Rezar pra quê?

“Os médicos devem ir ao santuário de Lourdes – aonde vão os doentes incuráveis – para entenderem o valor da esperança e da oração. De que serve nossa formação médica num santuário, aonde vão todos os doentes incuráveis?

Bem, você começa a perceber que o que tem valor é sua presença”.

– Dr. Bernie Siegel (autor do livro “Viver bem apesar de tudo” – Summus Editorial).

Quando era um psicólogo convencional e via alguém rezar, eu pensava: – Rezar pra quê? O que isso vai acrescentar em nossas vidas?

Pensava dessa forma porque era uma pessoa agnóstica, incrédula, avessa às religiões.

Hoje percebo o quanto era obtuso, ignorante, arrogante, pretensioso, pois não sabia o valor da prece. Subestimava a força da prece, da fé como instrumento de cura e mudança em nossas vidas.

Mas para orar é preciso ter humildade, entrega, docilidade no coração. É preciso transcender o ego, a vaidade, pois o ego, essa mente racional, cartesiana, que alimenta a crença na autossuficiência faz com que muitos se julguem Deus ou acima dele.

Nesse momento de crise econômica em que o país atravessa, é preciso orar e pedir a Deus fé, paciência, sabedoria e discernimento. Rezar é bom para quem tem fé, para quem quer ter fé e, principalmente, quem quer ter paz de espírito.

Quem tem fé supera melhor os obstáculos, os percalços da vida; quem não tem tende a entrar em desequilíbrio, passa a fumar, beber excessivamente, ou mesmo a tomar rivotril, pois não aguenta as pressões, as vicissitudes da vida.

Após adotar a prece como prática diária tornei-me uma pessoa mais equilibrada, mais calma e menos ansiosa, pois era uma pessoa preocupada, muito nervosa, impaciente e agitada.

Quando você ora, entra em sintonia com o bem, a positividade, com a irmandade de luz (seres de luz), vai de encontro com a lei da afinidade – os semelhantes se atraem – porque eleva seus padrões de pensamentos, sentimentos e atitudes.

No meu blog, os leitores devem ter percebido que recomendo sempre aos meus pacientes a prece, a oração do perdão, principalmente, quando estão obsediados, influenciados negativamente pelos seres das trevas (desafetos espirituais do passado, seja desta ou de outras vidas) que boicotam suas vidas de todas as formas possíveis e inimagináveis.

Certa ocasião, numa das sessões de regressão, percebi que havia uma interferência espiritual obsessora sabotando a terapia, pois a paciente não conseguia se concentrar, estava muito dispersa e ansiosa. Então, evoquei o mantra “kodoish, kodoish, kodoish, adonai, tsebaioth” (é do hebraico, que significa “Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, Soberano do Universo”) e após recitá-la sete vezes (a cabala pede isso), a paciente me disse: – Dr. Osvaldo estou toda arrepiada, pois, enquanto o senhor evocava o mantra, percebi que não havia mais as quatro paredes do consultório e, sim, um espaço infinito onde vi milhares, uma legião de seres de luz com túnicas brancas, todos com as mãos justapostas (em posição de prece) evocando junto com o senhor esse mantra.

Outra paciente também me relatou que, nas primeiras vezes que evoquei o mantra, seu obsessor espiritual, uma sombra, um vulto escuro, gargalhava de mim, porém, na terceira vez que o evoquei, ela me disse que seu obsessor espiritual me mandava calar a boca, pedia para eu parar de evocar o mantra.

Por último, ela o viu tampando os ouvidos com as mãos, gritando, e se afastando do consultório. Mas esse obsessor espiritual apenas se afastou dela, não saiu definitivamente de sua vida. Por isso, pedi que ela fizesse a oração do perdão (é uma adaptação que fiz da oração do perdão do Dr. Masaharu Taniguchi, fundador da seita filosófica Seicho-No-Ie) em sua casa, e emanasse para esse ser espiritual obsessor a luz dourada, o amor de Cristo.

Após ter feito essa oração durante quinze dias, seu obsessor espiritual finalmente aceitou ser levado para a luz pelos espíritos amparadores de luz.

É preciso ter em mente, que a prece é o alimento da alma, que o espírito, a alma se nutre das vibrações das palavras, da mesma forma que o alimento sólido nutre nosso corpo físico para mantê-lo vivo.

Hoje, a cada manhã e a cada noite, eu rezo não para me tornar santo, mas para pedir ao Grande Soberano, Arquiteto do Universo, nosso querido Criador, e aos seres espirituais amigos, para me ajudarem a ser uma pessoa melhor e fortalecer a minha fé em Deus e no plano invisível.

