Tipos de vivências a Vidas Passadas

Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.
E para se chegar aonde quer que seja,
aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso antes de mais nada, querer.
(Amyr Klink).

Muitos pacientes antes de passarem pelo processo regressivo me perguntam se todas as pessoas que passam por uma regressão, veem as lembranças de vidas passadas do mesmo modo.
Na realidade, você pode trazer as recordações de seu passado das mais diversas formas. Entretanto, segundo a neurolingüística, recordamos experiências de nosso passado utilizando 3 canais de comunicação:
a) Visual;
b) Auditivo;
c) Cinestésico (gosto, olfato, tato).

Em outras palavras, recordamos o nosso passado, usando os nossos 5 sentidos (visão, audição, olfato, gosto e tato) e mais o nosso sexto sentido, a intuição(linguagem da alma).
Existe um teste de neurolingüística que aplico aos meus pacientes antes de iniciar a regressão para saber como ele vai trazer as informações, ou seja, qual(is) o(s) canal(is) de comunicação que ele vai utilizar para recordar suas experiências do passado.
Faço a seguinte pergunta ao paciente: – Se você tivesse que passar o restante de sua vida, qual dessas 3 situações seria a mais dolorosa: Ficar cega, surda ou paralítica?
Se ele responder que a pior situação seria ficar cega, é bem provável que vai recordar suas experiências de vidas passadas de forma visual, isto é, através de imagens, cenas. Neste aspecto, as imagens podem vir bem vívidas, nítidas ou embaçadas e até mesmo congeladas (paradas) em forma de gravuras, quadros e fotos bem antigas, amareladas. Por outro lado se responder que a situação mais dolorosa é ficar surda, esse paciente vai reviver suas experiências passadas escutando, por exemplo, apito de trem, trotar de cavalos e/ou alguém chamando pelo seu nome na vida passada.
E se responder que ficar paralítico seria o pior, irá obter a maior parte das informações através de sensações físicas e sentimentos (dor, calor, frio, pressão no peito, angústia, medo, raiva, tristeza, etc.).

Certa ocasião, uma paciente regrediu sentindo dores intensas e gemendo muito, mas não conseguia trazer nenhuma imagem. Ao lhe perguntar a razão de tanta dor, não conseguia me responder pelo fato de não ver o que estava provocando suas dores. Somente na 5ª sessão de regressão conseguiu identificar a causa. Viu-se trabalhando numa vida passada como faxineira, grávida, limpando ajoelhada o piso de uma escadaria. Ao se levantar, sentiu uma forte vertigem e acabou caindo escada abaixo. Ao ser socorrida, viu o lençol da cama em que estava deitada toda ensanguentada. Posteriormente, veio a falecer porque não conseguiu parir a criança (provavelmente já estava morta com a queda). Era esse o motivo de seu medo intenso de engravidar que ela trouxe para sua vida atual. Portanto, em muitos casos, o paciente regride de forma cinestésica (sensações físicas), trazendo pouca ou nenhuma impressão visual, mas pode experimentar outros sentidos: audição, gosto, olfato e/ou a atmosfera do ambiente e dos acontecimentos.
Estes pacientes sentem, por exemplo, o gosto de sangue na boca ao serem feridos, embora não consigam ver o local onde estão caídos. Deduzem que estejam numa fazenda, pelo cheiro que sentem de esterco de cavalos e o relinchar dos animais.
Por outro lado, há aqueles – embora não percebam nenhum impulso sensorial – que simplesmente sabem as respostas. Nestes casos, trazem recordações de seu passado de forma intuitiva, ou seja, em impressão.


É importante salientar aqui que nenhuma das formas de obter informações é melhor ou mais correta que as outras. Naturalmente, muitos dos pacientes que não têm impressões visuais começam a se atormentar com isso, chegando a ficar frustrados por não verem nada durante a regressão. Do ponto de vista da neurolingüística, esses pacientes não veem nada porque seu canal de comunicação predominante não é o visual.

