Esvazie sua mente para entender a vida

Um discípulo veio procurar um mestre Zen (tipo de meditação contemplativa japonesa que visa levar o praticante à experiência direta da realidade através da observação da própria mente e da paralisação dos pensamentos) para que lhe mostrasse a verdade da vida. Em silêncio, o mestre serviu chá ao discípulo enchendo sua xícara. Apesar de a xícara estar transbordando de chá, ele continuou a enchê-la.

Não aguentando mais, o discípulo lhe indagou se ele não estava percebendo que a xícara estava transbordando de chá. O mestre então lhe respondeu: “Da mesma forma que essa xícara, se sua mente estiver cheia, saturada de preconceitos, de ideias preconcebidas, de crenças, como vou poder lhe passar a verdade da vida?”.

Ato contínuo esvaziou a xícara, enchendo-o novamente de chá e afirmou: “Só assim vou poder lhe passar os ensinamentos”.

Não por acaso, o físico Albert Einstein disse: “É mais fácil quebrar o núcleo de um átomo do que os preconceitos humanos”.

Quando em 2006 estava no início da elaboração da TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor espiritual (ser desencarnado de elevada evolução espiritual, responsável diretamente pelo nosso aprimoramento espiritual) – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim, uma mentora espiritual de uma paciente me mandou o seguinte recado: “Nessa terapia, a TRE, alguns pacientes vão resistir em se entregar, mas muitos também irão resistir inicialmente, mas depois irão se entregar e se transformar”. A resistência que ela estava se referindo era em relação à mente do ego dos pacientes, que é a mente da dúvida, incredulidade, ceticismo, dos preconceitos, valores morais, religiosos e culturais acerca da regressão de memória, hipnose e assuntos espirituais correlatos como vida após a morte, reencarnação, plano espiritual, obsessores espirituais, mentores espirituais, mediunidade, etc., além, obviamente, do medo do desconhecido.

Não podemos esquecer também que vivemos numa sociedade ocidental que valoriza e reforça muito o materialismo científico (só é real, aceitável, aquilo que é observável, palpável, concreto, mensurável, replicável) e o raciocínio lógico, cartesiano.

Desta forma, os pacientes muito céticos, incrédulos, excessivamente racionais, encontram muita dificuldade de se entregarem nessa terapia. Dentro do processo regressivo, o hemisfério direito do cérebro (intuição) é muito utilizado, exigido pelo paciente, pois a lembrança reencarnatória ou mesmo o reconhecimento de seres espirituais – seja das trevas (obsessores espirituais) ou da luz (mentores espirituais) se dão – na maioria das vezes – de forma intuitiva, em impressão, sensação. É aqui que entra a fé ou não ter fé.

Santo Inácio de Loyola, mentor espiritual do médium brasileiro de cura, João de Deus, disse: “Aos que creem, nenhuma palavra é preciso; aos que não creem, nenhuma palavra é possível”.

O paciente descrente tende a duvidar, achar que é imaginação, fantasia o que percebeu na sessão de regressão porque acredita que o que não pode ser entendido ou explicado pelo intelecto, não existe.

Mas por quê?

Porque a mente racional do ego se fecha, fica presa, circunscrita apenas nos limites da razão, dos cinco sentidos, e a intuição não pode penetrar. É por isso que Einstein dizia também “que não existe caminho lógico para a descoberta das leis universais; o único caminho é a intuição”. Ou seja, só aqueles que são capazes de ir além das limitações da lógica racional conseguem intuir. Eu me recordo de um paciente, um físico, com P.h.D (doutorado) pelo MIT(Massachusetts Institute of Technology), um Centro de excelência universitário de educação e pesquisa privado em Cambridge, Massachusetts, nos EUA.

Após passar pela 1ª sessão de regressão, ele me disse: “Aconteceu algo aqui que vai além da capacidade de compreensão, de entendimento do meu intelecto”.

Muitos pacientes me indagam se o que trouxe na regressão de memória foi uma imaginação, fantasia, ou realmente uma memória reencarnatória de uma vida passada. O Dr. Júlio Peres, neuropsicólogo brasileiro do INTVP (Instituto Nacional de Pesquisas e Terapia Vivencial Peres) pesquisou o funcionamento do cérebro durante o processo de regressão a vidas passadas com pacientes voluntários. Fez esse estudo em parceria com a Universidade de Pensilvânia – EUA.

O exame de ressonância magnética com os pacientes em regressão de memória revelou que as estruturas do cérebro que entraram em atividade foram o lobo médio temporal (memória) e o lobo pré-frontal esquerdo (emoção).

Conclusão da pesquisa: Os relatos das vidas passadas descritos pelos pacientes nas sessões de regressão não foram fruto da imaginação, pois a estrutura do cérebro responsável pela imaginação (lobo frontal) não foi ativada.

É importante esclarecer também que a razão (ego) reconhece dois elementos: a) conhecido; b) desconhecido (o que ainda não é conhecido), enquanto que a intuição, o sentir, que é a linguagem da alma, do espírito, reconhece um 3º elemento que é o incognoscível (tudo que não pode ser conhecido, entendido pela razão, intelecto).