 

Caso Clínico: Relacionamento conflituoso no trabalho.

Homem de 46 anos, casado, e uma filha.

Paciente veio ao meu consultório querendo entender o porquê de sua insatisfação com a vida, pois nunca estava contente com o que tinha – não só material, mas também no emprego – só focava os aspectos ruins da empresa e, com isso, brigava com a chefia e acabava sendo demitido ou pedia demissão.

Há 2 meses estava desempregado (era a 4ª vez). Apesar de ter uma reserva financeira para se manter, isso o deixava angustiado, chateado, pois não estava sendo produtivo, sentia-se inútil.

Queria entender, portanto, por que sempre teve um relacionamento conflituoso com a empresa onde trabalhava. Queria entender também por que tinha um relacionamento conflituoso com sua ex- esposa, onde teve uma filha.

Há 20 anos foi casado com ela, brigavam muito, pois só via aspectos negativos nela e há 2 anos se separou dela e hoje estava vivendo com outra mulher, onde se davam muito bem. No entanto, não conseguia se desvincular de sua ex-esposa, tinha medo dela e, por isso, mantinha-se submisso a ela.

Na 1ª sessão de regressão, o paciente me relatou: “Estou vendo a imagem de fogo, como se na vida passada tivesse vivido com o povo asteca.

Na verdade, esse fogo é um ritual, uma cerimônia religiosa desse povo, e sou um preso sendo levado ao líder da cerimônia (sacerdote) por dois índios que seguram uma lança. Vou ser sacrificado, queimado na fogueira. (pausa).

Esse sacerdote eu o conheço, tenho a impressão (paciente intui) que é a minha ex-esposa de hoje. Ela que me mandou para o sacrifício nessa existência passada… Agora estou entendendo por que esse relacionamento conflituoso que hoje tenho com ela. Explica também por que mesmo separado dela tenho medo de confrontá-la, mantenho-me submisso a ela.

Nessa existência passada, eu me vejo gritando, suplicando para me soltarem, não quero ser queimado na fogueira. Nesse sacrifício, o sacerdote me oferece aos deuses”.

Após a 1ª sessão, encontrou-se com a ex-esposa, conversou com ela, mas em nenhum momento sentiu medo, intimidado com a sua presença, estava calmo e a conversa fluiu bem, pois ela foi educada com ele.

Na 2ª sessão de regressão, ele me relatou: “Vejo o meu avô paterno falecido… Ele está com o rosto sereno. Só o conheci por foto, pois ele havia falecido antes de eu nascer. Ele me abraça, me beija, diz que sempre teve muito orgulho de mim, que sou um ótimo pai. Tenho o mesmo nome dele, fala que honrei o seu nome. Fala também que sempre esteve de meu lado, olhando por mim, e me protegendo.

Diz que é o meu mentor espiritual, que veio me transmitir paz e carinho. (pausa).

Agora, ele está de mãos dadas com um menino de 3 anos. Revela que esse menino será o meu futuro filho, que essa criança me trará muita felicidade, pois será um filho muito carinhoso e companheiro.

Vejo agora o meu avô paterno de terno e gravata ainda de mãos dadas com esse menino num jardim (plano espiritual de luz).

Ele me esclarece que eu e a minha ex-esposa – apesar de termos brigado muito – a gente precisava passar por tudo isso para romper com o passado, pois tínhamos uma pendência cármica daquela vida passada, onde ela como sacerdote me sacrificou na fogueira. Mas afirma que essa energia ruim entre nós vai se dissipar aos poucos.

Fala para criar bem meu futuro filho, que ele vai ser uma criança iluminada e preencher a carência que tenho dentro de mim, pois vai ser meu grande amigo.

Pede para não me preocupar com a questão do emprego, que o fato de estar desempregado é um tempo que precisava para purificar a minha alma, mas que vou encontrar um emprego. Diz ainda que a minha atual companheira é uma pessoa maravilhosa, que, na verdade, estamos nos reencontrando, pois já fomos felizes em outras vidas. Fala para ficar tranquilo que a minha vida vai se abrir de novo, que a família que vou criar a gente vai ser feliz”

Na 3ª sessão de regressão, o paciente me disse: “Novamente estou vendo o meu avô paterno, o meu mentor espiritual… Estou sentindo uma angústia muito forte no peito e garganta”. (pausa).

– Observe por que está vindo essa angústia?

