O Apego leva ao sofrimento

Buda, Siddharta Gautama, dizia que o apego é um dos pilares que sustenta o sofrimento humano. É o apego de toda ordem: apego ao passado, às humilhações, ofensas, maus tratos, o sofrimento que alguém nos causou, e que a gente não esquece, não perdoa de coração, por conta do orgulho – outra forma de apego; apego aos bens materiais – são pessoas que preferem reagir ao assalto e perder suas vidas a entregar seus carros; apego à negatividade, vendo tudo com os olhos do mal, do pior, do temor, do criticismo, vendo e apontando só os defeitos alheios; apego ao corpo, à beleza física apenas – não por acaso, muitas mulheres sofrem de transtorno alimentar como a bulimia (excessiva preocupação em não engordar e, com isso, se ingerir uma comida provocam vômitos por sentirem culpa) e a anorexia (medo intenso de engordar a ponto de chegar a uma magreza exagerada que pode levar a um grau de desnutrição extrema chamada caquexia) por se apegarem ao corpo.

São excessivamente vaidosas, prendem-se apenas ao aspecto externo, esquecendo-se de desenvolver os aspectos internos como a bondade, compaixão, caridade, simplicidade, humildade, sabedoria e equilíbrio interno.

O apego é que nos impede também de largar o velho e partir para o novo, e isso dificulta uma mudança verdadeira. É o apego que faz com que se cultivem os vícios, inclusive os emocionais. É o caso da dependência afetiva, onde o casal nutre um relacionamento tóxico, doentio, destrutivo, e mesmo a solidão a dois.

Nesses casos, o cônjuge exerce na vida do outro como uma droga exerce nos drogaditos (viciados em drogas). O relacionamento é decorrente de um “amor” tirano, déspota, possessivo, ciumento, que tolhe, sufoca a liberdade do outro, mas mesmo assim, o casal não se separa, pois o cônjuge funciona na vida do outro como uma droga nociva. O apego à dor, ao sofrimento, cria o medo do novo, do desconhecido. Mas a vida é feita de escolhas dos quais teremos que assumir responsabilidades, e isso significa sair do papel de vítima, parar de culpar, responsabilizar os outros, a vida pelos nossos infortúnios. No entanto, a minha prática clínica me ensinou que infelizmente muitos pacientes estão dispostos a tudo, menos abrir mão de sua própria dor, de seu apego.

Por isso, Freud, o pai da psicanálise, dizia: “Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, o ser humano tende a mudar”.

Neste aspecto, só existem dois caminhos para o ser humano evoluir, crescer, meta única da reencarnação: pela dor ou pelo amor. Por isso, numa das sessões de regressão a mentora espiritual de uma paciente sabiamente lhe disse: “Filha, desapegue-se de tudo, menos de Deus”.

Caso clínico: Perda do pai

Mulher de 53 anos, solteira.

A paciente veio me procurar por conta da perda de seu pai e, após seu falecimento, perdeu 5 kilos, pois comia forçada, sentia muitos enjoos, depressão, ficou sem chão. Morava sozinha em São Paulo, na capital, e depois da morte do pai, sua mãe de 77 anos passou a morar sozinha (sua irmã e cunhado moravam perto da casa dela).

Por conta da idade avançada de sua mãe, ficava preocupada em deixá-la morar sozinha (a mãe morava no interior de São Paulo).

Por isso, queria saber nessa terapia se a solução era mudar-se para o interior e morar com a mãe; mas, para isso tinha que deixar o seu emprego na capital. Ficava também se remoendo, culpando-se se fez a escolha certa ao mudar-se para São Paulo e ter deixado seus pais idosos no interior. Queria saber também qual era o seu verdadeiro propósito de vida (missão), bem como seu principal aprendizado nesta vida.

Depois da morte do pai, sentia também palpitação quando acordava e um gosto amargo na boca, além da falta de apetite. Desde a adolescência se interessava por assuntos espirituais e, com a morte do pai, intensificou suas pesquisas sobre assuntos ligados à espiritualidade como a vida após a morte. Começou a questionar sobre a finitude desta vida, pois, num piscar dos olhos, perdera o seu pai.

Na 1ª sessão de regressão, assim ela me relatou: “Sinto que tem uma pessoa (ser espiritual) do meu lado esquerdo segurando um cajado, parece um ancião, usa roupa branca e barba também branca… Vi também de relance o rosto de meu pai falecido sorridente (é comum nessa terapia os seres espirituais – seja das trevas ou da luz – aparecerem aos pacientes só mostrando seus rostos ou partes deles, isto é, um par de olhos ou um olho)”.

