Superando o passado

Freud, o pai da psicanálise, definia neurose como a “compulsão à repetição”. Ou seja, ele dizia que o neurótico tende a repetir os mesmos padrões de pensamento, sentimentos e atitudes de experiências traumáticas de seu passado, de sua infância. A expressão “já vi esse filme antes”, ilustra bem a sua definição de neurose. Portanto, o neurótico repete sempre os mesmos padrões de comportamento destrutivo, tais como: perder os empregos pelo mesmo motivo – atritos com o chefe -; destruir seus relacionamentos afetivos por conta de seu ciúme doentio; afastar os amigos e os entes queridos por causa de sua agressividade, impulsividade e temperamento explosivo, etc.

Na TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – abordagem psicológica e espiritual breve, criada por mim em 2006, através da regressão de memória, ao se conscientizar da origem de seu comportamento neurótico, o paciente se liberta, solta as amarras (bloqueios) de seu passado que o prendiam, impedindo-o de viver uma vida saudável.
No entanto, essa terapia não se utiliza da teoria freudiana a qual defende que a nossa personalidade se forma na infância e que a causa de um determinado problema se origina nesse período de vida.

A TRE defende a tese de que a “compulsão à repetição” do neurótico, apregoada por Freud, vem de experiências traumáticas, não só dessa vida (infância, nascimento e útero materno) – num percentual de 10% de acordo com a minha experiência clínica -, mas principalmente de vidas passadas; em 90% dos casos.

Em outras palavras, trazemos de outras encarnações tendências, traços de personalidade, isto é, maus hábitos e imperfeições, como: autoritarismo, maledicência, egocentrismo, arrogância, prepotência, imediatismo, ciúme exacerbado, baixa autoestima, insegurança, etc. e também experiências traumáticas, que ocasionam inúmeros problemas psíquicos, psicossomáticos, orgânicos (cuja causa é desconhecida pela medicina oficial) e de relacionamento interpessoal.

Ao passar pela regressão de memória, o paciente irá tirar lições do que percebeu em suas vidas passadas acerca de características negativas da personalidade que ainda traz para a encarnação atual, entendendo que necessita mudá-las (realizar a reforma íntima), bem como tem a grande oportunidade de se desligar de suas experiências traumáticas causadoras de seus sintomas dolorosos como fobias, depressão, ansiedade, angústia, dores, síndrome do pânico, problemas de relacionamento afetivo, familiar, financeiro, etc.

Freud, sem dúvida alguma, com sua genialidade, revolucionou o mundo ocidental, através de seus estudos do inconsciente, para compreender melhor a psique humana.
Entretanto, suas teorias se basearam numa visão materialista, cartesiana, de ver o mundo, a vida, ou seja, de que só a matéria é real, e que “nada existe além da matéria”.

Sendo assim, a reencarnação, a vida após a morte, o plano espiritual, a interferência espiritual obsessora, não eram vistos (ainda hoje) como uma realidade, mas desconsiderados, ou vistos como anômalos, patológicos.
Portanto, para Freud, os distúrbios psíquicos eram fruto de experiências traumáticas da infância.
No entanto, em minha prática clínica, ao conduzir mais de 30.000 sessões de regressão, constatei nos relatos de meus pacientes, que a infância não é o começo da vida e, sim, a continuação da encarnação anterior, e que a família não é um mero agrupamento de pessoas, mas é formada por espíritos em evolução, unidos por afinidades cármicas para uma aprendizagem mútua.

Para o leitor compreender melhor, didaticamente divido o passado em três períodos de vida, numa ordem cronológica decrescente:

1°) Período atual(encarnação atual):
– infância
– nascimento
– útero materno;

2°) Período de entre vidas (mundo espiritual ou astral):
a) Astral Superior (plano de luz);

  1. b) Astral intermediário;
  2. c) Astral Inferior (plano das trevas, umbral);3°) Período remoto (Vidas Passadas).


Cada um desses períodos está sujeito a traumas emocionais. Para ilustrar melhor, veja o caso de uma paciente, cujos problemas vieram do umbral (astral inferior) de onde ela saiu antes de reencarnar na vida presente.

Caso Clínico:
Medo de enfrentar a vida.
Mulher de 30 anos, solteira.

