A Experiência da Morte

Quando o princípio de consciência houver saído do corpo,
ele dirá a si mesmo: – Estou morto, ou não? E não poderá determiná-lo.
Ele vê seus parentes e circunstantes como os via antes.
Ouve inclusive os lamentos.
As terríveis ilusões cármicas ainda não aparecem.
Tampouco surgiram as horríveis aparições ou experiências causadas pelos Senhores da Morte”.
– O Livro Tibetano dos mortos.

A situação descrita acima a princípio, pode parecer meio assustadora ao leitor, mas retrata a maneira pela qual muitos de meus pacientes veem a experiência após a morte física em vidas passadas.

O Livro Tibetano dos mortos esclarece que o momento pós-morte vai depender do grau de instrução espiritual (adquirido de todo o carma acumulado desta e de outras vidas).

Já presenciei pessoas que no momento de sua morte, reúnem seus entes queridos, agradecem por tudo que fizeram por eles, despedem-se e vão embora deixando seus corpos. Por outro lado, há outros que para deixarem os seus corpos, seus bens materiais e entes queridos é um drama, um martírio e, evidentemente, todos passam a sofrer porque o apego é muito grande.

Mais cedo ou mais tarde, toda criança pergunta: Por que tenho de morrer? E muitos continuarão fazendo essa pergunta à vida inteira.
Muitos pacientes me perguntam antes de iniciarmos a sessão de regressão: “Eu vim a essa terapia para saber se após a morte física será o fim de tudo ou a minha consciência irá sobreviver”.

Aliás, essa pergunta é muito antiga. Quase todos os filósofos, místicos e religiosos lidam com ela, e toda a religião constrói boa parte de sua doutrina tentando respondê-la. Ainda hoje, essa pergunta não desapareceu. Vejo muito preconceito, tabu, como o sexo era para os Ingleses na era vitoriana. Lidar com a morte e mesmo falar dela ainda é muito difícil para a maioria das pessoas.

Nossa própria má vontade em lidar com a morte nos leva a uma inconsciente tradição que faz pouco para responder às perguntas: Por que nós morremos? Por que temos que morrer? Como lidar com as perdas dos entes queridos? Como confortar um moribundo em seu leito?

Da mesma maneira que pesquisadores buscam indícios da reencarnação, também se empenham em ir atrás de indícios que revelem o que ocorre após a morte física.

Desde a década de 50, muitos estudiosos procuram captar comunicações espirituais através de aparelhos eletrônicos – a esse tipo de experiência eles chamam de “transcomunicação instrumental”.

As experiências “próximas da morte clínica”, por pacientes em estado de coma ou que tiveram parada cardíaca e que foram reanimados, constituem relatos muito interessantes registrados em livros escritos por pesquisadores sérios e idôneos dentro da comunidade científica. Os mais conhecidos são a Dra. Elizabeth Kubler-Ross, autora do livro “Sobre a Morte e o Morrer” e o Dr. Raymond Moody, autor do livro “Vida depois da Vida”.

A Dra. Elizabeth Kubler-Ross estudou e acompanhou inúmeros doentes à beira da morte. Ela e sua equipe colheram cerca de 20 mil depoimentos desses pacientes. O conteúdo desses depoimentos coincide com a pesquisa feita também pelo Dr. Raymond Moody e sua equipe, isto é, as descrições feitas pelos pacientes de suas experiências quando próximos da morte foram muito semelhantes.

O paciente flutua e vê de cima o seu corpo deitado na maca ou na mesa cirúrgica sendo reanimado pela equipe médica. Muitos chegam a ver também os parentes conversando aflitos, escutam ruídos estranhos, agradáveis ou não; o espírito percorre um túnel escuro e no final encontram pessoas conhecidas e desconhecidas desencarnadas; deparam-se com um ser de luz que é percebido não apenas como uma luz, mas sim como uma consciência inteligente e passam a reviver os fatos desta e de outras vidas.

Todas essas pesquisas vão realmente de encontro com o que os meus pacientes costumam relatar em suas experiências após suas mortes físicas em vidas passadas. No entanto, nem sempre o paciente em regressão consegue visualizar e recordar experiências pós-morte. Quando pergunto o que acontece com ele após sua morte física na vida passada, alguns não se recordam, não visualizam nada.