– Pergunte em pensamento a esse ancião, ser espiritual, quem é ele? – Peço à paciente.

“Fala que é o meu mentor espiritual, pede para não me preocupar, que está tudo certo, pede para ter mais confiança, pois tudo vai ser encaminhado (paciente fala chorando).

Fala ainda que o meu pai está bem, que a minha mãe vai ficar bem, e que no momento certo vou saber o que fazer. Diz que tenho que trabalhar a minha ansiedade, que tudo na vida sempre ocorre no momento certo, e que o falecimento de meu pai veio para mostrar que tenho que trabalhar bastante o meu lado espiritual. Revela ainda que preciso aprender a me desapegar de muitas coisas, mas que estou no caminho certo ao estar pesquisando esse lado espiritual. (pausa).

Nossa! Tive a impressão que vi uma luz bem forte em cima de minha cabeça!

É uma luz branca, que brilha intensamente. O meu mentor espiritual me orienta dizendo que não é hora ainda de eu voltar para a cidade onde minha mãe reside, tenho que ficar em São Paulo, pois é aqui que vou conseguir muitas coisas.

Ele me diz: – Não tente mudar o curso do rio! Esclarece que era a hora de meu pai ter partido desse mundo. Falou para não ser ansiosa e confiar mais na espiritualidade.

Diz que tenho poder de ajudar as pessoas, que devo exercitar esse poder com palavras e sorriso, ser uma luz na vida das pessoas”.

Na 2ª sessão de regressão, a paciente me relatou: “O meu mentor espiritual já está aqui… Não sei se pode ser, se isso é possível, mas ele trouxe o meu pai… Eles estão num jardim do plano espiritual de luz. Meu pai usa uma bata branca, longa, está do lado de meu mentor espiritual (paciente fala chorando muito).

O meu pai está com aspecto mais jovem (ele faleceu com 78 anos), aparenta ter entre 40 a 50 anos. Ele me pergunta por que estou duvidando se é ele mesmo?

Falo que não tenho palavras (chora muito). Falou para não me preocupar que ele está bem no plano de luz, que não deu tempo para ele me esperar no hospital onde estava internado, pois tinha que partir no dia seguinte (ela viajou e não conseguiu chegar a tempo para vê-lo ainda vivo).

Pede para não ficar me remoendo, achando que não fez isso ou aquilo para ele. Diz que às vezes teve que ser muito rígido comigo como pai porque senão eu não iria encontrar o meu caminho, por isso teve que ser assim para que eu amadurecesse. Diz ainda que está num lugar muito bonito, em paz. Fala que me ama muito, que agora precisa ir. Esclarece que o motivo dele vir conversar comigo foi para se despedir de mim e dizer que me ama muito, que está bem no plano de luz, mas que sente saudade da família… Eu o vejo todo iluminando, ele está muito bem… Ele está se despedindo de mim, indo embora num jardim bonito do plano de luz. (pausa).

O meu mentor espiritual fala que o meu pai queria falar comigo, pois sentia o meu sofrimento e foi dada essa permissão. Diz que agora tem que ir embora também”.

Na 3ª sessão de regressão, a paciente me relatou: “Estou vendo novamente aquele jardim do plano de luz. Vejo o meu mentor espiritual que me fala: – Tenha calma, serenidade e paciência!

Eu lhe perguntei se vou encontrar o meu verdadeiro companheiro?

Diz que quando era mais jovem tive a oportunidade de formar uma família, mas que não soube identificar o meu marido, por orgulho e preconceito e, com isso, deixei passar essa oportunidade de casar e constituir uma família. Mas que isso não trouxe nenhum prejuízo em minha evolução e esclarece que até evoluí mais porque tive que resolver tudo sozinha em minha vida, e isso me fez crescer. Talvez se tivesse um marido iria me acomodar, me escorar nele. Ele fala: – Você veio nesta vida para perder o medo. Você iria se acomodar, ser muito dependente de seu marido, ou o contrário, ser muito controladora.

Você teve que passar por uma caminhada sozinha para amadurecer; se tivesse casada, seu relacionamento afetivo não iria dar certo. Vai vir seu verdadeiro companheiro ainda nesta vida, onde vocês serão parceiros. Não vai ser aquela paixão, mas serão bons companheiros. Cuide de sua mãe com amor e carinho. Seja humilde e cuidado com as palavras”.

