TRE e Psicanálise: Uma combinação eficaz para o processo de cura

Em janeiro de 1977, o grande médium Chico Xavier fez o seguinte comentário: “Cremos que a psicanálise unida à reencarnação, mas adotando os processos educativos da reencarnação no espaço e no tempo, seria para o mundo de hoje uma realização ideal”.

Para quem não sabe a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006 se utiliza de técnicas psicanalíticas para fazer o paciente regredir e buscar a origem traumática de seu problema que pode estar nesta vida (infância, nascimento, útero materno) ou muito mais atrás, em vidas passadas.

Por isso, quero esclarecer que a TRE como método psicoterápico, não é apenas um método reencarnatório, porque a regressão se aplica também a fatos traumáticos da vida atual.

Em verdade, buscar lembranças traumáticas que estavam reprimidas no inconsciente e fazer o paciente reverenciá-las com emoção, é um recurso psicanalítico. Freud, o pai da psicanálise, dizia que nas livres associações ocorriam frequentemente uma catarse (liberação) emocional e que, somente desta maneira, o paciente teria uma melhora clínica.

Portanto, o objetivo seria fazer o paciente compreender a causa de seu problema – que estava reprimida no inconsciente – e liberar a experiência traumática de seu passado para que essa lembrança se torne apenas uma lembrança, desvinculada de emoção negativa.

O objetivo último seria fazer o paciente se recordar da experiência traumática que gerou o seu problema, mas, desta vez, sem sofrer mais. Freud dizia que essas experiências traumáticas reprimidas na infância emergiam posteriormente na fase adulta produzindo inúmeros distúrbios psíquicos, psicossomáticos, orgânicos e de relacionamento interpessoal.

No entanto, ele só se limitou a curar feridas da infância, não indo mais a fundo na causa verdadeira do problema do paciente (nascimento, útero materno e vidas passadas).

A terapia regressiva evolutiva(TRE) vai muito mais além, extrapolando o campo de ação do pensamento e tratamento psicanalítico.

 

Neste aspecto, a TRE trabalha em três níveis psíquicos:

a) Consciente;
b) Inconsciente;
c) Supraconsciente (nível espiritual).

O nível supraconsciente é onde ocorrem as manifestações de entidades espirituais (espíritos protetores de elevada evolução – mentores espirituais e aqueles de pouca evolução – os obsessores espirituais, seres das trevas).

Muitos pacientes durante a regressão conversam com esses espíritos, chegam a receber mensagens e orientações de seus mentores espirituais que se dizem satisfeitos em vê-los se tratando com a TRE.

O trabalho com meus pacientes que entraram em contato com esses espíritos me levou a rever minhas crenças, pois antes era uma pessoa cética, incrédula acerca da vida depois da morte e à sobrevivência da consciência.

Gostaria de transcrever uma mensagem que me foi passada pelo mentor espiritual de uma paciente, no início de meu trabalho com essa terapia:

“ Boa noite, irmão!
É muito louvável o seu trabalho, estamos gratos por tornar a vida de seus semelhantes melhor de ser vivida. Você, assim como outros, são pontinhos de luz ajudando o Pai Maior a transformar este lindo planeta. Continue sempre colaborando e fazendo outros a se transformarem.
Obrigado, fique com Deus, e que Ele ilumine o seu caminho.
Com todo amor Crístico,
Agenor”.


CASO CLÍNICO:
Pesadelos constantes
Mulher de 21 anos, solteira.

Veio ao meu consultório por conta de seus pesadelos constantes que a atormentavam desde criança. Acordava assustada todas as noites chorando, mas não se lembrava do que sonhara. Ao ser indagada a respeito desses pesadelos, dizia que não queria morrer.

Já na fase adulta, lembra que acordou do pesadelo esmurrando o guarda-roupa. Queria entender também o porquê de sua mãe não confiar nela, nunca deixá-la sair sozinha, querendo sempre controlar sua vida. Ocasionalmente, era tomada também por uma tristeza profunda sem saber o porquê e uma impaciência e ansiedade constantes. Frequentemente lhe vinha o seguinte pensamento: – Não posso perder o meu tempo, tenho muitas coisas para fazer.

Na entrevista de avaliação, a paciente veio acompanhada de sua mãe. Mas na semana seguinte, na1ª sessão de regressão, embora quisesse vir, sua mãe lhe disse que não tinha coragem, pois achava (intuía) que estava envolvida nos pesadelos dela. Por conta desse medo, mandou a prima da paciente acompanhá-la em sua regressão de memória.

