Falando com os espíritos

Conversar com os espíritos é algo muito mais comum do que muitos possam imaginar. Quando era psicanalista, uma mãe me falou preocupada que seu filho de quatro anos vivia conversando sozinho com um “amigo invisível”. Eu lhe orientei na ocasião que isso era normal, pois a psicologia explica que a criança em seu desenvolvimento passa por uma fase de fantasia, de criar personagens, de conversar e interagir com eles, próprio dessa idade.

Hoje percebo que essa explicação que dei àquela mãe apreensiva fora muito simplista, reducionista, pois, nem sempre quando uma criança conversa com “alguém” é algo fantasioso, produto de sua imaginação.

Em muitos casos, a criança pode, sim, estar conversando com um amigo mesmo, ou seja, com um espírito, um ser desencarnado. Por isso, ouvir vozes, seja em crianças ou adultos, pode ser uma fantasia, um transtorno psiquiátrico (loucura, um surto psicótico) ou mesmo mediunidade – nesse caso, a pessoa realmente está escutando, tendo uma comunicação espiritual, extrafísica.

Nesse aspecto, existe uma diferença entre a voz interior (você conversando consigo mesmo, um diálogo interno, intrapsíquico) e a voz exterior (você conversando com um espírito).

Ao passar pela TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual (ser desencarnado de elevada evolução espiritual, responsável diretamente pelo nosso aprimoramento espiritual) – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006, é comum o paciente conversar com um espírito – seja das trevas (obsessor espiritual) ou da luz (mentor espiritual) e ficar em dúvida se está conversando consigo mesmo ou com um ser espiritual.

Mas por quê?

Porque em 90% dos casos, nessa terapia, a TRE, a comunicação com os espíritos ocorre de forma intuitiva, isto é, em pensamento (vêm palavras ou frases à mente) ou em forma de impressão, sensação (o paciente intui, tem a impressão que o ser espiritual está lhe dizendo algo). Por isso, a maioria de meus pacientes conversa com os espíritos nessa terapia intuitivamente, em pensamento. Sendo assim, a comunicação se dá telepaticamente, pois os seres espirituais entram em suas mentes e leem seus pensamentos.

Mas em 10% dos casos, o paciente escuta nitidamente um espírito falar de fora, no “pé de seu ouvido”. Como ele escuta nitidamente o espírito falar por ser um médium audiente, não tem dúvida nenhuma que está conversando com um ser desencarnado.

Em 2006 quando estava no início da elaboração dessa terapia, a TRE, eu ia pedir ao paciente perguntar ao seu mentor espiritual qual era a causa de seu problema (nessa modalidade de terapia, o meu papel como terapeuta é intermediar, estimular a comunicação entre o paciente e seu mentor espiritual para que ele possa lhe mostrar a causa e resolução de seus problemas, bem como as aprendizagens necessárias e indispensáveis à sua evolução espiritual) o paciente me disse: – Dr. Osvaldo, o meu mentor espiritual me falou em pensamento, veio à minha mente, que a causa do meu problema de vitiligo (doença de pele causada pela falha de pigmentação, isto é, da falta de melanina que é uma proteína responsável pela coloração da pele) vem de outra vida, onde discriminei, prejudiquei muito escravos negros como capataz de uma fazendo no período colonial. Por isso, pela lei do carma (também chamado de lei do retorno, da semeadura, causa e efeito) estou agora colhendo, sentindo na pele a dor da rejeição, da discriminação que causei aos negros na vida passada, pois não consigo arrumar um emprego por conta dessa doença, o vitiligo.

Foi aí que entendi que os espíritos leem nossos pensamentos, pois, no caso desse paciente, nem formulei a pergunta e, no entanto, seu mentor espiritual lhe respondeu antecipando o que eu ia lhe perguntar.