O incognoscível são os segredos, os mistérios da vida. Todavia, na vida existem coisas mais profundas que a razão não pode entender, mas a vida tem suas razões.

Caso Clínico: Medo de não constituir uma família, ficar sozinha e velha.

Mulher de 35 anos, solteira.

Paciente me procurou por estar muito angustiada, depressiva, querendo entender a sua vida afetiva, pois tinha medo de se envolver com um homem e ser rejeitada. Quando conhecia um homem e este se interessava por ela, dava o seu telefone errado, mentia o seu nome. Mas o destino lhe pregou uma peça: acabou conhecendo o Antônio (nome fictício) e se envolveu com ele; porém, como ele tinha acabado de se separar de sua esposa, estava confuso e lhe disse que não queria se envolver com ela. No entanto, meses depois a procurou novamente, mas sumiu de novo.

Desde que se envolveu com Antônio ficou muito estressada a ponto de sentir uma sensação de desmaio, mal súbito, que às vezes vinham acompanhados de angústia, vazio, ficava desequilibrada, perturbada. Se estava em casa, não queira sair, tinha que ficar quieta para passar esse mal súbito; se estava na rua quando sentia esse mal súbito queria voltar o quanto antes para casa. Muitas vezes, quando sentia esse mal estar dava vontade de chorar.

Desde a adolescência sempre teve medo de não encontrar seu verdadeiro companheiro e não constituir uma família, e isso estava refletindo atualmente em seu trabalho. Desta forma, queria entender por que essa ligação tão forte que sentia pelo Antônio, apesar dele não querer se envolver, ter um relacionamento sério com ela.

Queria saber também qual era seu verdadeiro caminho profissional, pois tinha dúvidas em definir qual a especialidade que teria que escolher como médica.

Após passar por quatro sessões de regressão, a paciente me relatou: “Estou sentindo a minha mão direita, o dorso quente e formigando (era um ser espiritual de luz que estava segurando a sua mão). Alguém segura a minha mão, mas é uma sensação boa. Sinto a mão pulsar… Agora, soltou”.

– Pergunte em pensamento para esse ser espiritual se ele tem algo a lhe dizer? – Peço à paciente.

“Veio à impressão (intuição) que esse ser diz que está tudo bem, mas fico duvidando se sou eu que estou respondendo (é comum nessa terapia o paciente duvidar – ao se comunicar com os seres desencarnados – se o que vem à sua mente, a resposta, é mesmo de um ser espiritual ou é o próprio paciente que está respondendo, pois em 90% dos casos a comunicação com os seres espirituais ocorre de forma telepática, em pensamento, isto é, de forma intuitiva).

Parece que é uma mulher e a impressão que ela me passa é muito boa… Não sinto mais dormência na minha mão, mas sinto pulsar como se ela tivesse passando vida, o pulsar representa a vida. (pausa).

Agora, eu a vejo melhor, ela tem cabelo preto, ondulado, usa roupa azul”.

– Pergunte a esse ser de luz quem é ele? – Peço-lhe.

“Diz que é a minha mentora espiritual. Fala que está tudo bem (paciente fala chorando).

É um choro de emoção, coisa boa. Falou que o meu sofrimento vai acabar, pede para me acalmar. Diz ainda: – Madalena (nome fictício da paciente) tenha fé!

Deixe que as coisas venham naturalmente em sua vida. Já passou! (paciente chora copiosamente).

É como se o sofrimento que eu tinha que passar havia terminado. A minha mentora espiritual fala que sou uma boa filha, apesar de às vezes não ter paciência com minha mãe. Fala ainda que tenho um bom coração, mas que preciso me valorizar mais, não fazer só pelos outros, mas cuidar de mim também”. (pausa).

– Pergunte-lhe por que desde a adolescência você tem medo de se envolver com os homens e ser rejeitada?

“Revela que vêm do abandono de uma vida passada… Vejo uma mulher com um pano na cabeça. Sou eu nessa vida passada. Estou na sarjeta de uma rua, não vejo o meu rosto, mas sinto muita tristeza, pois fui abandonada pelo meu marido. Eu me sinto acabada, sofrida… Acho que morri nessa sarjeta me sentindo abandonada e rejeitada”.

– Pergunte à sua mentora espiritual por que essa ligação tão forte que você sente pelo Antônio?

“Fala que vem de muitas vidas, que fomos marido e mulher em todas elas. O Antônio é a minha alma gêmea, mas que estamos em patamares diferentes (almas gêmeas –embora muitos acreditem que são almas idênticas, como um clone – na verdade, não são iguais, pois no Universo não existe ninguém idêntico, igual ao outro, pois somos diferentes, a nossa alma guarda em si uma individualidade inviolável; sendo assim, duas almas gêmeas podem estar em patamares diferentes de evolução espiritual, um mais evoluído e o outro menos).

