Uso da intuição na Terapia Regressiva Evolutiva

O ser humano tem à sua disposição
o potencial de uma variedade tremenda
de poderes intuitivos. Há bastante evidência
de que somos mais sábios do que
os nossos intelectos. Nós estamos aprendendo
como é triste o fato de termos
negligenciado a capacidade de nossa
mente não racional criativa, intuitiva, que
corresponde à metade direita do nosso cérebro.
– Carl Rogers

Segundo o dicionário Aurélio, intuição é “o ato de ver, percepção clara, direta e imediata de verdades sem necessidade da intervenção do raciocínio”. Em outras palavras, intuição é “a apreensão direta e imediata de algo, de uma forma não racional”.

É ver algo com olhos de primeira vez; é a primeira impressão que nos causa. Em grego, intuição significa “olhar”.
Da mesma forma, a parapsicologia a define como visão que parece vir do fundo da alma. Uma revelação que não depende da razão.
É um estado alterado de consciência e faz parte da P.E.S. (Percepção Extra- Sensorial) como a telepatia, clarividência, clariaudiência, etc.

Spinoza, Kepler, Pascoal, Thomas Edison, quando estavam em estado alterado de consciência, em alfa, faziam descobertas melhores. Beethoven, embora surdo por ter contraído uma doença venérea (sífilis), escutava zumbidos e compunha assim suas músicas que o consagraram na história.

Freud, o pai da psicanálise, também jogava Tarô e, no fim de sua vida, chegou a usar a intuição dentro de sua prática psicanalítica. Ele dizia que o terapeuta, ao escutar o paciente, tinha que deixar a atenção flutuante, isto é, estar atento não só no que o paciente falava, mas também na forma como ele falava, observando sua postura corporal, entonação de voz, maneirismos, expressão facial, o olhar, etc.

C. G. Jung, discípulo de Freud, definiu a intuição como “percepção via inconsciente que se dá em forma de símbolos”.

Certa ocasião, ao atender uma paciente na entrevista de avaliação, senti que ela estava omitindo alguma coisa, embora tivesse me dito detalhadamente o motivo que a tinha levado a me procurar no consultório. Não obstante, sentia que não era esse o seu verdadeiro problema. Enquanto ela falava, resolvi fechar os meus olhos por um momento e, mentalmente, perguntei ao meu Eu Superior qual era o verdadeiro motivo que a levou a me procurar. Após um breve espaço de tempo, veio a imagem de uma boneca estraçalhada.

Sem saber o significado dessa imagem, perguntei novamente ao meu Eu Superior, qual era o significado dessa imagem. Subitamente, veio à minha mente a palavra aborto. Era isso. A paciente tinha praticado um aborto e, provavelmente, estava constrangida em me falar disso.
Resolvi interrompê-la e lhe disse: – Vamos ser objetivos. O verdadeiro motivo que a fez me procurar é o seu sentimento de culpa por ter feito aborto, não é?
Atônita, a paciente desatou a chorar.
Após chorar copiosamente, perguntei-lhe se estava mais calma e se gostaria de comentar a respeito do ocorrido. Ela me respondeu: – Obrigado, agora estou mais aliviada. Você não sabe o quanto isso tem me incomodado. Na verdade, eu queria ter a criança, mas na época eu tinha 16 anos e a minha mãe me obrigou a tirar o bebê. Fiquei confusa, não sabia se tirava. Acabei tirando porque minha mãe me pressionou muito. Mas o remorso e a culpa me perseguem até hoje.

No final da entrevista, após a paciente ter desabafado, disse-lhe que precisava se perdoar, libertar-se dessa culpa, soltar o passado, e que a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – Método terapêutico de autoconhecimento e cura, desenvolvido por mim em 2006, iria ajudá-la no seu processo de auto-perdão. Ela concordou prontamente em se submeter a essa terapia.

Em verdade, a capacidade intuitiva do ser humano tornou-se algo mágico porque foi constantemente reprimida. Por natureza, a mente humana tem uma faculdade intuitiva – também chamada de sexto sentido – e tal faculdade não é privilégio de uma minoria. Aliás, muitos estudiosos do assunto falam até em 7º, 8º e 9º sentidos, mas que na psiquiatria convencional, tais faculdades são erroneamente rotuladas de anômalas, ou seja, são distúrbios psiquiátricos.

Na civilização ocidental, fomos ensinados a valorizar e mesmo a venerar o lado lógico, racional e a rejeitar, depreciar, ou mesmo negar a intuição. Desta forma, a nossa educação é muito voltada para o racional e técnico. Por esta razão cultura, arte, literatura e o próprio lado espiritual não são muito valorizados e estimulados.

Neste aspecto, é muito importante desenvolver a mente racional junto com o lado intuitivo no processo de aprendizagem da criança.

O que será do meu futuro se tomar tal decisão?


Usando apenas o nosso intelecto, não será possível respondermos a esta pergunta, pois nossa mente racional funciona como um computador – ela processa os dados e tira suas conclusões baseada nessa informação. Por isso, ela é muito limitada, superficial e não tem profundidade. A mente intuitiva, por outro lado, é profunda e seu conhecimento é ilimitado.
No entanto, é necessário como tudo na vida, certa prática para ouvir e confiar em nossa intuição, nesta sutil voz interior.