Há anos atrás conduzi várias sessões de regressão com um paciente e conseguimos obter uma quantidade enorme de informações sobre suas vidas passadas, mas ele continuava a sentir que não tinha regredido às suas vidas passadas porque não vira nada.
Há ainda aqueles que inicialmente não veem nada, mas a cada regressão as imagens começam a aparecer mais e mais claras.
Isso acontece, em muitos casos, porque o paciente não tem ainda familiaridade e intimidade em lidar com o inconsciente.
O paciente aprende, portanto, a cada regressão, a ser sensível a mudanças sutis em seus sentidos e em seu corpo. Neste aspecto, é comum no início do processo regressivo, as lembranças virem de forma fragmentada e incompleta. E com as regressões sucessivas, o paciente aprende a trazer suas experiências passadas com mais facilidade e as imagens se tornam mais vívidas.

CASO CLÍNICO:

Qual o meu propósito de vida?
Mulher de 28 anos, solteira


Veio ao meu consultório em crise existencial, querendo saber seu propósito de vida. Fez terapia convencional durante 10 anos, mas não encontrou respostas à sua indagação. De 2 anos para cá, vinha numa busca intensa da espiritualidade, pesquisando assuntos como numerologia, cabala, espiritismo, Tarô, astrologia, etc.

Havia devorado todos os tipos de literaturas ligados ao esoterismo e espiritualidade. A crise existencial vinha acompanhada de depressão e uma insatisfação muito acentuada em relação ao rumo que estava dando à sua vida pessoal e profissional.

Por conta disso, resolveu me procurar para se submeter à TRE (Terapia regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual- método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006 e perguntar ao seu mentor espiritual (ser desencarnado de elevada evolução, responsável diretamente pelo nosso crescimento espiritual) o porquê dessa insatisfação, e qual o seu verdadeiro propósito de vida.

Ao regredir se viu numa cidade cujas casas são todas douradas, com os telhados em formato de triângulos e pirâmides. Ela me relata: – A cidade é muito grande. Vejo as pessoas vestidas de branco, só vejo mulheres. Elas usam uma faixa dourada amarrada na cintura. Todas se vestem da mesma forma.
Pergunto à paciente se ela está presente na cena?
– Estou no meio dessas mulheres, são várias. Andamos em fila em volta de um templo dourado. Estou descalça e as outras mulheres também.
Peço, em seguida, para que ela se veja e me descreva como é.
– Uso na minha mão esquerda um anel grande dourado e no centro uma pedra vermelha, bem grossa.
Sou branca, cabelos pretos, cumpridos e lisos. Meus olhos também são pretos e puxados, tenho um rosto suave, minha pele é bonita. Uso um chapéu na cabeça. Ele é dourado e tem formato de um cone. Eu me sinto bem, muita paz e tranquilidade. O dia está muito bonito, estamos em silêncio, em estado meditativo, andando em volta do templo.

Somos um grupo especial, treinado para ensinar, orientar pessoas e apoiá-las. Somos sacerdotisas e conselheiras. O lugar onde estamos é afastado, isolado, só tem mulheres, é um lugar de estudo.
Pergunto à paciente por que os homens não podem chegar lá?
– É um lugar sagrado, reservado, eles não podem entrar. Moramos nesse lugar sagrado. É um lugar alto, afastado da cidade. Lá embaixo fica a cidade. Moram homens, mulheres e crianças.
Pergunto-lhe onde se localiza essa cidade?
– O lugar é de muita areia. Na cidade as casas são diferentes, não são douradas. Vejo pessoas andando, trabalhando. Há muitas plantas, árvores, plantações e muito verde. Vejo homens, mulheres e crianças plantando.

As paredes das casas são cinzas. A população se veste diferente de nós, sacerdotisas. São roupas mais simples. As mulheres também usam um vestido comprido, mas não tem aquela faixa na cintura. Os homens vestem saias mais curtas.
Tanto os homens como as mulheres calçam sandálias e os dedos aparecem.
O que esta vida passada tem a ver com sua crise existencial na vida atual? – pergunto-lhe
– Vejo agora um senhor de túnica branca, ele me diz que é o meu mentor espiritual. Diz ainda que na vida atual eu estou para continuar o que fazia nessa vida passada. Mas que agora preciso fazer direito. Esclarece que abusei, transgredi as leis sagradas: o respeito, o amor, a humildade e os limites.

