Somos todos companheiros de uma mesma jornada

“Às vezes, imagino a vida como uma viagem de trem, feita com companheiros que a compartilham em determinados trechos. Quando nasci, entrei no trem em que estavam meus pais. No meio da minha viagem nasceram meus filhos. Há pouco tempo meu pai deixou o trem e, com sua partida, a dor mudou a maneira de fazermos a viagem. Mas o trem continuou… Quando juntos, cada um dos companheiros de viagem faz suas descobertas e procura passá-las para os outros, sabemos que a riqueza da luz se amplia quando é compartilhada”.
– Roberto Shinyashiki.


Todas as pessoas com as quais já convivemos, estamos convivendo e iremos conviver são, na verdade, companheiros de viagem. A verdade nos ensina que ninguém se realiza e nem caminha para realização, sem os outros, mas para que isso aconteça, ninguém pode exigir que os outros (pais, filhos, marido, mulher, amigos, etc.) lhe carreguem a existência, isto é, caminhem por você nas estradas da vida.

Os outros serão nossos cooperadores, intérpretes, associados e companheiros, enquanto isso se fizer necessário, ocorrendo o mesmo conosco, em relação a eles. Em vista disso, ame as pessoas sem prendê-las.

É possível que chegue um dia em que tanto você quanto essas pessoas não consigam mais permanecer inteiramente juntas em face das novas tarefas que a vida venha lhes reservar.

Enquanto a viagem durar, todos irão adquirir experiências e se aprimorar mutuamente. Aceite-os  como eles se mostram sem querer modificá-los.

As pessoas não nos pertencem. Deixe-as viver e siga adiante na construção de uma vida melhor em ti mesmo. Quando uma relação acaba – qualquer relação – você deve agradecer à vida pela oportunidade de ter tido esse relacionamento.

As pessoas vêm, vão, e levam um pedacinho de você. Se você ficar apegado (a) pelo fato do seu casamento não ter dado certo, por exemplo, vai impedir o seu próprio crescimento, a sua evolução.


Enquanto durou, ambos aprenderam.

 

As pessoas são passageiras em nossas vidas. No entanto, se você viver em função do passado, se olhar para trás (e continuar…), vai virar uma “estátua”. O apego de se olhar para trás é que atrapalha sua vida, te paralisa, impede-o (a) de viver.

Permita ser feliz, se deixe ser feliz. Abra seus olhos, deixe sair essa criança maravilhosa que está dentro de si. Tire todo o peso das costas, seja mais relaxado (a), menos tenso (a), tenha um rosto mais alegre, sorridente. Felicidade é tudo o que está à sua volta.

Se você passar a gostar verdadeiramente de si mesmo (a) ter autoestima, tudo vai melhorar em tua vida. Viva o hoje.

Por outro lado, se você muda e a outra pessoa não mudar, haverá uma ruptura, uma separação. Nunca se culpe por tomar uma decisão. Faça a sua parte, que o universo faz o resto.

 

Caso Clínico:
Fobia Social
Homem de 32 anos, casado.

Veio ao meu consultório por conta de sua fobia social, isto é, sua dificuldade, medo de expressar o que pensava e sentia no seu relacionamento com as pessoas. No seu trabalho, principalmente, ficava com insônia em função de seu medo de ter que se expor nas reuniões de grupo na empresa onde trabalhava. Ficava nervoso, constrangido, ansioso e confuso ao ter que expor suas ideias. Tinha muito medo de ser criticado pelo grupo. Em reuniões sociais, não costumava prolongar uma conversa, pois não deixava que as pessoas o conhecessem melhor. O medo da proximidade, da intimidade, lhe era muito ameaçador.

Numa festa, por exemplo, sentia-se deslocado, ficava isolado, não conseguia se enturmar e sempre encontrava uma desculpa para fugir do ambiente que lhe causava tensão e constrangimento.

Ao regredir, ele me relatou: – Estou vendo uma igreja… É uma vida passada, devo ter uns 13 anos. Eu me vejo sendo levado lá à força pelos meus pais. Não quero entrar na igreja, não gosto porque não entendo nada do que o padre fala. Ele fala em latim. É cansativo ficar lá dentro.

– Perceba como você se sente? – Pergunto-lhe.

