A benção do esquecimento do passado

Muitos espíritas questionam a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006 dizendo ser perigoso recordar experiências de vidas passadas, pois consideram uma benção o esquecimento do passado. Realmente, esse esquecimento é providencial, tem uma função, não é por acaso.

A providência divina cria um mecanismo de defesa psíquica em forma de esquecimento (amnésia) das experiências traumáticas do passado, seja desta ou de outras vidas.

Em outras palavras, aquilo que nos convêm a gente lembra; o que não nos convêm, ou seja, tudo aquilo que gera dor ao lembrarmos, reprimimos no fundo do inconsciente, procurando esquecer.

Desta forma, existe um mecanismo interno de defesa psíquica que é acionado automaticamente sempre que algo ameaça a nossa integridade moral e/ou emocional. Mas, por outro lado, se não mexermos nas experiências traumáticas, fazendo o paciente revivê-las, ele nunca irá se libertar de seu passado. É como uma ferida purulenta, se não a tratarmos, com o tempo, ela irá se agravando.

É o caso de um paciente que me procurou porque tinha pesadelos constantes à noite, acordava gritando, assustado e suado, mas não se lembrava de seus pesadelos.
Esses pesadelos começaram depois dele ter sido sequestrado em São Paulo, ou seja, sofria de stress pós-traumático. Geralmente esse stress é desencadeado quando a pessoa passa por experiências dolorosas, como: sequestro, violência sexual, perda de um ente querido de forma violenta (assassinato, desastre de carro, etc.).
As imagens da experiência traumática voltam de forma recorrente (repetitiva), gerando crises de ansiedade.

Mas, no caso desse paciente, ele não se lembrava de nada do ocorrido. As lembranças das experiências do sequestro que acabara de passar estavam reprimidas em seu inconsciente e se manifestavam em forma de pesadelos constantes quando estava dormindo. Ninguém em sua casa (morava com os pais e irmãos) conseguia mais dormir por conta desses pesadelos. Nas primeiras sessões de regressão, o paciente não conseguiu trazer as recordações desse sequestro em função desse mecanismo de defesa psíquica que estava resguardando-o de recordar suas experiências dolorosas.

Procurei respeitar seu mecanismo de defesa e esperei que as lembranças viessem espontaneamente, e foi o que aconteceu. Somente na 5ª sessão de regressão, o paciente trouxe suas recordações com forte conteúdo emocional.
Recordou experiências muito dolorosas do período que ficou no cativeiro. Ou seja, lembrou que os sequestradores estavam drogados e brincaram de roleta russa com ele, entre outras coisas.

Portanto, o objetivo da regressão é fazer o paciente recordar o seu passado e fazê-lo revivenciar para poder se livrar das emoções reprimidas. Em muitos casos, o fato de o paciente compreender a causa de seu problema e graças à liberação da carga emocional negativa – que sempre está atrelada à experiência dolorosa de seu passado – por si só tende a se curar. Foi o que aconteceu com esse paciente. Após revivenciar por várias sessões de regressão os acontecimentos dolorosos de seu passado, essas lembranças passaram a não mais incomodá-lo.

No início das regressões, ele ficava tenso, encolhido, chorava muito quando recordava o tempo que ficou no cativeiro.

No final do tratamento, conseguiu trazer o seu passado, desta vez, sem sentir dor e não teve mais aqueles pesadelos.

O mesmo procedimento terapêutico é aplicado nas recordações de vidas passadas. As lembranças de fatos traumáticos de vidas passadas que estavam reprimidos no inconsciente do paciente são afloradas no nível da consciência, espontaneamente, sem forçá-lo a recordar. O paciente só deixa aflorar as lembranças que está em condições de suportar e bloqueia aquelas que ainda o estão violentando.

É importante salientar que na TRE o paciente não se lembra de uma vida passada inteira, mas somente de fatos traumáticos que estão lhe trazendo desajustes no presente.
Neste sentido, nunca é demais afirmar que a regressão a vidas passadas é aplicada somente para fins terapêuticos com o intuito de ajudar o paciente a melhorar sua qualidade de vida. Por isso, não faz sentido aplicá-la apenas para satisfazer curiosidades fúteis, para se descobrir se alguém foi uma personalidade importante em vidas passadas.

Vou agora transcrever um e-mail que recebi de um internauta, leitor assíduo de meus artigos no Portal da Espiritualidade:

 

– Olá Dr. Shimoda, visito regularmente a sua home. Confesso que é o site de melhor conteúdo sobre Terapia de Vidas Passadas, pelo menos dos que eu já visitei. Parabéns! Recentemente o mestre espírita Divaldo Franco esteve em nossa cidade (Macapá, Estado do Amapá), e, apesar de não ter ido à sua palestra, soube que o mesmo fez referência aos seus trabalhos em TRE. Sou psicólogo de formação (há 12 anos exercendo a profissão) e, como atuo na área hospitalar, pretendo me especializar em hipnoterapia e/ou Terapia Regressiva Evolutiva – A Terapia do Mentor Espiritual.  Aqui em Macapá não existe nenhum hipnoterapeuta, muito menos terapeuta em TRE.

