Para que serve a regressão de memória?

Certa ocasião, uma paciente veio ao meu consultório para resolver seu problema de transtorno de pânico. Havia anteriormente procurado um profissional que trabalhava com regressão de memória. Ela me informou que regrediu a algumas de suas vidas passadas. Então, eu lhe perguntei se ela descobriu a causa de seu problema, e se extraiu alguma lição nessa experiência de regressão às suas vidas passadas.

Ela me respondeu que não, que apenas viu algumas cenas de suas existências passadas no Egito, Grécia antiga, Roma, Japão, etc. Então, disse-lhe que na verdade o que ela fez foi apenas um “tour, um passeio” às encarnações passadas.

Afirmei que é por isso que ela não resolveu seu transtorno de pânico. Expliquei-lhe que para se resolver um problema é preciso buscar a gênese, a causa, e não só isso, mas se desligar por completo dos traumas, bloqueios, situações de onde vêm os sintomas desagradáveis como fobias, síndrome do pânico, toc (transtorno obsessivo compulsivo), depressão, dores, etc.

A regressão de memória não é só ver cenas, acontecimentos do passado, mas desligar-se definitivamente das experiências traumáticas que ocasionaram os problemas.

Em outras palavras, a regressão de memória como instrumento de autoconhecimento e cura vai de encontro com a máxima secular de Cristo “Conheça a verdade, que a verdade vos libertarás”.

Por outro lado, expliquei à paciente que na TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – método terapêutico de autoconhecimento e cura criado por mim em 2006, a regressão de memória não é o fim, mas, um meio, pois o fim em si dessa terapia é o autoconhecimento para que o paciente possa evoluir, tornar-se um ser humano melhor.

As regressões às vidas passadas podem lhe mostrar não só quem ele foi no passado(rei, rainha, escravo, mendigo, guerreiro, camponês,etc.), mas principalmente como ele era, isto é, sua personalidade em outras vidas – autoritário, arrogante, orgulhoso, egoísta, inseguro, medroso, tímido, etc.

Mas por que é importante o paciente saber como era em outras vidas?

É para que ele possa perceber, comparar se hoje mudou, evoluiu muito, pouco, ou quase nada, e se continua repetindo os mesmos erros de outrora, se continua egocêntrico, autoritário, arrogante, medroso, etc. Em outras palavras, se não sabemos como éramos em encarnações passadas o comum é a gente nascer autoritário e morrer autoritário, egocêntrico, nascer submisso é morrer submisso, etc.

Então, a regressão de memória permite ao paciente comparar como ele era em suas existências anteriores e como é hoje, se está mudando, evoluindo, crescendo espiritualmente, ou apenas mantendo os mesmos traços, inclinações, tendências negativas de personalidade, a maneira de ser, de ver a si, os outros e à vida como fazia no passado. A regressão de memória proporciona também ao paciente os porquês de sua vida. Exemplos: “Por que ele veio como filho daquele pai e mãe?”;

“Por que reencarnou numa família pobre?”;

“Por que veio com um defeito congênito?”;

“Por que está passando por determinados problemas?”

Por fim, a regressão de memória propicia ao paciente uma viagem profunda em busca de si mesmo, respondendo-lhe as três perguntas existenciais cruciais: “Quem sou eu?”; “De onde vim?”; “Para onde vou?”.

Caso Clínico:

Problema de visão

Mulher de 22 anos, solteira.

A paciente veio ao meu consultório por conta de sua deficiência visual, ela sofria de degeneração macular (perda de visão que se caracteriza pela visão borrada, manchas no centro da visão, de ver a s cores desbotadas e, com isso, a impedia de reconhecer rostos de longe, de ler, entre outras atividades).

Veio também para entender o porquê de sua timidez a ponto de andar curvada, dificuldade de se expor o que pensava e sentia; era também muito medrosa, tinha medo de tomar decisões, insegurança, e era muito dependente de seus familiares.