Quando o paciente não consegue entrar nesse “espaço entre vidas” (plano espiritual), não insisto, pois percebo que só alguns estão preparados para tal. Por outro lado, os que conseguem reviver essa experiência espiritual, extra-física, dizem que é nesse espaço que se programa a nova encarnação, com quem eles vão reencarnar, na próxima vida, que situações que terão de passar e quais as lições que terão de aprender com os seus familiares, amigos e desafetos.

Segundo o Dr. Raymond Moody, os pacientes que retornaram dessas experiências de quase morte, disseram-lhe que mudaram radicalmente o modo de ver a si, os outros e a vida. Alteraram profundamente os seus valores, dando mais importância à vida, às pessoas, à família. Descobriram que a coisa mais importante na vida é aprender a amar, resgatar a capacidade de amar. É o que acontece também com os meus pacientes, após passarem pela TRE (Terapia Regressiva Evolutiva)- A Terapia do Mentor Espiritual- método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006. Eles aprenderam a conversar com as suas almas, voltando-se para dentro, para a luz interior, aquela energia infinita capaz de operar milagres.
O Dr. Brian Weiss, autor do livro “A Cura através da Terapia de Vidas Passadas”, diz: “A terapia de regressão não se limita a buscar lembranças de vidas passadas. Ao entrar em profundo estado hipnótico e de relaxamento, muitas pessoas descrevem experiências místicas e espirituais. Essas vivências têm muito poder e chegam a transformar suas vidas. A visão do paciente sobre a vida e a morte muda essencialmente. Os valores se convertem”.


Caso Clínico: Insônia Constante

Mulher de 40 anos, casada, três filhos.

Veio ao meu consultório por conta de sua insônia que a atormentava desde a sua adolescência. Já tinha passado por vários especialistas, se submetido a todos os tipos de exames médicos sem, contudo, identificar a origem de seu problema. Tomava medicação para dormir, mas sua insônia persistia. A paciente me relatou também que tinha muito medo de morrer e que talvez fosse isso o que a impedia de pegar no sono. “Estou sempre alerta e tenho que ficar esperta”, comentou a paciente.

Ao regredir disse: “Preciso tomar conta desse lugar, vigiar. É um lugar distante, tem muitas árvores, é dentro de uma floresta. Estou me vendo de calças compridas, calço botas. Sou mulher, pele muito branca, sou alta, cabelos curtos, ruiva e olhos azuis. Aqui faz muito frio, uso roupa de couro marrom. Vejo fumaça saindo da chaminé.

A casa é de madeira. É um lugar muito isolado e neva bastante. Eu tomo conta dessa casa, tenho que ficar atenta. Carrego uma espingarda, pois neste lugar tem bichos grandes (ursos). Mora uma família nesta casa. Eu não posso entrar, fico do lado de fora da casa, tomando conta. Tem um lampião e uma cerca de madeira. Não vejo o portão. Tomo conta à noite, não posso dormir. Nessa casa mora um homem barbudo, uma senhora e três crianças, todas sardentas e branquinhas. Eu moro numa cabana um pouco longe desta casa. Eu moro sozinha, não tenho ninguém. Eu sou uma mulher muito forte, corpulenta e grandona. Eles me colocaram para eu tomar conta daquela casa. Uma carroça traz comida porque esse lugar é muito isolado. Eu tomo bastante café, chocolate quente por causa do frio e para não dormir.

De vez em quando a senhora me dá uma tigela com um pouco de sopa para eu não dormir. Aqui à noite, é muito escuro. Eu fico na varanda, tem um banquinho de madeira. Fico sentada, não posso me deitar. Às vezes eu ando de um lado para outro. Eu fico cansada e quando clareia eu posso ir. Depois que a família se levanta, vou embora. Aí vou dormir na minha cabana.

Durmo um pouco durante o dia e aí coloco lenha para esquentar água e fazer a minha comida. Essa família me paga em comida”.
– Em seguida, peço para que a paciente avance bem mais para frente nesta cena.

