “Vejo um vulto escuro (os seres espirituais das trevas se manifestam normalmente em forma de vulto escuro ou como uma sombra)… Sinto que ele é um homem, e está me observando. (pausa). Ele pega nas minhas mãos… A gente toca levemente as mãos, que estão espalmadas. (pausa)”.

– Pergunte a esse ser espiritual o que houve entre vocês na existência passada?
Ele diz que em várias encarnações fomos amantes e irmãos. Diz ainda que sente muita saudade, e que me acompanha há vários anos. Fala que está sempre comigo, que não quer me fazer mal, mas que tem medo.

– Medo do quê?
De ficar sozinho, ele me responde.

– Pergunte por que ele tem medo de ficar sozinho?
Porque vai sentir um vazio. Fala que eu não gostava dele, pois o rejeitava nas vidas passadas, e que hoje queria vir como meu filho, mas que não deixei, pois novamente o rejeitei, abortando-o (na entrevista inicial de avaliação, a paciente me disse que havia praticado um aborto). Fala ainda que queria vir como meu filho para que pudesse cuidar dele, amá-lo. (pausa).

– Você quer dizer algo para ele? – Peço ao paciente.
“Eu sinto muito (paciente fala chorando). (pausa). Ele está muito triste, afirma que a única coisa que queria era que o amasse. Fala que o rejeito o tempo inteiro, mantendo-o afastado de mim. Por isso, diz que por sentir muito frio, quer sempre ficar perto de mim”.

– Pergunte se ele quer pedir ajuda, se quer ir para a luz?
“Diz que quer ficar comigo… Está em dúvida”.

– Vamos fazer juntos a oração do perdão, mandando luz para ele, a luz dourada de Cristo – Peço à paciente. (pausa).
“Ele quer se despedir (paciente fala chorando). Fala que cada um vai seguir o seu caminho, e quem sabe um dia a gente vai se encontrar. Diz que sabe que apesar do apego que tinha por mim e de rejeitá-lo, de alguma forma eu estava ligado a ele. Mas que agora está sentindo o calor do sol”.

– Você quer dizer algo para ele, antes dele ir para a luz?
“Quero lhe dizer que o amo também, e que vou orar por ele. (pausa). Ele diz que agora não está mais se sentindo só porque há dois seres de luz com ele, e que vão levá-lo para a luz…Está agora indo embora. (pausa).
Agora há um outro ser espiritual comigo… É uma mulher, ela coloca a mão no meu ombro me dando apoio. Ela me diz: – Você sabe o que tem que fazer em relação ao seu trabalho. As oportunidades vão aparecer e saberá o que fazer.

– Pede para ela se identificar – Peço à paciente.
“Diz que é uma grande amiga, que é a minha mentora espiritual, e o nome dela é Gabriela”.
Na terceira e última sessão, a paciente me relatou: “Estou dentro de uma biblioteca. Ela é muito grande, antiga… Parece que tem alguém me chamando… É a Gabriela, a minha mentora espiritual. Ela fala que quer me mostrar uma coisa. (pausa).

Ela está me mostrando um livro. Ele é branco, muito grande Ela fala que é o livro de minha vida, e diz que todos os livros que estão aqui nessa biblioteca já foram escritos, e que agora tenho um em branco para escrever daqui para frente sobre os acontecimentos da minha vida atual. Afirma que todos esses conhecimentos escritos nesses livros não valem nada porque estão guardados, não estão sendo utilizados.

Na verdade, todos esses conhecimentos que adquiri em várias encarnações estão dentro de mim, em minha memória periespiritual (é a memória do corpo espiritual). Diz que daqui para frente, preciso abraçar esse livro em branco, e começar a reescrever a minha vida. Diz ainda que não preciso ter medo das coisas ruins da vida, que elas também são aprendizados”.

– Pergunte à sua mentora espiritual qual o seu verdadeiro caminho profissional?
“Sem dúvida, é o que estou fazendo atualmente, ela me responde. Mas preciso me organizar melhor, e que isso também faz parte de meu aprendizado nessa encarnação. Ela pede para organizar a minha vida como num livro, e que quando fizer isso vou sentir o que é ser livre, uma pessoa autônoma. Pede também para não ter medo de errar, pois isso faz parte da vida terrena”.

– Pergunte-lhe por que você tem medo de tomar as rédeas de sua vida?
“É porque já prejudiquei muita gente numa existência passada, inclusive a mim mesma, pois abusei do poder que tinha, de minha liberdade, e, por isso, na vida atual, tenho medo de ser livre e voltar a fazer escolhas erradas. Pede para que eu trabalhe um dia de cada vez, acrescentando uma coisa nova a cada dia. Não perder o foco, escutar mais o meu coração (intuição) porque é dentro dele que está todo o conhecimento.

Ela fala que escutar o coração é lembrar a beleza da existência, e mesmo na tristeza, a gente encontra a beleza. Mesmo na dor, a gente encontra a beleza quando ela faz parte de nosso caminho. Diz que a dor é um fato, sofrer é uma escolha. A dor é inevitável, mas que o sofrimento a gente pode evitar”.

– Qual a diferença entre dor e sofrimento? – Pergunte à sua mentora espiritual.
“Diz que a dor faz parte dessa vida terrena, desse planeta de testes e provação. Sofrer é se apegar à dor, é se identificar com a dor, que é uma escolha de nossa mente. Mas se a gente entender a dor como algo inevitável, podemos transcender o sofrimento. Sofrer é um apego, teimosia de nossa mente. O sofrimento nos paralisa na dor e não faz a gente crescer. Portanto, ela reitera dizendo que a dor é inevitável, inerente a esse planeta, mas o sofrimento pode ser evitado, é uma escolha nossa. Ela pede para nunca esquecer que não estou sozinha, e ouvir sempre o meu coração. Fala para eu ir com Deus… Está se despedindo, indo embora”.

 

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