Por último, queria saber qual era o seu verdadeiro caminho profissional. Após passar por quatro sessões de regressão, na 5ª e última sessão, ela me relatou: “Estou vendo o meu avô paterno falecido… Ele diz que é o meu mentor espiritual, fala que está sempre comigo (paciente fala chorando).

Ele me revela dizendo que o problema da visão é porque em várias encarnações eu via muitas coisas e não falava. Diz que numa vida passada vi uma mulher que foi estuprada e me mostraram o homem que a estuprou, mas falei que não o conhecia que nunca tinha visto aquele homem.

Numa outra vida, vi pessoas sendo sequestradas e não quis falar onde as vítimas estavam. Ainda numa outra encarnação – uma das minhas primeiras encarnações -, vi pessoas morrendo e me divertia. Naquela vida em que menti que não conhecia o estuprador, meu avô paterno explica que eu menti porque não gostava da mulher que foi estuprada porque ela havia roubado o meu marido.

Na vida que vi às pessoas sendo sequestradas, não falei onde elas estavam porque tive medo de sofrer represália dos sequestradores. E na vida que me divertia vendo as pessoas morrendo, eu era um rei. Eles eram meus inimigos, e foram mortos numa batalha pelos meus soldados, onde eu ficava numa carruagem assistindo a batalha”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual o que você precisa aprender com sua deficiência visual?

“Disse que tenho que aprender a ser mais independente, mesmo com a deficiência visual. Esse é o meu principal aprendizado, lição maior que preciso aprender na encarnação atual. Esclarece ainda que esse problema visual reforça a minha dependência. Ou seja, o problema da visão veio para dificultar mais o meu problema da dependência. Por isso, o meu aprendizado, o meu maior desafio é me superar mesmo com a deficiência visual e aprender a ser mais independente, saindo da zona de conforto, não me escorando em meus familiares.

Meu avô afirma que posso me virar sozinha, sem ajuda. Ele exemplifica os jogos Paraolímpicos (é o maior evento esportivo mundial envolvendo atletas com deficiências físicas de mobilidade, amputações, cegueira e paralisia cerebral).

Ele me lembra de que o Brasil tem conseguido destaque nas últimas edições dos jogos Paraolímpicos com medalhas.

Esclarece que essa minha dependência já vem de várias encarnações, onde fui esposa de homens muito duros, que me faziam sentir inútil e incapaz.

A minha autoestima era baixa, e que ainda a trago na vida presente. Diz que na maioria dessas encarnações, só ficava em casa cuidando dos filhos, pois era dona de casa e dependia integralmente de meus maridos.

Em relação à minha timidez, diz que é passageiro, que vai melhorar muito fazendo teatro, que é esse o meu verdadeiro caminho profissional.

Fazendo o curso de teatro vou me soltar, me desinibir bastante. Fala que a minha insegurança, medo de tomar decisões, de errar, vem de uma vida que fui um artista de circo. Um dia, aconteceu um acidente no espetáculo, e isso acabou com a minha carreira.

Ele me mostra a cena dessa vida passada, onde era um trapezista e caí em cima de meu companheiro de apresentação. Ele se machucou muito, fiquei muito triste com esse acidente, e, para piorar, todos riram de mim. Aí não quis mais me apresentar.

Agora, ele está se despedindo de mim, diz que foi muito bom ter conversado comigo, pede para não ter saudades dele porque vai estar sempre comigo, mesmo que não o veja. Ele me dá um abraço e agora vêm em minha direção outros parentes meus desencarnados: minhas avós paterna e materna, minhas tias também paternas e maternas e o meu primo. Estamos todos abraçados num jardim com um gramado bem verde do plano de luz (paciente fala chorando muito). (pausa).

Estão todos se afastando de mim, volto para o portão inicial do jardim (o portão é um recurso técnico que sempre utilizo nessa terapia, que funciona como um portal que separa o mundo terreno do mundo espiritual, o passado do presente).

O portão é de grade, vazado, portanto, e vejo os meus parentes desencarnados dando tchau para mim”.

 

 

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