Por que você desrespeitou essas leis? – pergunto-lhe novamente
– Diz que eu tinha muito poder sobre as pessoas, a natureza e as leis. Eu achei que podia fazer qualquer coisa que quisesse. Eu podia fazer as pessoas dependerem de mim. Eu as dominava, elas traziam o que eu quisesse, quaisquer bens materiais (dinheiro, ouro). As mulheres me veneravam, me davam tudo. Eu desrespeitei as leis. Eu traí a responsabilidade que tinha com aquelas pessoas. Era para orientar, ajudar, ensinar. Mas não fazia isso, não passava as informações, o conhecimento que possuía.
Eu queria que os homens e as mulheres dependessem de mim. Se eu ensinasse, perderia o poder… Eu traí as leis (grita chorando copiosamente). Vem um arrependimento profundo. Aquele poder não era meu!
De quem era esse poder? – pergunte ao seu mentor espiritual
– Afirma que era de Deus.
Que Deus vocês adoravam?
Diz que adorávamos o céu, o sol, a lua, a natureza. Diz ainda que eu manipulava as pessoas, eu tinha tudo o que eu queria. Elas se sacrificavam para me pagar, para que eu as ajudasse.

Vá agora para o momento de sua morte nessa vida passada, peço-lhe.
– De que valeu tudo isso? Estou num quarto enorme, teto alto, estou deitada numa cama dourada… Estou triste, rosto envelhecido, com rugas, muito magra.
Sinto-me arrependida, culpada… De que valeu tudo isso? Para que serviu toda essa riqueza agora? O que faço com isso? O que dei em troca? (chora copiosamente).
O que eu tinha para dar, os meus conhecimentos, seriam mais úteis para eles. Eu não precisava ter abusado daquelas pessoas. Agora estou sozinha em meu quarto. Está tudo fechado. Não quero ninguém perto de mim, não quero que ninguém me veja. Eu sofro porque não fiz a minha parte. As pessoas que eu “ajudava” e “orientava” também sofriam com a minha saúde porque dependiam de mim.
Estou doente, muito só e querendo uma chance para consertar os meus erros. Eu iludi esta gente e quero reparar as minhas ações.
Mas agora já é tarde, sinto que estou para morrer… Eu morri”.
Peço em seguida para que ela vá para o espaço entre vidas após sua morte física.
– Meu mentor espiritual me fala: ‘Agora você entende, não? Agora você está sentindo. Eu fico com vergonha.

Ele me pergunta: ‘Agora você sabe?’
– Eu sei, estou entendendo! Respondo em voz alta.
Onde você está? -Pergunto à paciente.
– Estou num lugar onde só tem luz. Ela preenche todo o espaço. Sinto paz, mas ao mesmo tempo arrependimento.
Eu quero voltar à vida terrena para corrigir os meus erros.
Qual é o seu propósito de vida? – Pergunte ao seu mentor espiritual.
– Diz que é corrigir o que eu fiz. Deixei de esclarecer, orientar as pessoas. Eu poderia libertá-las de suas ilusões. Mas como fazer isso se eu mesma estava iludida? Não precisava de tanta riqueza material.
Que lição você extrai dessa vida passada? – Pergunte-lhe
– Ele fala que é corrigir, ajudar a aliviar o sofrimento, esclarecer as pessoas. A área da advocacia que exerço hoje, não tem nada a ver comigo. É um serviço burocrático. Não é esse o verdadeiro propósito que vim realizar na vida atual.
Eu preciso libertar as pessoas, ajudá-las a descobrir onde está a sua ilusão. É soltá-las das “amarras” da ilusão. É trabalhar com a alma das pessoas, ajudá-las a crescerem.
É isso que a minha alma quer. Mas para isso, ele diz que primeiro preciso me ajudar. Agora entendo o porquê dessa minha busca, o interesse pela espiritualidade.
Na realidade, o meu mentor espiritual diz que o meu propósito na vida presente é me libertar também de minhas ilusões. É ter consciência, responsabilidade, cuidado, respeito, compreensão, humildade, amor, conhecimento, honestidade, ética, discernimento, limites, coragem.

Após o término da regressão, a paciente me disse que estava se sentindo muito bem, mais aliviada e, principalmente, lúcida em relação ao seu verdadeiro propósito de vida. Disse-me que agora tinha certeza de que finalmente estava no caminho certo.

Anúncios