“Meu cabelo está esbranquiçado, não moro mais naquela cabana, estou num quartinho de fundo de uma mercearia. Estou muito velha, doente, não consigo descansar porque tenho muita dor nas juntas. Devo ter por volta de 60 anos.
Eu não consigo ficar muito em pé, não consigo dormir. Tem uma mocinha que traz um caldo bem quente em uma tigela.
Estou muito debilitada, estou com medo de morrer. Eu não vou fechar os olhos. Não é bom dormir porque aí eu posso morrer. Eu tenho que ficar esperta. Eu não gosto de ficar no escuro, fico sempre com a lamparina acesa. Tenho medo que aconteça alguma coisa… Fecho os olhos, durmo e não acordo mais”.
– Peço para que ela vá para o momento de sua morte.

“Eu não quero morrer. Fiquei muito tempo acordada naquele serviço. Eu morri sozinha, ninguém veio me cuidar. Fiquei apodrecendo”.
– Solicito em seguida para que ela me descreva o que acontece, para onde vai após sua morte física.

Intervalo entre vidas (plano espiritual): “Eu me vejo de fora do meu corpo, mas ninguém veio me ver. Só depois de alguns dias sentiram o mau cheiro e me enterraram num buraco. É falta de consideração daquela família que nem veio me ver. Fiquei vigiando aquela casa tanto tempo e nem me enterraram num caixão; jogaram-me num buraco. Agora não sei o que vou fazer (paciente chora copiosamente). Eu tenho que ficar esperta. Onde estou agora há pessoas como eu que já morreram. Gente feia tenho que ficar de guarda, senão vão me machucar, porque sou diferente delas. A minha pele é mais branca e elas são todas escuras. Suas roupas são todas pretas e a minha é branca. Eu não ando, flutuo. Tenho que estar sempre alerta, não posso me descuidar. Eu queria voltar para aquela casa que eu tomava conta porque lá é mais seguro. Essa gente feia fica gritando, provocando-me, falando palavrões. Eu não gosto, estou cansada, quero sair daqui. Mas para onde eu vou? (começa a gritar). Não tem lugar para eu ir, preciso fugir!

– Subitamente, a paciente me diz que está vendo agora uma muralha muito alta e que fica lá em cima tomando conta.
Ela me diz: “Sou um guarda, ando de um lado para outro. Existem também outros guardas em sentinela, em cada canto da muralha do castelo”.
– Interrompo seu relato e lhe indago se ela estava revivendo outra vida. Ela diz que sim e continua me descrevendo: “Uso uma arma muito antiga, estou vestido com uma meia fina, calção sanfonado, roupa de manga comprida bem justa, colada no corpo. Uso um chapéu com formato de um cone. Este castelo está muito protegido. Sou branco, meu rosto é liso, tenho por volta de 20 anos. Sou guarda do castelo e protejo o senhor, sua família e os serviçais. O castelo é tão grande que parece uma cidade. Não gosto desse serviço pois sempre tenho que estar alerta por causa dos invasores. Tomo conta à noite. Durmo pouco depois do almoço e, em seguida, volto a montar guarda novamente. Nesta vida também não tenho família. Conheço o chefe da estribaria e ele me dá ordens.
Eu o conheço desde menino. Tudo o que ele manda fazer eu tenho que obedecer. Tenho que escovar os cavalos, dar água, comida, deixar a cocheira sempre limpa. Nunca vi o senhor e sua família. Eu não posso entrar, fico só com os companheiros onde trabalho. Outro dia eu cochilei lá na torre e aí fiquei preso por dois dias em pé. Eu me encostava na parede. O carcereiro colocava água e comida por um buraco, embaixo da porta. O calabouço era muito escuro e apertado, não dava nem para esticar as pernas. Meu chefe me falou que se repetisse de novo mandava me executar. Não posso dormir durante o serviço.

Eu queria sair daqui, fazer coisas diferentes, embora eu goste dos cavalos, de conversar com eles, fazer carinho. Eu não gosto de carregar essa arma, pesa muito e dói os ombros. Não sei por que eles me colocaram como guarda se eu sou magrinho e não sou muito alto. Faltam serviçais e por isso a gente trabalha muito. E quando dormimos somos castigados. Tem um companheiro que eles mataram. Falaram que ele era um imprestável porque dormiu em serviço. Eu morro de medo de dormir. Eu tenho que ficar esperto e às vezes durmo em pé.