Sendo assim, na maioria das vezes, os seres espirituais se comunicam com a gente por meio de nossa voz interior, em pensamento, intuindo-nos. Por isso, nem sempre bons ou maus pensamentos vêm de nossa mente. Muitas vezes, quando vem um mau pensamento, principalmente quando vem subitamente, sem um motivo aparente, você pode estar sendo atacado, assediado espiritualmente.

Eu me recordo de uma paciente que me relatou depois da 1ª sessão de regressão, após ter saído de meu consultório quando estava no metrô, o trem estava chegando à plataforma de embarque e desembarque, subitamente, veio um pensamento suicida: “Se joga, se atira, agora é o momento!”.

Assustada com a ideia suicida que veio à sua mente de forma inesperada e repentina deixou o trem passar para se recompor.

Perguntei à paciente como havia saído da 1ª sessão. Ela me respondeu que saiu bem, estava tranquila, não estava triste e nem alegre. Quando iniciamos a 2ª sessão, ela me disse: “Dr. Osvaldo tenho a impressão que alguém está rindo de mim, a risada não escuto de fora, mas dentro de minha cabeça, vem em impressão. É uma gargalhada de um ser espiritual masculino que me diz: – Gostou do susto que lhe dei no metrô? Vi sua cara de espanto!”. Era o seu obsessor espiritual, onde ela tirou sua vida numa existência passada.

Do mesmo modo, quando vem em nossa mente um bom pensamento, pode ser o nosso mentor espiritual nos intuindo. Lembro-me do caso de outra paciente que me relatou que já estava encerrando seu expediente no escritório de advocacia onde trabalhava como advogada e seu chefe lhe entregou um processo para refazê-lo, pois havia um erro que não podia passar. Pensou: “Ele me entregou esse processo justamente no final de meu expediente onde tenho um compromisso hoje à noite. Não vai dar tempo, vou ter que desmarcá-lo”.

Estava chateada com o imprevisto, porém, subitamente, escutou uma voz interior: “Não precisa desmarcar seu compromisso, vai dar tempo, não se preocupe, você vai encontrar esse erro”.

Ao ler o processo com calma, encontrou o erro e chegou a tempo no seu compromisso. Numa das sessões de regressão, seu mentor espiritual lhe esclareceu que foi ele que a orientou a respeito daquele processo.

Caso Clínico: Por que os homens somem de minha vida e me trocam por outras mulheres.

Mulher de 37 anos, solteira.

Paciente me procurou querendo entender por que em seus relacionamentos afetivos (teve quatro namorados) foi traída, trocada por outras mulheres, e até hoje eles estão casados com elas. Por conta dessas frustrações amorosas veio a essa terapia saber se iria encontrar seu verdadeiro companheiro e ter filhos.

Queria saber também por que seus pais biológicos não a criaram e a deram para ser adotada (nunca chegou a conhecer seus pais biológicos).

Por último, queria saber qual era o seu verdadeiro propósito, sua missão de vida.

Na 1ª sessão de regressão, ela me relatou: “Vejo uma casa grande de madeira, é uma época bem antiga (paciente estava vendo uma cena de sua vida passada).

As mobílias são bem antigas, mas a casa não tem gente… Tem uma escada que dá para os quartos… Eu subo a escada e vejo três quartos: um é bem iluminado, parece um quarto de criança, poucos móveis; o outro, não é tão iluminado, parece o quarto de um adolescente e o último tem uma cama de casal, é grande, tem várias mobílias.

No quarto do adolescente quando entrei me deu uma tremedeira, um calafrio forte… Só de pensar nesse quarto me sinto mal “(paciente fala chorando).

– Qual a impressão que você tem em relação a esse calafrio? – Pergunto à paciente.

“Talvez receio… Esse adolescente que fica nesse quarto, eu o vejo andando para lá e para cá, cabisbaixo, como se estivesse perturbado (ela estava vendo um espírito, um ser desencarnado das trevas).

