Caso Clínico: Vergonha do meu corpo

vergonhaMulher de 35 anos, solteira.

Paciente veio ao meu consultório alegando que tinha muita vergonha de seu corpo, apesar de ter um corpo normal, bonito. Sentia-se feia, não se aceitava e, por conta disso, tinha baixa auto-estima, sentimento de desvalorização, inferioridade, incapacidade, rejeição, pois tinha receio de não ser aceita pelas pessoas. Há dois meses havia terminado seu tratamento de quimioterapia e radioterapia, após ter contraído câncer na mama esquerda.

Por último, queria saber por que sua mãe (ela era falecida) sempre foi superprotetora, autoritária e controladora com ela. Não conheceu seu pai (sua mãe era mãe solteira) e, com isso, desde criança sentia-se abandonada, solitária, pois sua mãe vivia para o trabalho para sustentá-la.

Após passar pela primeira sessão de regressão, na segunda sessão, ela me relatou: ”A impressão que tenho é que a minha face e o corpo todo estão contraídos…É uma vida passada, sou aleijada, e pela minha deformidade física, pareço um monstro. Tenho vergonha de minha deformidade (paciente fala chorando). Acho que é congênita, nasci assim, sou muito feia, sinto tristeza e vergonha. Tenho também dificuldade de falar por conta dessa deformidade (fala com a boca contraída, torta).

Sou mulher, morena, uso um vestido bem humilde, devo ter uns 15 anos. Fico na rua sentada no chão, pedindo esmola. O chão é de pedra bem rústica, as casas são também de pedras, cobertas de palhas. As pessoas passam, me olham com pena, e algumas com nojo, repugnância. Eu me sinto mal, tenho muita vergonha de meu corpo(fala chorando).

Agora, a cena sumiu…Não vejo mais nada”.

Na terceira e última sessão, após o relaxamento corporal progressivo, ela me descreveu: ”Vejo uma luz muito linda…É um ser espiritual, uma mulher. Ela parece um anjo, está toda de branco (chora emocionada). Ela diz que é a minha mentora espiritual, que gosta muito de mim, e me deseja muita paz. Assegura que não estou sozinha, que está sempre me protegendo…ela emana muito amor. Pede para não me preocupar”.

– Pergunte-lhe por que sua mãe foi superprotetora, autoritária e controladora com você? – Peço à paciente.

”Diz que numa encarnação passada, eu era muito rebelde; por isso, minha mãe veio na vida atual para ajudar a não me desvirtuar novamente tendo uma vida errática como na encarnação passada.

Fala que eu era muito violenta, que machuquei muita gente com maldade, ferindo a moral delas. Por isso, pede para perdoar a minha mãe, pois ela me educou daquela forma para o meu próprio bem”.

– Pergunte à sua mentora espiritual por que você veio deformada fisicamente naquela vida passada? – Peço à paciente.

”Diz que na vida anterior àquela, era muito má, matava as pessoas, não as aceitava, era intolerante com os que eram feios, defeituosos. Como resgate cármico, vim na encarnação seguinte com aquela deformidade física. Diz ainda que é por isso que na vida atual tenho vergonha do meu corpo, não me aceito, me sinto incapaz, rejeitada, receio de não ser aceita pelas pessoas, pois era assim que eu sentia naquela existência passada”.

– Pergunte-lhe qual é sua lição maior que você veio aprender na encarnação atual?

”Afirma que é a aceitação de minhas imperfeições e dos outros, pois na vida anterior àquela que vim com deformidade física, além de ser intolerante com pessoas feias e defeituosas, maltratava também os homossexuais. Eu era homem, não aceitava a minha homossexualidade e, com isso, descontava a minha raiva neles. Era magrinho, pele branca, tinha muito medo que descobrissem que também eu era homossexual. Não tinha relacionamento homossexual porque achava que era pecado, pois minha família era muito conservadora, rígida, não aceitava a homossexualidade”.

– Pergunte à sua mentora espiritual se ela tem mais algo a lhe revelar?

”Ela diz que daqui para frente minha vida vai fluir, que vou começar a me aceitar, me amar mais. Fala que muitas curas foram realizadas nessa terapia, que é para não esquecer de agradecer em momento algum por essas bênçãos alcançadas, e que ela vai estar sempre por perto, me amparando.

Finaliza dizendo que o câncer que tive na vida atual veio para que eu refletisse, desse mais valor ao que tenho, ter mais gratidão, e que foi também um aprendizado para eu deixar de querer controlar a vida. Ela me deseja muita paz, serenidade e amor. Está se despedindo, indo embora”.

Foto: reprodução

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3 comentários em “Caso Clínico: Vergonha do meu corpo

  1. Gosto muito de ler os artigos dessa página, pois me identifico muito com cada depoimento. Sei que preciso um dia também fazer TRE, mas ainda nao tenho condiçoes financeiras para isso. O que é uma pena pois sinto que minha vida está travada, estou passando pela vida, nao estou vivendo!!!

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