– Eu me sinto preso e constrangido (pausa). A missa termina, vamos embora e meus pais me arrastam com violência. Eles me prendem no quarto. Falam que se eu continuar assim, não vou mais sair desse quarto. Eu me sinto preso e assustado. As paredes estão me aprisionando. Eu quero sair, começo a ficar desesperado, mas eles não me tiram. Eu subo na janela e começo a gritar. Eles me batem, mandam-me parar de gritar. Eu invento uma estória para sair. Falo que quero ser coroinha da igreja. Só assim eles me tiram do quarto. Aí eu penso: – como vou fazer agora? Se eles descobrirem que eu menti só para sair do quarto? Eu uso a mentira para sair do quarto e fugir. (pausa).

Eu me vejo agora acompanhando os meus pais até a igreja. Na hora que tive oportunidade, fugi. Fico com medo de Deus, porque o padre dizia que se eu fosse contra os meus pais, Deus iria me castigar (pausa). Agora me vejo andando pela cidade. Eu me arrependo, quero voltar para casa, mas acabo não voltando. Vou me fechando cada vez mais. Eu vou mentindo quando as pessoas me perguntam de onde eu venho (pausa).

– Avance alguns anos para ver o que acontece com você nessa vida passada? – Peço-lhe.

– Agora estou com 16 anos. Eu trabalho na estrebaria de uma taberna. O dono do recinto é uma pessoa estudiosa, tem vários livros. Ele me ensina assuntos de física, astrologia, natureza, filosofia de Platão, Aristóteles. Ele percebe que eu minto a respeito de minha vida. Diz para eu não ter medo, que podia confiar nele. Fui aprendendo os ensinamentos passados por ele. Estudava latim porque todos os livros eram escritos nesta língua. Comecei a questionar os ensinamentos dos padres, pois eles estavam errados. Vejo agora a taberna sendo invadida pelas Cruzadas (eram expedições de cristãos para libertar a Terra Santa – atual Palestina – dos turcos (muçulmanos), e eram patrocinadas pela Igreja Católica (Papa). O nome Cruzadas é porque os cristãos teciam a cruz de Cristo em suas roupas, simbolizando o voto de fidelidade à Igreja Católica).

O dono é levado embora para ser queimado na fogueira. É a época da inquisição (tribunal eclesiástico também chamado de Santo ofício, instituído pela Igreja Católica no começo do século XIII com o intuito de investigar e julgar sumariamente pretensos hereges e feiticeiros que iam contra os dogmas da Igreja Católica. Aqueles que eram condenados cumpriam as penas que podiam variar desde a prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira, onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública).

 

Todos os livros, cujo conteúdo ia contra as ideias, dogmas da Igreja Católica, eram apreendidos e queimados juntos com os donos desses livros. Eles não me pegaram porque eu estava fazendo limpeza na estrebaria. Vejo a casa toda revirada. Levaram todos os livros e só restaram os que estavam comigo. Fiquei assustado, peguei os livros e fugi. Em outra cidade, arrumei um emprego na mesma função. Um dia o dono, desconfiado, abriu a minha mala, viu os livros e me entregou ao padre da cidade. Os padres das Cruzadas me prenderam dentro de uma carroça e me levaram para julgamento. Havia outros presos dentro da carroça. Eles ficavam cutucando a gente com um pedaço de pau para entrar mais presos (pausa).

– Prossiga na cena, peço-lhe.

– Na carroça vêm recordações de meu pai me batendo, eu mentindo para ele. Fico confuso, começo a bater a cabeça nas grades da carroça. Minha cabeça começa a sangrar. Eles me tiram da carroça, amarram as minhas mãos e os meus pés para que eu não morra dentro dela. Eles querem que eu morra na fogueira (pausa). Estamos nos aproximando agora de uma arena. Vejo uma platéia. A arena é antiga, mas não é em Roma. A arquibancada é feita de madeira. É um lugar pequeno, deve ter umas 100 pessoas. Elas estão sentadas nessas arquibancadas. Eles me soltam da carroça, me batem nos joelhos para endireitá-los. Os outros prisioneiros me ajudam. Somos amarrados num tronco (pausa).