Abraços!.

Caso Clínico:
Pacto de Amor Eterno.
Mulher de 32 anos, solteira.

Veio ao meu consultório para entender o porquê de criar obstáculos, desculpas para não se envolver amorosamente com os homens. Desde criança, dizia para si: “Não nasci para casar e constituir uma família. Isso não é para mim”.
Quando um rapaz se interessava por ela, chegava a rezar para ele arrumar outra mulher. Por outro lado, quando se interessava por um homem, evitava-o quando este se aproximava dela, criando desculpas para si, justificativas para não se envolver afetivamente.
Queria entender também o porquê de estar viva, de viver; ao contrário, tinha uma fascinação pela morte. Não encontrava, portanto, uma razão para viver.

Ao regredir, ela me relatou: “Vejo o retrato de um homem com bigode, cabelos castanhos, pele clara. Deve ter uns 40 anos. Tenho a sensação de estar segurando este retrato e olhando para ele, mas não estou me vendo”.

– Mentalmente, dê uma olhada nos seus pés nessa cena – peço-lhe.
“Estou descalça e os meus pés são brancos. Tenho a impressão de que estou com os meus braços apoiados numa escrivaninha, sentada num banquinho. É noite, tem um lampião em cima de um tripé de madeira. Estou sozinha, uso um vestido bem longo, claro, as mangas são fofas, uso um colete e os meus cabelos são pretos, com cachinhos. Estou debruçada na escrivaninha olhando esse retrato desbotado (pausa). Sinto saudade, muita saudade desse homem”. (paciente começa a chorar copiosamente).

– Repita algumas vezes essa palavra “saudade” – peço-lhe.
“Agora, sinto como se o retrato se ampliasse” (pausa).

– Que recordação vem acerca desse homem? – pergunto-lhe.
“ Esse homem do retrato é o meu avô materno da vida atual. Não o conheci, só o vi numa foto que a minha mãe me mostrou… Ele foi o meu marido dessa vida passada, mas é bem diferente fisicamente do meu avô de hoje. Vem saudade porque ele morreu nessa vida passada. Fiquei viúva e me vejo segurando o seu retrato. Sinto muita tristeza. Ele era carinhoso, amigo e companheiro. Sinto uma perda muito grande” (chora copiosamente).

– Volte antes dessa cena do retrato, e veja como foi sua vida nessa existência passada? – peço-lhe (pausa).
“ Vejo-o andando numa rua de pedras redondas. Ele caminha com uma bengala e usa uma cartola na cabeça, cumprimenta as pessoas com gestos… Passa uma charrete e tem um jardim do lado. Agora o vejo se despedido de mim, acenando com a cartola… É só o que eu consigo ver”.

– Pergunte para o seu mentor espiritual por que hoje você cria obstáculos para não se envolver amorosamente com os homens? – peço à paciente.
“ Está vindo novamente a imagem de meu marido dessa existência passada. Ele está olhando para mim”.

– Como é o olhar dele? – pergunto-lhe.
“ É de tranquilidade, como se soubesse da resposta (pausa). Diz que fizemos um trato – de comum acordo – em que combinamos que não iríamos nos envolver com mais ninguém. Fizemos esse acordo ainda em vida naquela existência passada. Por isso, ele não me libera para eu me envolver com outro homem. (pausa). Agora estou vendo também a presença de outro homem, um velho. Ele está do lado do meu marido, orientando-o”.

– Quem é esse velho? – pergunto-lhe.
“ É o rabino que nos casou na época. Meu marido acredita nas palavras do rabino que lhe diz que o casamento é eterno e, portanto, ninguém deve ficar com outra pessoa”.

– Peça ajuda para o seu mentor espiritual que afaste o rabino para você conversar melhor com o seu marido – peço-lhe.
“Vejo agora uma mão segurando o braço do rabino e o afastando do meu marido. O rabino está se afastando, mas reclamando”.

– Converse com o seu marido e lhe diga que esse pacto foi feito nessa existência passada, e que agora não faz mais sentido preservá-lo, porque ambos estão em planos diferentes: ele está desencarnado no mundo espiritual e você encarnada no mundo terreno.

Peça-lhe para que a liberte desse pacto, e que cada um trilhe o seu caminho e sejam felizes. (pausa).
“ Eu lhe disse também que se ele me amava verdadeiramente, então que me soltasse. Ele ficou triste, mas concordou. Virou as costas e foi embora”.

– E você, como se sente? – perguntei-lhe.
“ Estou me sentindo aliviada, sem nenhum apego. Agora entendo também o meu fascínio pela morte. Era a interferência espiritual do meu marido dessa vida passada(avô materno de hoje) que queria que eu ficasse com ele no mundo espiritual”.

No final da sessão, ela me disse que tinha perdido o seu tempo por não encontrar um companheiro e constituir uma família. Sentia agora que estava aberta para um relacionamento amoroso.

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