Fala também que o Antônio, minha alma gêmea, precisa se esclarecer mais espiritualmente e resolver algumas pendências cármicas, e só assim vamos ficar juntos como casal. Pede para ter fé, orar por ele, mas diz que vai ficar tudo bem entre nós”.

– Pergunte-lhe de onde vem essa sensação de desmaio, mal súbito que vem acompanhados de angústia e vazio?

“Diz que vem mais do Antônio do que de mim (almas gêmeas, por serem almas afins, estão muito ligadas a ponto de um sentir o que o outro sente). Fala que devo orar por ele para melhorar esse mal súbito que sinto”.

– Pergunte-lhe qual é o seu principal aprendizado, lição maior que você deve aprender na vida atual?

“É me amar, pois esclarece que não adianta amar os outros se não me amar. Mas afirma que com essa terapia, a TRE, já entendi o propósito de minha vida que é me conhecer melhor para me melhorar enquanto ser humano, aceitar e confiar que sou boa porque ainda sou descrente a meu respeito… Vejo agora no plano espiritual de luz, um jardim com gramado bem verde, vasto, vários seres de luz, todos vestidos de branco. (pausa).

A minha mentora espiritual me mostra o plano de luz dizendo que sou muito amada por esses seres de luz, que é a minha família espiritual (é a nossa verdadeira família, de onde viemos do plano espiritual), e que todos torcem e oram por mim”.

– Pergunte-lhe como você pode se amar mais?

“Fala que é cuidando mais de mim, fazendo as coisas que gosto, que me fazem bem, como por exemplo, saindo mais de casa, procurando mais os meus amigos, não me isolando como venho fazendo. É não recusar os convites das pessoas para sair”.

– Qual é o seu verdadeiro caminho profissional?

“Ela diz que é dar conforto aos que sofrem como médica. Na verdade, não queria, mas agora entendo que o lugar onde trabalho na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) é o lugar certo para eu trabalhar. Diz ainda que é por isso que desde criança queria ser médica, pois já sabia que seria essa minha profissão, e que foi ela que me orientou, intuiu a trabalhar na UTI do Hospital, onde não queria trabalhar.

Esclarece que a maioria dos médicos intensivistas não tem preparo para lidar com a morte dos pacientes porque foram treinados, orientados para salvar vidas e não preparar os pacientes moribundos à morte. Por isso, a minha missão é preparar esses pacientes, ajudando-os, fazendo a transição para o plano espiritual. Então, como médica intensivista e tendo uma visão mais espiritualizada vou poder ajudá-los melhor. Esclarece também que foi ela quem interviu a não dar certo eu me transferir para o setor de pediatra, onde queria trabalhar. (pausa).

Vejo agora vários leitos, um ao lado do outro, num campo de guerra… É outra vida passada, onde era também uma médica que amputava pernas dos soldados feridos. Fazia também curativos para salvar os pacientes.  Já pensei em trabalhar como médica sem fronteiras, mas a minha mentora espiritual fala que não preciso sair do Brasil”.

– Pergunte para sua mentora espiritual se ela tem mais algo a lhe dizer?

“Ela agradece ao senhor por seu trabalho, que essa terapia, a TRE, é excepcional, que antes de eu vir a essa terapia ela tinha dúvidas se eu iria conseguir me entregar nas sessões de regressão porque sou muito hiperativa e com dificuldade de concentração, mas ela confessa que se surpreendeu, pois me saí muito bem, eu me entreguei nessa terapia. Fala que o plano espiritual de luz está muito feliz com os resultados que obtive nessa terapia, que foi melhor do que todos imaginavam.

Diz que não preciso mais voltar a essa terapia. Mas, se mais para frente sentir necessidade, eu posso voltar. Diz ainda que sempre se comunicou comigo, porém, a minha descrença, o meu lado racional (ego), a minha falta de confiança em mim, não me permitiu acreditar em minha intuição. Afirma que sempre se comunicou comigo em pensamento, intuitivamente.

Afirma também que no fundo eu sabia que havia uma força maior responsável por determinados acontecimentos em minha vida. Ela me dá como exemplos o fato de passar na Faculdade de Medicina e depois na residência do Hospital onde trabalho atualmente. Revela que sempre eu soube que esses acontecimentos não dependiam só de  mim, que eu sabia que iria ser dessa forma, tanto que depois veio a se confirmar. No entanto, mesmo assim, eu duvidava de minha capacidade de intuir. Pede só para ter fé em mim e nos seres de luz que me amparam sempre. (pausa).

Agora, estou lhe perguntando qual a conduta que devo tomar em relação ao Antônio?

Diz para eu baixar a minha guarda, orar por ele, e aguardar que ele vai ter o tempo dele para se refazer, pois acabou de se separar de sua esposa. Pede para me aquietar, não pedir muito a opinião de minhas amigas. É para confiar mais em mim, em minha intuição, no que sinto. Ela está se despedindo, fala que tudo vai ficar bem, que o que eu tinha que saber nessa terapia, eu soube”.

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