Ao regredir, a paciente me relatou: – O meu coração está acelerado, estou com medo. Não consigo parar de tremer (ela começa a tremer). Estou presa, alguma coisa me prende às minhas pernas. Estou deitada, as pernas doem. Não consigo movê-las (chora copiosamente).

– Veja o que está acontecendo? – pergunto-lhe.
– Alguém me prendeu… Não vejo nada, só sinto, está tudo escuro.

– Volte antes desta cena para ver quem foi que te prendeu? – peço-lhe.
– Estou deitada no chão em um cômodo, as minhas pernas estão amarradas com cordas, presas a um barril. É uma vida passada, sou morena, meus cabelos são pretos, devo ter uns 20 anos. Vejo uma casa, é de madeira. Uso uma blusa branca, a minha saia é colorida, sou cigana (pausa). Foi a minha mãe que me prendeu… É a minha mãe da vida atual. É o mesmo olhar profundo (os pacientes costumam identificar as pessoas que estiveram com eles em suas vidas passadas através do olhar). Ela também era cigana. Morávamos somente eu e a minha mãe. Meu pai – o mesmo da vida atual – nos deixou. Ele também era cigano. Agora entendo porque ele me superprotege na vida atual. Meu pai ainda se sente culpado (inconscientemente) por ter nos abandonado nessa vida passada. Foi a minha mãe que me amarrou, me prendeu naquele cômodo. Ela não quer que eu fique com o homem que amo. Ela tem medo de me perder, quer me ver sempre por perto. Minha mãe descobriu que eu saia com ele. Ela não me deixa fazer nada, vive me controlando. Tenho que fazer tudo debaixo dos seus olhos. Faz exatamente a mesma coisa na vida atual. Ela me amarrou para que eu não me encontrasse com ele, mas ela não teve a intenção de me matar.

– Volte para o momento de sua morte nessa vida – peço-lhe.
– Estou muito nervosa, com muita raiva dela, não sinto mais dor nas minhas pernas… Acho que morri. Estou flutuando, vendo o meu corpo de cima. Alguém mexe em minhas mãos. Não é minha mãe (pausa) É o rapaz que eu amo. Ele está de costas. Só vejo os seus cabelos. É loiro e encaracolado. Ele não é cigano. Usa roupas velhas, camiseta suja e velha. Ele está triste e muito nervoso. Estou vendo-o de cima, fora de meu corpo, flutuando. Estou nervosa, porque acabou tudo, estou consciente que estou morta, em espírito (chora copiosamente). As minhas mãos pararam de formigar e as minhas pernas estão agora mais leves. Mas carrego comigo ainda muita raiva e nervosismo. Tenho muita coisa presa.

– Repita algumas vezes esta frase em voz alta, peço-lhe: “Sinto raiva e nervosismo”! (O objetivo é fazê-la soltar toda essa carga emocional presa ao passado).
– Ele está chorando, debruçado sobre meu corpo (pausa). Vejo agora um homem me levando embora. É o meu mentor espiritual. Ele tem cabelos pretos e usa roupas claras. Ele costuma vir nos meus sonhos na vida atual”.

– Veja para onde ele te leva? – peço-lhe.
– Ele me leva para um jardim do plano espiritual de luz. Estou triste, não queria morrer. O lugar é bem calmo. O meu mentor espiritual me diz que vou encontrá-lo novamente na vida atual depois dos 21 anos. Diz também que vou reencarnar novamente para me encontrar com a minha mãe. Digo-lhe que não quero voltar porque ela não vai me deixar ficar com ele (chora copiosamente). Fala que devemos confiar uma na outra e que eu tenho que ajudar a minha mãe a ser mais confiante. Diz ainda que ela (minha mãe) vai vir ao seu consultório no devido tempo para se perdoar. Ela quer também fazer regressão, mas tem muito medo e culpa de ver o que fez nessa vida passada.

– Pergunte ao seu mentor espiritual por que você e aquele rapaz precisam se reencontrar novamente? – peço-lhe.
– Precisamos completar, concluir, o que não fizemos naquela existência passada, mas, afirma que na vida atual, desta vez, vamos ficar juntos.

Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente me disse que não estava mais tendo aqueles pesadelos constantes, pois estava dormindo profundamente, só vindo a acordar no dia seguinte.

Aquela tristeza profunda que vinha do nada também havia passado e estava bem mais calma. Não pensava mais em querer fazer tudo ao mesmo tempo para não ‘perder seu tempo’, pois entendera o porquê dessa ansiedade de querer viver (morreu naquela vida passada com 20 anos e hoje está com 21 anos).

Disse-me no final do tratamento que iria fazer de tudo para trazer também sua mãe à regressão para que ela possa se perdoar.

 

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