Ele é magro, tento entrar nesse quarto, falar com ele, mas ele não quer me ouvir. Sinto um calafrio muito forte em meu corpo, mas não é um frio físico (ela estava sentindo um frio espiritual porque estava captando as emanações vibratórias desse espírito que estava nas trevas, que é um lugar muito frio).

Tenho a impressão que ele foi meu filho nessa vida passada e ele está com raiva de mim e não sai desse quarto. Fala que está preso nesse quarto, que está meio escuro. Sinto muito tremor, e ele não me deixa entrar nesse quarto. Diz que o prendi nesse quarto, que o deixei ali. Parece que o deixei de castigo. Agora, ele ficou perturbado com a minha presença. Fala que sou ruim, que fui ruim com ele”.

Fizemos juntos a oração do perdão para esse ser espiritual adolescente, emanando-lhe a luz dourada, o amor de Cristo. (pausa).

“Parece que finalmente ele olhou para mim e vem me abraçar. A gente está ali na porta. Eu lhe peço desculpas se o prejudiquei como mãe nessa vida passada”.

– Pergunte-lhe se quer ir para a luz? – Peço à paciente

“Diz que sim, está saindo daquele quarto, indo devagarzinho em direção a uma luz maior. Ele está indo de costas para mim, em direção àquela luz”.

Na 2ª sessão, antes da regressão, a paciente comentou que assim que terminou a 1ª sessão, ao sair de meu consultório teve a impressão (intuiu) que alguém a xingou, chamando-a de tonta e vagabunda. Teve a impressão que era aquele ser espiritual, seu filho adolescente daquela vida passada, que a enganou, pois não havia ido para a luz.

Demos início a nossa 2ª sessão de regressão e assim ela me relatou: “Vejo um lugar com um gramado bem verde, muitas árvores, é um jardim bem calmo e sereno (ela estava descrevendo o plano espiritual de luz).

Têm algumas crianças, todas vestidas de branco, brincando nesse jardim. Tem uma criança que chegou perto de mim, é uma menina. Ela tem cabelo bem comprido, é loirinha, deve ter uns cinco anos. Olha para mim sorrindo, ela saiu do grupo dessas crianças… Ela pegou na minha mão… Agora, ela saiu correndo em direção àquele grupo. Quando a vi associei ao quarto de menina daquela casa que vi na sessão passada…  Acho que ela foi minha filha naquela existência passada. (pausa).

Nossa! Chegou agora um homem de camiseta e calça branca, descalço, deve ter uns 40 anos. Estamos sentados num banco de madeira nesse mesmo jardim.

Diz que o seu nome é Roberto e é o meu mentor espiritual. Fala que é um amigo de longa data e que sempre esteve ao meu lado para me ajudar. Ele me orienta para continuar orando para aquele ser espiritual, o meu filho adolescente da vida passada. Diz que aquela menina é mesmo a minha filha dessa vida passada. Agora, ele está indo embora”.

Na 3ª sessão, a paciente me disse: “Vejo uma cidade da Europa, bem montanhosa, região bem fria, casas de pedras, blocos de pedras, é noite. Estou numa taberna, num bar (ela estava descrevendo outra vida passada).

Sou garçonete, magra, uso um vestido longo, cintura bem marcada, cabelos presos e claros.  Uso um avental de garçonete, devo ter uns 25 anos. Seguro dois canecos de cerveja. Sentados à mesa têm vários homens conversando e bebendo. O ambiente é iluminado por tochas. Eu trabalho muito, principalmente à noite. (pausa).

Aqui no consultório estou vendo o meu mentor espiritual e aquela menina, a minha filha, em espírito, que me diz: – Mãe, hoje vou ficar aqui do seu lado!