Na 4ª sessão de regressão, ela me relatou: “O meu mentor espiritual fala que está muito contente por eu estar fazendo esse tratamento, que já era para ter começado essa terapia antes, pois teria aceitado melhor o desencarne de meu pai porque ele teria me preparado, me mostrado o desencarne de meu pai. Mas diz que não importa isso agora, pede sempre para elevar meu pensamento a Deus, que o socorro vem do Alto, e pede para ter fé. Ele diz: – Estou muito feliz pela sua caminhada!

Fala que realmente tenho conseguido ficar mais perto dele, que amadureci muito, entendi muitas coisas da vida, e que agora sei que tudo tem um propósito.

Pede para que sempre ore, que tenha humildade, e diz: – Leia bons livros que vão te enriquecer. Hoje mesmo em seu trabalho você teve uma experiência com sua colega que estava muito nervosa. Você elevou seus pensamentos e não entrou na negatividade, na vibração negativa dela, e aquele clima ruim se dissipou. A energia ruim de sua colega não te contagiou. Parabéns! Antes, você deixava ser contagiada, ficava tensa, nervosa, e não conseguia trabalhar direito. Se você não tivesse fazendo essa terapia, estaria doente porque a cura está em se sintonizar com o Alto (Deus) e isso você resgatou nessa terapia. O seu principal aprendizado, lição maior é a humildade, saber exercer a liderança com humildade, pois como você tem facilidade de aprender com rapidez, precisa ter paciência com os que têm mais dificuldade.

Você nunca teve paciência, pois seu raciocínio é muito rápido e, por isso, vem gente trabalhar com você com mais dificuldade de aprender o serviço justamente para você exercer a paciência, humildade e ensiná-las. Essas são as suas principais lições que deve aprender, leve essas lições a sério”.

Na 5ª e última sessão, ela me disse: “Vejo uma cidade que irradia muita luz, as pessoas estão todas vestidas de branco, as construções têm cones altos, o lugar tem muita harmonia. Há muito verde, flores, e é muito limpo… Meu mentor espiritual me dá boas vindas, diz que essa cidade é uma colônia do plano espiritual muito evoluída.

Diz que está me mostrando essa cidade para que eu saiba que existem essas colônias espirituais para fortalecer a minha fé na existência do plano invisível, que existe vida após a morte. Afirma que não existe morte, e que tudo é uma evolução, embora lenta; por isso, não adianta ficar ansiosa, pois tudo acontece no tempo e na hora certa. Diz ainda que está contente por eu estar me conectando com ele, mas ressalta que só pude fazer isso ao vir a essa terapia. Falou que só agora pude perceber que realmente existe uma ajuda espiritual, que existe vida após a morte, que tudo tem um propósito, e que tudo é mostrado no seu devido tempo.

Pede para me concentrar no presente, pois é através dele que construímos o futuro, e que o passado serve para extrair lições e não para ficar apegada nele. Pede também para aproveitar o meu tempo de forma edificante, não o desperdiçando.

Revela que tem bastante luz em meu caminho, e que ele sempre vai estar comigo, mas preciso me sintonizar com ele”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual como você pode se sintonizar mais com ele? – Peço à paciente.

“Diz que é através de bons pensamentos e orando. Fala que não posso ficar sem orar, pois se não me sintonizar com a luz, caio na escuridão, e aí tudo desanda. Afirma que sou uma pessoa bem sucedida porque sempre me sintonizei com a luz, e que tenho muitos amigos, seres espirituais de luz, que sempre me amparam. Eu agradeço a todos por esse amparo (paciente fala chorando).

Diz que está encerrando o nosso tratamento, e que agora tenho as ferramentas para caminhar sozinha. Agradece muito ao senhor, Dr. Shimoda, fala que foi uma excelente terapia, a TRE, reitera novamente dizendo que se não tivesse vindo a essa terapia, teria adoecido porque não teria me conectado com ele.

Pede para o senhor continuar com esse trabalho porque ainda o senhor vai poder ajudar muita gente, que esse trabalho está sendo também um passo muito grande em sua evolução… Vejo muita luz aqui no consultório, há outros seres de luz juntos com o meu mentor espiritual. Ele agora está se despedindo, indo embora”.

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