Desde criança, a paciente sentia peso e angústia no peito, um profundo sentimento de solidão – mesmo quando acompanhada -, depressão, sensação de abandono e insegurança. Tinha também medo de enfrentar a vida, ou seja, diante de qualquer obstáculo em seu cotidiano, fugia, pois não se sentia capaz de enfrentá-lo. Vivia intranquila por enxergar a vida como um campo de batalha. Daí sua dificuldade de acordar todas as manhãs, por ter a sensação que o dia seria longo, que não suportaria as adversidades do dia-a-dia. Sair da cama era, portanto, um martírio para a paciente. Desenvolveu também a Síndrome do Pânico, após a morte de seu pai. Havia passado por várias modalidades de terapia (psicoterapia convencional, tratamento psiquiátrico, hipnoterapia, terapia breve, etc.), sem obter a cura de seus males.

– Ao regredir, a paciente relatou: “Estou sozinha num local meio escuro… É um lugar silencioso, não escuto absolutamente nada.
Eu me vejo toda suja, desarrumada, sou jovem, tenho menos de 20 anos, morena clara, cabelos escuros. Visto também um casaco velho e sujo, manga longa e embaixo uso uma saia comprida. O lugar é feio, parece fim de tarde, não tem sol, o ambiente é acinzentado, meio esfumaçado (a paciente estava descrevendo o umbral, região enevoada de cor acinzentada ou escura).
Estou parada, quieta, não procuro nada e não tenho nenhuma sensação”.

– Volte e recorde o que aconteceu para você parar nesse lugar? – peço à paciente.
” Estou sozinha… Agora estou sentindo uma tristeza profunda como se estivesse isolada (paciente relata chorando). Na frente tem um poço pequeno, redondo, com água. Olho para dentro do poço e vejo minha imagem refletida na água. É uma vida passada”.

– Avance mais para frente nessa cena. – peço à paciente.
” Eu caí nesse poço… Na verdade, eu pulei dentro dele. Não faço nenhum esforço para sair, fico lá. Eu me suicidei, não queria mais viver. Acho que morri nesse poço”.

– Veja como ocorreu a sua morte nessa vida passada? – peço à paciente.
” Eu acabei me afogando, parei de respirar, não lutei pela minha vida”.

– Veja o que acontece com você após sua morte física? – peço à paciente.
” Fui parar naquele lugar escuro do início dessa sessão, a região do umbral.

Há buracos enormes por todos os lados, eu me sinto insegura, não dá para enxergar direito o ambiente”.

– Vá prosseguindo nesse lugar – peço à paciente.
” O cenário é sempre o mesmo, ando pelas margens dos buracos. Pelo tamanho dos buracos, sobra pouco espaço para andar. Embora não tenha medo, sinto muita solidão. Este sentimento é similar ao que sinto na vida presente, pois mesmo acompanhada, eu me sinto só”.

– Avance bem mais para frente nessa cena – peço à paciente.
“Agora, sinto medo, pois esse lugar é pior do que aquele onde estava. Há coisas estranhas se mexendo, me sinto ameaçada. Parece que querem me agarrar, me puxar, ouço barulho como se várias pessoas tivessem uivando, gritando. O ambiente é horrível, é o mesmo lugar do início da sessão, só que há pessoas, ou bichos; não os vejo, mas os sinto. Estou com muito medo”.

– Vá prosseguindo nesse lugar – peço à paciente.
“Estou andando… Subi para um lugar mais alto, é uma região de pedras. Fico em pé, mas agora estou presa, não consigo voltar e nem andar para frente. Peço ajuda a Deus, onde estou é bem pequeno, restrito, e está começando a desmoronar. Eu me agarro a uma árvore e agora o chão desmoronou por completo. Subo pelo tronco… Vou tentar subir (pausa). Cheguei ao topo e sento no galho da árvore. A copa dela é muito alta. Eu me sinto cansada.
Peço ajuda a Deus o tempo todo, mas não acontece nada. Rezo, peço perdão. (pausa). Olhando para baixo é tudo feio, cinza, cheio de buracos. Nada acontece e ninguém vem me ajudar, estou com medo de cair (paciente fala chorando)”.
(pausa).

– Vou contar de 4 a 1 para ver se vem mais alguma coisa nessa sessão? – peço a paciente.
” Está vindo uma pessoa, não vejo o seu rosto… Ela usa uma roupa leve, num tom meio roxo, lilás. Está flutuando, estende a mão para eu pegar e me tira desse lugar. É muito bom, dá uma sensação de liberdade. Estava me sentindo muita insegura. Esse ser espiritual é um homem”.