Sinto o meu braço direito pesado… Tenho a impressão que o meu filho adolescente também está aqui do meu lado direito. Fala que não quer se separar de mim, quer andar junto comigo. A minha filha fala para ele largar um pouco de mim, que não precisa ficar grudado o tempo inteiro comigo. Ele diz que eu batia muito nele, mas que com a sua irmã eu não fazia nada. Tenho a impressão que ele é muito teimoso, que as coisas têm que ser do jeito dele. Fala ainda que o deixei naquele quarto há muito tempo e que nessa terapia é como se a gente tivesse se reencontrado ao relembrar essa vida passada e, por isso, ele não vai se separar de mim. Diz que se sente magoado por tê-lo deixado naquele quarto”.

Pergunte-lhe como ele morreu naquela vida passada?

“Diz que se tornou um adulto, todos da família morreram, que ele ficou sem mim. A impressão é que ele ficou sem ninguém, deixou a nossa casa e ficou na rua, tornou-se um andarilho e acabou morrendo sozinho. (pausa).

Tenho a impressão que ele também está presente naquela taberna, que é uma vida anterior àquela em que ele foi meu filho. Ele frequentava a taberna, pois estava interessado em mim, era apaixonado por mim, mas, o desprezei porque não estava interessado nele. Ele fala que me amou muito nessa vida passada da taberna. Bebia muito quando ia lá para desafogar suas mágoas. Ficava me observando eu dando atenção aos fregueses, pois eles me paqueravam”.

– Pergunte ao seu filho qual é o nome dele?

“Diz que é Caio. Ele está aqui no consultório do meu lado direito, grudado, de joelhos e cabisbaixo, segurando o meu braço, não quer se desgrudar de mim. Fala que está triste porque não o quero perto. Fala também que é por isso que hoje quando estava namorando ele se comunicava em pensamento com os meus namorados – entrando em suas mentes – para desistirem de mim, atrapalhando os meus relacionamentos. Diz que na taberna acabamos nos envolvendo, mas que eu ficava com ele e também com outros homens”.

Na 4ª e última sessão, a paciente me relatou: “Meu mentor espiritual está aqui novamente no consultório e me revela que o Mário (nome fictício), o rapaz que estou atualmente namorando vai me ajudar a valorizar a família, que juntos vamos constituir uma família, pois preciso muito valorizá-la porque naquela vida que tive dois filhos não valorizei.

Fala que o Caio (seu filho e obsessor da vida passada) está bem melhor porque tenho orado muito para ele e que ele tem ouvido as minhas preces. Fala ainda que a família é tudo o que a gente tem na vida e que nas existências passadas eu tratava mal a todos: pai, mãe, filhos, pois não tinha amor por eles, não fazia muita questão de ficar com eles. Mas que hoje estou mudando porque tenho ficado mais sozinha e, com isso, estou percebendo a importância de uma família. Diz que a minha mãe adotiva da vida presente é fundamental em minha vida, que vai ainda me ensinar muitas coisas”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual por que na vida atual seus pais biológicos não te criaram?

“Fala que isso foi necessário para eu aprender a dar valor à família, a amá-la, pois é na dor que a gente aprende e que sei agora o quanto é ruim sentir a dor de não ser parecida com a minha família adotiva. Revela que o Caio já está na luz, tanto que não sinto mais meu braço direito pesado, e que ele está muito ansioso em vir novamente como meu filho. Diz que aquela menina também vai vir como minha filha na vida atual. Ele está encerrando o tratamento dizendo que essa terapia foi excelente, que me ajudou muito, agradece ao senhor como terapeuta por intermediar e auxiliar a nossa comunicação. Ressalta que essa terapia, a TRE, é realmente muito eficaz porque vai direto ao ponto, na causa verdadeira dos problemas dos pacientes.

Diz que muitas das minhas dúvidas já foram esclarecidas, que ele está muito feliz por ter participado e me ajudado nesse tratamento. Afirma que a equipe espiritual que assessora o senhor aqui no seu consultório é muito boa, e que são muitos os seres de luz, mentores espirituais que fazem parte dessa equipe.

Fala que a minha família já está formada no plano espiritual e que agora é uma questão de tempo, pois tudo acontece ao seu tempo na vida terrena”.

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