Vida passada, aqui me tens de regresso.

A história de uma repórter que passou pela TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – extraído da revista Glamour- Edição 18/Setembro de 2013.

 

Infiltramos nossa repórter num consultório de Terapia Regressiva Evolutiva – sim, regressão! – para descobrir o que as vidas passadas poderiam revelar sobre o presente. Alguns sustos, muitas lágrimas e várias descobertas chocantes depois, ela conta aqui sua experiência.

 

Quando tive minha primeira crise de pânico, há quatro anos, comecei minha busca espiritual. Sou judia, mas não de frequentar sinagoga nem nada assim. A verdade é que nunca me encontrei na religião. Mas voltando: há quatro anos, estava superapaixonada por um homem lindo, que chamava a atenção por onde passava. Por isso mesmo o namoro era complicado, cheio de crises de ciúme da minha parte. Desde que terminamos – um fim bem traumático -, a angústia e a ansiedade tomaram conta de mim. Melhorava , piorava, melhorava de novo. Fiz vários tipos de meditação, retiros de ioga, sessões em centros espíritas, nada me trouxe alívio. Por isso quando ouvi sobre a Terapia Regressiva Evolutiva (TRE), desenvolvida pelo terapeuta paulistano Osvaldo Shimoda (SP), com mais de 15 mil regressões no currículo e livro publicado sobre o assunto, tive minha epifania: é isso! Já havia lido a respeito, ouvido testemunhos bem animadores de gente que fez… não perdia nada em tentar.

Na primeira consulta que seria apenas um bate-papo, estava tão ansiosa que dei até Google no terapeuta, para ver o rosto dele – um oriental de uns 50 anos, cara de pessoa séria e confiável, sabe?

Osvaldo se apresentou de maneira formal e foi logo explicando seu método, que acontece em etapas. Primeiro: não há hipnose. “O mais importante é estar com a consciência tinindo, prestar atenção em qualquer imagem, sensação e intuição”, ele me explicou, emendando que cada sessão dura de duas a três horas e não há quantidade determinada, pois nunca se sabe quando o mentor – que é o guia espiritual de cada um – irá aparecer. Normalmente, acontece na terceira sessão. Para não correr risco, marquei três.

 

 

 

A primeira regressão a gente nunca esquece

Nervosa, deitei no divã, o terapeuta fechou as janelas, apagou todas as luzes e colocou uma música bem suave. Então, fez uma oração evocando Jesus (ainda que goste de frisar que sua terapia é independente de religião), pediu para eu relaxar e me imaginar descendo uma escada até chegar a um jardim. Eis que tive minha primeira regressão. É complicado explicar: a sensação é de se estar sonhando acordada. A gente vê e ouve coisas, é estranhamente real. De repente, meus pés ficaram muitos gelados. Me vi como uma mulher morena na margem de um rio.Ela/eu vestia uma capa preta com capuz e jogava um bebê na correnteza.Senti um aperto muito forte no peito, uma angústia parecida com a que sinto todas as manhãs. Não conseguia parar de chorar. Aquele bebê, eu sabia, era meu filho!

Então, como numa novela, a cena mudou e vi a mesma moça sozinha em uma cabana de madeira. Com ela, um homem forte com barba grisalha. Mas ele não era meu marido, e sim, meu amante. E tinha me mandado matar aquela criança. Quando Osvaldo perguntou quem era o tal homem – o médico conduz a sessão questionando, nos levando para as situações que considera chave para o tratamento -, vi a imagem do meu pai desta vida. Naquela situação, eu era sua amante!

Fiquei em choque. A descoberta explica bem nossa relação. Desde que ele se separou da minha mãe, nunca aceitei nenhuma nova namorada. Sempre achei que eu deveria ser a única mulher de sua vida. Pode parecer um pouco doente, e talvez seja mesmo, mas esse desejo faz muito sentido agora!

 

A segunda sessão: flashes e tigre branco

Cheguei ansiosa para a segunda sessão, que foi bem diferente. Não vivi nenhuma história contínua, apenas flashes. Primeiro, senti como se estivesse morta, com meu corpo sendo carregado. Vi, então, um tigre branco mordendo meu pescoço. Osvaldo explicou que felinos representam encostos – energias que querem atrapalhar minha vida nessa encarnação. Achei o papo meio pesado, fiquei assustada, mas enfim…

 

E a terceira e última: um choro catártico

Assim que relaxei, senti minhas mãos ficando gigantes.

“É o seu corpo espiritual se desconectando do material”, ouvi a voz de Osvaldo. Então, apareceu o rosto de um menino moreno. Ele me disse que chamava Pedro e era meu anjo. Eu enxergava tudo preto, mas as sensações eram vivas. Me vi como uma oriental deitada com uma venda nos olhos.Eu era cega.Senti meu corpo relaxar abruptamente e entendi: havia acabado de morrer.

Desabei num choro convulsivo. “Aí está o motivo da sua angústia. Você se matou por não ter suportado viver sem se ver ou ver o mundo”, me disse Pedro.

Fiquei alguns minutos em silêncio, digerindo aquilo. Sempre tive autoestima baixa, nunca consegui ver a beleza que as pessoas dizem que eu tenho. Então, Pedro revelou: “Deus te trouxe para esta vida com os olhos mais lindos (eles são de um azul bem profundo) para que você consiga enxergar. Se enxergue por dentro e por fora e, principalmente, deixe que as pessoas te enxerguem. Sua vida vai ficar leve quando descobrir que é digna de ser amada plenamente”.

Nesse momento, já estava exausta de tanto chorar.

Eram lágrimas de alívio e gratidão. Terminamos a sessão com uma oração de agradecimento e precisei de três dias para me recuperar do desgaste emocional – era um cansaço inexplicável, como se minhas emoções, crenças e verdades estivessem todas se renovando. Depois de tudo, tenho dado mais valor aos meus olhos, a quem eu sou e o que vejo. E não é que meus olhos são lindos mesmo?

 

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