Estou com muita raiva desse senhor, não sou livre, queria fugir, mas tem muralhas, portão. Um dia os invasores puseram escadas na muralha. A gente atirou e todos foram mortos. Eu estou com uma ideia. Se eles tentaram subir, eu posso descer. Mas não tem corda…

Ai me acertaram! Eu ia fugir e o guarda me pegou. Ele bateu na minha cabeça com a sua arma e a estourou. Estou morrendo, não quero morrer. Agora não adianta mais, acabou, morri e me jogaram num buraco, me cobriram de terra”.

– Pergunto-lhe o que aconteceu após sua morte física?

Intervalos entre vidas (plano espiritual): “Vejo um homem, acho que é aquele companheiro que mataram porque dormiu. Ele está com dor no peito, encostado numa árvore. Estou com dor de cabeça, está explodindo, doendo muito. Ele me chama, vou ficar com ele. Há outras pessoas, eles fazem muito barulho, gritam muito. Eles não dão sossego. Aqui também não dá para dormir. Estou com muita dor de cabeça, levei uma pancada muito grande. Esmagaram minha cabeça. Não tenho sossego, eu quero dormir, dormir! (grita bem alto).
Eles berram mais do que eu. Eles não escutam. São todos fantasmas… Será que sou um fantasma também? Mas sou igual, estou com a cabeça desfigurada e esse buraco no peito do meu companheiro… Eu quero dormir, dá sossego, sai! (grita)

Oh! Meu Deus! Estou desesperado, não tem ninguém para me ajudar. Já que eu morri porque não acaba a minha agonia? Não quero mais ser escravo de ninguém. Mas tem outros que ficam me perturbando, não me deixam dormir. Eles ficam me cutucando, sai!

Eles me penduraram numa árvore de cabeça para baixo. O que é isso? O que vocês querem? É para eu não dormir? Sai!
Não me deixam dormir, aqui é um inferno! Tem um ali que tem um rabo e o outro tem uma espada e me cutuca. Desgraçados!

Sumam daqui! …Ah! Agora chegou a minha vez. Agora quem não deixa eles dormirem sou eu. Eu sou o chefe, ninguém dorme aqui. Se reclamar vai para o calabouço. É a minha vingança. Não os deixo dormir. Mas não tenho sono. É que eu fico preocupado em não deixá-los dormir. O que adianta ser um chefe e ter que ficar esperto para tomar conta desses vagabundos?

Bom, agora vou dormir. Eu sou o chefe e posso dormir. Se acontecer alguma coisa o meu imediato vem me contar. Eu vou dormir, estou cansado”.

No final desta sessão, seu mentor espiritual (ser desencarnado de elevada evolução, responsável diretamente pelo nosso crescimento espiritual) se manifestou e lhe fez uma correlação dessas duas vidas passadas em que ela não podia dormir, e que persistiu mesmo após sua morte física, como a origem verdadeira de sua insônia na vida atual. Em seguida, ele pediu para que se libertasse desse passado.

“Liberte-se completamente desse passado. Conscientize-se que na vida atual você nasceu novamente num corpo sadio, perfeito e seu contexto de vida é complemente diferente; hoje você não é mais solitária, tem marido e filhos, um lar; hoje você é livre, pode dormir à vontade. Lembre-se: você pode dormir sem correr o risco de morrer. Compreenda que na encarnação atual sua situação de vida é completamente diferente de seu passado, onde nada mais disso, estas sensações e sentimentos negativos devem permanecer em você. Liberte-se desse temor, dessa aflição, angústia, pois são sentimentos que pertencem ao seu passado. Desligue-se deles, solte! Você pode fazer isso, não”?
– Sim, a paciente lhe responde.
– Então, vamos encerrando essa sessão.

Ao voltar para o estado Beta (vigília), ela me disse: “Agora, eu só quero dormir”.

Na sessão seguinte, a paciente comentou sorridente que estava dormindo profundamente, só vindo a acordar na manhã seguinte. Após mais quatro sessões de regressão, seu mentor espiritual deu por encerrado o nosso trabalho.

 

 

 

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