“Estou me recordando que há um ano, meu pai me contou que no ano de 1555 nossa família teve um Papa (Paulo IV) que usava e abusava do poder, da politicagem e de intrigas. Após seu falecimento, o povo comemorou sua morte 3 dias, pois ele era muito odiado.

Quando meu pai me contou que esse Papa foi nosso parente fiquei intrigado, fiz a busca no Google e li que ele foi um tremendo f.d.p. (pausa).

Meu mentor espiritual está rindo porque estou com dificuldade de aceitar o que ele me falou”.

– O que ele lhe falou?

“Diz que fui eu esse Papa… Ele está rindo da minha cara de espanto… Que merda!

Mas fala rindo, brincando, que hoje estou “bem melhorzinho” que esse Papa.

Agora, fala sério, diz que é por isso que na vida atual sempre tive necessidade de poder, de mandar, de ficar por cima dos outros. Hoje quero também – como naquela vida passada como Papa – que todo mundo me obedeça, que façam o que estou mandando, e que me respeitem.

Na verdade, ele diz que gosto de mandar e não ser mandado. É por isso que acabo brigando com a chefia e sou demitido ou peço demissão. Trago ainda na vida presente a personalidade autoritária e mandona desse Papa”.

– Pergunte ao seu mentor espiritual qual é o seu principal aprendizado, lição maior que você precisa aprender?

“Diz que é trocar a arrogância pela humildade”.

– Como você pode fazer isso?

“Controlando meus impulsos, tendo novamente o poder, mas, desta vez, usá-lo para o bem”.

– O que seria usar o poder para o bem?

“Diz que é usar minha inteligência para ajudar os menos inteligentes, sem discriminar quem é diferente de mim. Esclarece que esse processo já começou com a minha filha que é muito diferente de mim. Ela é o meu oposto, é das artes, sensível, e eu sou racional, da ciência exata, da engenharia. Meu mentor espiritual fala que não é por acaso que ela veio como minha filha. Ele diz ainda: – Será que você não percebe por que não consegue mandar nas 3 mulheres (ex-esposa, filha, e atual companheira) de sua vida?”.

Na 4ª e última sessão, ele me relatou: “Estou vendo novamente o meu avô paterno”.

– Pergunte-lhe como você pode ser menos arrogante e mais humilde?

“Fala que vou saber como em meu dia-a-dia. Fala ainda que a frase “trocar a arrogância pela humildade” que ele me falou na sessão passada não vai mais sair de minha cabeça porque me marcou muito. Diz que essa minha atitude de arrogância é uma defesa porque sou muito carente. Mas como ele já havia me dito, o meu futuro filho vai vir para compensar a minha carência… Agora, vejo o meu futuro filho no meu colo me beijando e me abraçando, fala que me ama.

Meu avô fala que esse filho vai ser um grande marco de mudança em minha vida, onde vou ser uma pessoa mais doce comigo e com meus filhos.

O carinho que ele vai me dar irá me trazer uma paz de espírito e, com isso, vou conseguir domar o meu lado de personalidade que não gosto (arrogância, orgulho, vaidade e autoritarismo).

Meu avô diz que estou muito próximo de arrumar o emprego porque agora estou pronto, que sei como me comportar no ambiente de trabalho”.

– Pergunte-lhe qual é sua missão de vida?

“Diz que é usar minha inteligência e poder para ajudar os outros e não só a mim. Diz ainda que na minha profissão (Recursos Humanos), o meu papel é de ajudar os funcionários da empresa em sua autoestima, a serem mais felizes e realizados no trabalho e aí vou me sentir também dessa forma.

Quando realmente ajudá-los a serem mais felizes no trabalho, a minha insatisfação pela vida irá melhorar bastante. Fala que tenho um coração muito bom, porém, está encoberto pela minha carência interior. Fala também que sou apenas uma criança carente, que a minha ex-esposa se aproximou de mim pela minha casca (ego, vaidade) porque ela é igual a mim e a minha atual companheira enxergou o que está por trás de minha casca, ou seja, a minha essência.

Então, ela se apaixonou pelo que realmente sou. Esclarece, que agora que tomei consciência de tudo o que ele me revelou nessa terapia, a minha responsabilidade aumentou, e o tombo vai ser maior e a dor também, caso venha a cometer os mesmos erros. Diz ainda que agora vou exercer efetivamente o meu livre arbítrio, pois ele me mostrou o caminho, e cabe a mim decidir se vou seguir esse caminho.

Mas sabe que sou uma pessoa inteligente e, por isso, acredita que vou fazer direito à lição de casa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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