Somos um canal das forças espirituais, mas precisamos dominar o nosso ego (medos, dúvidas, incredulidade), pois nossa cultura recalca essa orientação interior (inteligência universal).
Esta orientação interior não é algo racional que se manifesta pelo pensamento lógico-matemático do 8 ou 80. É por isso que muitos pacientes ao se submeterem à TRE, encontram dificuldades no início do processo regressivo porque sua mente racional, crítica e analítica, questiona, duvida se o que está revivendo são experiências de vidas passadas ou somente fruto de sua imaginação.
Em verdade, a regressão faz o paciente conectar-se com o mais profundo de seu Eu. Ou seja, ele entra em três níveis psíquicos: o consciente (o ego), o inconsciente e a consciência superior (Eu Superior, que é a sua alma, seu espírito).

CASO CLÍNICO:
Medo de se perder e ficar sozinha.
Mulher de 28 anos, solteira.

Veio ao meu consultório por conta de sua insegurança em enfrentar situações novas. Ficava muito ansiosa e insegura de ir num lugar novo ou distante e não saber voltar para sua casa. Entrava em pânico ao sair de carro sozinha com medo de se perder.
Ao se perder, ficava paralisada, travada, não conseguia sair do lugar, tinha dificuldades de tomar uma decisão em função do medo intenso que a dominava. Sentia-se totalmente desorientada.
Ao regredir, ela me relatou: ”Sinto um vazio, parece que estou perdida… É uma vida passada. Vejo mato, só mato. Sou criança, tenho sete anos e estou sozinha. Estava brincando na aldeia e me perdi dos meus pais. Agora estou muito longe dessa aldeia (fala de forma ofegante e tom de voz choroso). Sinto medo, eu me perdi. Mas eu não saio do lugar. Espero que alguém me encontre, mas ninguém chega”.
– Como você é fisicamente? – Pergunto-lhe.
“ Sou uma índia, cabelo curtinho e magrinha… Eu continuo perdida e não me mexo. Fico esperando alguém me encontrar…”.
– Regrida antes dessa cena para entender melhor o que foi que aconteceu para você se perder dos seus pais? – Peço-lhe
“ Vejo agora uma floresta, meus pais e eu saímos da aldeia para caçar. Estou brincando sozinha no rio. A correnteza do rio é muito forte e acabou me levando… Agora eu estou na floresta. Meus pais me procuram. Sinto muito medo, está escuro (começa a chorar). É noite, ninguém me encontra, começo a andar. Eu só vejo mato…
Oh, meu Deus! (grita e chora desesperadamente)”.

– O que foi que aconteceu? – Pergunto-lhe.
“ Um animal me atacou, é uma onça… Eu morri!! (chora copiosamente)”.
– Quais foram seus últimos pensamentos e sentimentos no momento de sua morte? – Peço-lhe.
“ Ninguém me encontrou, onde estão os meus pais? Senti muito medo, me deixaram sozinha. Eu não morri na hora… Ela (a onça) foi me comendo aos poucos. A onça me puxou pelo pescoço e me levou numa caverna. Ainda estava consciente… Só via o escuro… Foi nessa caverna que morri. Agora entendo o porquê dessas dores constantes no meu pescoço na vida atual (paciente se submeteu às sessões de RPG – Reeducação Postural Global)”.
– Veja o que aconteceu com você após sua morte física? – Peço-lhe.
“ Vejo uma mulher de branco, ela me abraça. É a minha mentora espiritual (ser desencarnado de elevada evolução espiritual responsável diretamente pelo nosso aprimoramento espiritual).

Estou agora me sentindo segura. Ela é bonita, tem um rosto angelical. Ela cuida de mim. Vejo um jardim bonito, muito iluminado…É do plano espiritual. Estou com ela sentada num banco. Ela me diz que preciso retornar à vida terrena, reencarnar novamente. Eu não quero, tenho medo de me perder novamente. Ela me diz: “É preciso retornar. Você ainda não terminou seu propósito de vida”.
– E qual é o seu propósito para a vida atual? – Pergunto-lhe.
– Diz que é ser eu mesma, acreditar em mim, ajudar espiritualmente as pessoas. Mas eu preciso ter fé em mim, nas pessoas e na vida. Ela me diz: “Você está indo por esse caminho, continue orando. Você vai encontrar o seu dom, o seu talento e saberá no momento certo. Você se perdeu, ficou desorientada, mas está encontrando o seu caminho, siga em frente. Seja forte, ouça mais o seu coração, a sua intuição. Agora, ela me dá um beijo. Diz ainda: “Você é luz, nasceu para brilhar, mas andaram te apagando”.
– Quem te apagou? – Pergunto à paciente.
“ Fala que foi minha família. Mas me aconselha a acreditar mais em mim e diz que Deus está comigo.
Agora estamos caminhando num jardim e tem outras crianças. Ela me deixa com essas crianças. Antes de ir embora, ela me disse novamente para ser eu mesma, acreditar mais em mim”.

No final dessa regressão, a paciente me disse, emocionada, que estava se sentindo muito bem. Ela apresentava um semblante de profunda serenidade, mesclada com surpresa e alegria interna.
Após ter feito mais quatro sessões de regressão, ela me disse que não se sentia mais desorientada ou mesmo em pânico quando se perdia.

 

 

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2 comentários em “Uso da intuição na Terapia Regressiva Evolutiva

  1. Fiquei surpresa com o caso clinico dessa paciente, porque tem tudo haver com que estou passando no momento. Principalmente medo de dirigir em lugar desconhecido e me perder. Não saber voltar pra casa. E encontrar o meu propósito de vida. Estou orando muito. Sempre encontro respostas nos casos clínicos que o senhor posta no site. Acompanho o seu trabalho há muitos anos. Muito obrigada!

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