Estamos agora sendo julgados. Temos que mentir para não sermos queimados.  Vamos ser queimados, juntos com os livros. Ouço a sentença de que iremos ser queimados e o motivo é que fomos contra a Igreja Católica. Vamos ser queimados para expulsar os demônios porque eles alegam que estamos possuídos. Eles começam a acender a fogueira. Digo que não concordo com os ensinamentos da Bíblia. Falo que até as leis da natureza foram distorcidas, pois o mundo não foi feito em sete dias e, sim, em milhões de anos. Ele foi formado pela condensação da matéria. Vocês acreditam que o planeta é chato e não redondo. Se ele é chato por que então quando a gente sobe no morro, vemos o horizonte curvo e não chato? (pausa).

– Prossiga nessa cena e veja o que acontece com você? – Peço-lhe.

– Estou morrendo, as minhas ideias agora estão confusas. Quando sinto o fogo queimando o meu corpo, eu me acovardo, quero desmentir o que eu falei para ver se continuava vivo, mas já era tarde, ninguém mais me ouvia, o fogo estava consumindo o meu corpo e a minha voz estava sufocava pelo barulho das chamas. Eu sinto medo de morrer! (grita chorando).

Acho que eu morri. (pausa).


Agora estou me vendo sair em espírito do meu corpo físico. Senti um tranco e saí do meu corpo. Estou sendo retirado do meu corpo por três espíritos, seres de luz. Eles estão bem serenos, mas estou apavorado e eles falam para eu ter calma que o sofrimento já passou, e que não vou mais sentir dor. Eu desencarnei, sinto uma paz muito grande. Vejo uma luz bem prateada que envolve o meu corpo. Essa luz dá uma sensação de muita calma e tranquilidade. Estou flutuando, sentindo o meu corpo bem leve.

– Veja agora para onde você vai? – Peço-lhe.

– Estou indo para um hospital do plano espiritual, tem um jardim bonito. Estou numa cama, ela não tem os pés, fica suspensa. Estou deitado num colchão fino, lençol branco, é muito macio.

O meu corpo espiritual (perispírito) se adapta bem nesse colchão. Estou levitando, suspenso no ar, mas é esse colchão que me segura.
Uso um roupão azul, bem claro. Estou num sono profundo. Com o olhar, eles me transmitem uma energia de cura para tirar a sensação de queimadura que ainda sinto. Eu me sinto envergonhado, pois me acovardei, queria mentir dizendo que aqueles livros não eram meus na hora que senti o meu corpo queimando. Quero pedir desculpas para mim mesmo por ter ido contra os meus ideais no momento de desespero. Senti muito medo de morrer.

– Você consegue agora fazer uma conexão com o seu medo de se expressar com a experiência dessa vida passada? – Pergunto-lhe.

– Hoje, na vida atual, eu ainda tenho medo de expressar meus pensamentos e sentimentos, ser punido e perder a vida novamente. Mas vejo agora que não faz mais sentido esse temor porque na vida presente sei que se expressar o que eu penso e sinto não vou perder a minha vida.

 

O máximo que pode acontecer é as pessoas não concordarem com as minhas ideias.

No final da sessão, o paciente me disse que estava se sentindo muito bem, mais aliviado. Estava com a sensação que tinha soltado alguma coisa de seu peito (dor, angústia, desespero e o medo de morrer que trouxe daquela existência passada).

Após passar por mais quatro sessões de regressão para se livrar definitivamente do trauma da experiência de morte dessa existência passada, o paciente compartilhou com alegria e satisfação dizendo que não se sentia mais travado e inseguro em expor suas ideias no seu trabalho. Em reuniões sociais, não recusava mais nenhum convite e não se sentia mais deslocado ou constrangido. Estava bem mais falante e comunicativo com as pessoas. Demos por encerrado o nosso trabalho terapêutico.

 

 

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Um comentário em “Somos todos companheiros de uma mesma jornada

  1. Que artigo maravilhoso!! Acredite ou não, sempre que leio seus artigos, eles me respondem o que eu tenho pensado durante o dia. Sincronicidade pura.
    Que belo artigo, nos colocando como passageiros de um trem, e nos mostrando que estamos juntos nesta viagem, embora cada um seja responsável pelo seu caminhar, e a importância de saber estarmos juntos, sem prendermos o outro e nos deixar prender tb .
    O caso do paciente com fobia social, foi muito esclarecedor pra mim tb.
    Tenho recordações da fogueira…
    Valeu!!!
    Agradeço muito o aprendizado.
    Abs
    Tereza

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