– Veja para onde ele te leva? – peço à paciente.
” Ele me leva à casa de meu avô, onde nasci na vida atual. Hoje é um sítio, ele me deixa lá. Apesar de ser a casa de meu avô, eu me sinto insegura. (pausa).
Vejo os meus avós nessa casa, os meus pais… Mas não me sinto feliz, me sinto infeliz. Parece que eles não gostaram muito de minha vinda, não estavam muito animados com o meu nascimento. Eu me sinto insegura nessa família, mas esse sentimento trago ainda da região do umbral de onde vim, pois me sentia muito sozinha. A solidão que sinto na vida atual vem dessa vida passada, onde me atirei no poço. A imagem em que me vi refletida na água do poço era de uma pessoa solitária, deprimida e infeliz.
A impressão que tenho é que fui abandonada pela minha família nessa vida passada. A sensação de abandono, insegurança, depressão que sinto hoje vem também dessa existência passada. Acabei ficando sozinha, por isso que me atirei naquele poço. No umbral esses sentimentos se acentuaram”.

– Na sessão seguinte, ao regredir, a paciente relatou: “Voltei ao umbral, mas sinto que não tenho mais nenhuma ligação com essa região; estou apenas atravessando-a, passando por ela”.

– Como você se sente? – Pergunto à paciente.
” Eu me sinto bem. Na sessão passada, me sentia perdida, sozinha, sem rumo, sem perspectivas e com medo quando estava nessa região, exatamente como me sinto na vida presente. Mas agora estou tranquila, não tenho medo. Sinto que voltei nessa região para me desligar definitivamente de onde vim, antes de reencarnar na vida presente. Agora estou fazendo o mesmo percurso da sessão passada: subo para aquele lugar mais alto, eu mesma saio desse lugar para um lugar onde tem luz… Aquela região escura ficou para trás. Subo tranquilamente e o cenário agora é de luz, sol, árvores, um ambiente bem tranquilo. Estou na casa de meu avô onde nasci e passei minha infância. Olho para trás e não enxergo mais a região do umbral. Eu me sinto apenas observando a casa de meu avô (pausa).
Vejo aquele homem que me tirou do umbral. Não enxergo o seu rosto, mas parece idoso, usa um roupão comprido, meio lilás. Usa também um chapéu de mago da mesma cor do roupão. Ele está em frente à casa de meu avô, a gente se cumprimenta como se já nos conhecêssemos de longa data”.

– Pede para esse ser espiritual se identificar – peço à paciente.
“Ele diz que é o meu mentor espiritual e também o meu bisavô materno. Eu não o conheci quando em vida”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual por que você sempre se sentiu angustiada, ansiosa e teve uma vida intranquila? – peço à paciente.
” Ele fala que é por conta do peso de meu passado, dos erros que cometi”.

– Que erros?
“Ele diz que já resgatei esses erros, e que não vai ser necessário revelá-los (os mentores espirituais costumam revelar o passado dos pacientes somente se isso for benéfico, útil a eles).
Diz também que está contente por mim. Sinto como se tivesse eliminado uma carga de problemas”.

– Pergunte ao seu mentor por que você desenvolveu o transtorno de pânico? “Esclarece que com a morte de meu pai, isso desencadeou o medo de morrer que vinha de um passado bem mais remoto… Estou perguntando ao meu mentor espiritual se vou continuar com a síndrome do pânico, ele fala que não, que já estou curada dessa doença. Ele agradece a Deus por ter conseguido me ajudar, pois esperou muito tempo para que isso acontecesse.
Revela que daqui para frente a minha vida vai ser diferente, de paz, tranquilidade e liberdade. Mas a maior mudança vai ser no sentido de me sentir livre de meu passado, do que me prendia. Ele comemora, fala com entusiasmo por ter me libertado da prisão de meu passado, do umbral, onde estava presa.

Diz que isso foi uma vitória, que um ciclo de minha vida se fechou, que com esse tratamento termina o que ele tinha que fazer. Explica que não tinha me libertado ainda porque não conseguia se comunicar comigo. Mas, com essa terapia, a TRE, ele conseguiu se comunicar comigo e me ajudar.
Afirma que depois que me tirou do umbral e me trouxe à casa de meu avô onde hoje reencarnei, não teve mais como fazer esse contato comigo. Ele comemora porque terminou o que tinha começado. Nunca iria imaginar que o meu bisavô fosse o meu mentor espiritual”.

– Pergunte-lhe se tem mais algo a lhe dizer?

“Diz que não, que o mais importante foi o reencontro entre nós, e que a gente vai continuar se comunicando. Reafirma que essa terapia estreitou a nossa ligação, e que só assim conseguiu me ajudar a desligar-me de meu passado”.

Ao encerrarmos o tratamento, a paciente me relatou que estava se sentindo muito bem, não estava mais acordando com aquela sensação antiga de peso, angústia no peito e medo de enfrentar a vida. Agora estava enfrentando os obstáculos da vida, sem se sentir ansiosa e incapaz, pois sua alma foi curada.

 

 

 

 

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