Auto – sabotagem

Auto – sabotagem

Os leitores assíduos de meus artigos, percebem nos relatos de meus pacientes, que a causa espiritual (obsessores espirituais) é frequente na gênese de seus problemas. No entanto, a causa psicológica, isto é, a auto – punição (auto – sabotagem), por conta de erros cometidos no passado – principalmente de outras vidas – pode ser também a causa de seus problemas.

Por isso, muitas pessoas levam uma vida cheia de frustrações, limitações, angústias e infelicidades em muitas áreas de suas vidas – afetiva, sexual, profissional, financeira, saúde, social e familiar por estarem se sabotando, se auto – punindo, por conta de erros cometidos, de terem prejudicado muita gente, principalmente, em outras vidas.

Veja o caso de uma paciente, que não conseguia dormir por conta  dos choros constantes de sua filhinha, reflexo de sua auto – sabotagem, de não se sentir merecedora de ser feliz.

 

Caso clinico: Porque a minha filha acorda desesperada e gritando?

Mulher de 30 anos, casada, e dois filhos.

 

A paciente me procurou, queixando-se que há 4 anos, ela e o marido, não dormiam direito – tudo começou com seu filho de 4 anos, que acordava também gritando e desesperado.

Agora, era sua filha de um ano e cinco meses, que acordava o casal quase que diariamente, de madrugada – de 2 em 2horas – sem um motivo que justificasse. Ela acordava gritando, desesperada, contorcendo-se, e a paciente não conseguia muitas vezes acalmá-la.

A paciente sentia angústia, com peso na consciência quando ia trabalhar, ou mesmo sair à noite, pois ninguém conseguia fazê-la parar de chorar.

Outro motivo que a deixava angustiada, era que seus filhos viviam adoentados – quando se curavam de uma doença, aparecia outra, em seguida.

Após passar por 7 sessões de regressão de memória, na 8ª sessão, ela me relatou:

– O meu mentor espiritual (ser desencarnado, responsável diretamente pelo nosso aprimoramento espiritual) está estendendo a mão, me ajudando a entrar num jardim muito bonito, gramado verde e vasto (a paciente estava vendo o plano espiritual de luz).

Ele usa uma veste, túnica branca e longa, seus cabelos são castanhos, ondulados e um pouco curto. Aparenta ter uns 30 anos. Ele é muito carinhoso, passa a mão no meu rosto…. Estamos agora sentados num banco desse jardim, e ele diz que vai me mostrar uma coisa: a gente se levanta, ele pega em minha mão, e ficou tudo mais escuro. Sinto frio, mas ele continua segurando a minha mão. Eu lhe pergunto se conheço esse lugar?

Ele responde que sim, que é o umbral (trevas), e fala que já passei muito tempo aqui…. Eu me vejo com cabelos desgrenhados, sujos, aparência feia, de bruxa. Uso uma roupa escura e maltrapilha.

Ele diz que na vida passada, eu mexia com feitiçaria, magia negra, e, após minha morte, fui parar nas trevas. Diz ainda que eu tinha bastante conhecimento de magia, mas fiz mau uso desse conhecimento. Ele me mostra uma cena dessa vida passada, onde fazia tudo o que as pessoas pediam. Por exemplo, uma esposa me procurava para fazer mal ao seu marido, eu lançava os feitiços. Como bruxa, lidava com os seres das trevas, mas não tinha consciência do que me aconteceria depois de minha morte.

Eu era bem poderosa, vinham pessoas de longe procurando o meu trabalho, mas eu era gananciosa, soberba em relação ao dinheiro, fazia tudo pelo dinheiro…. Depois que saí das trevas para a luz, eu me comprometi a curar as pessoas através da imposição das mãos; porém, eu me tornei muito vitimista e subserviente e até hoje carrego essa culpa por ter prejudicado as pessoas.

Na busca de reparar meus erros, eu me mantenho submissa, fico me boicotando, não me permito ser feliz…. O meu mentor espiritual está me mostrando de forma simbólica as correntes que me prendiam no umbral e está rompendo-as dizendo que estou livre de meu passado (paciente fala chorando).

Eu o abraço e agradeço muito…. Agora estou na posição fetal (ela fica toda encolhida) e ele fala que essa posição é um novo começo, que sou merecedora, e que mereço dormir bem. Explica que trago a crença de que não mereço dormir bem, pois estou me auto – punindo pelos erros cometidos no passado como feiticeira. E essa crença está colaborando para minha filha não dormir bem.

Na 9ª sessão, ela me relatou: – Meu mentor espiritual pede para parar de me auto – punir, de ignorar meu cansaço, de estar 100% pronta, à disposição de meus filhos, que eles precisam aprender a ter frustração. Diz que eu mesma inconscientemente criei essa situação de minha filha acordar, chorando de madrugada, quando estou dormindo porque acho que não mereço dormir bem. Fala que não adianta eu me punir porque Deus já me perdoou; por isso, eu tenho que me perdoar.

Fala ainda que a auto – punição é um pecado muito grande porque é como se duvidasse do perdão e do amor infinito de Deus.

Afirma que não sou eu que decido que ainda tenho que sofrer, pois existem acordos feitos antes de reencarnar, mas que também existem coisas que eu mesma estou infringindo às leis universais com a auto – sabotagem.

Diz que o fato de hoje meus filhos adoecerem constantemente é fruto do acordo que eles fizeram no astral para limpar seus corpos espirituais.

Fala que grande parte das crianças trazem na vida terrena, alguma deficiência física e doenças de ordem cármica. Dá um exemplo meu, quando era criança, onde vivia doente da garganta e do ouvido. Esclarece, que isso tem a haver com a culpa que carrego de outra vida, onde fui uma freira, morta, com a garganta cortada.

Ele me mostra a cena dessa vida passada como freira, onde questiono as ordens que os bispos nos deram, que tem a haver com poder, dinheiro dos governantes e não com os preceitos de Deus.

Eu lidero as freiras no convento para irmos contra essas ordens, mas houve uma retaliação deles que nos mataram, cortaram nossas gargantas, como um recado para calar nossas bocas. Eu me sinto responsável pela morte das freiras (paciente fala chorando).

Meu mentor espiritual fala para não me sentir culpada, pois, na verdade, fui um instrumento da espiritualidade, e que lancei uma semente naquele convento contra a corrupção dos bispos. Ele esclarece, que tenho que me sentir honrada porque o plano maior me orientou para aquela missão.

Na 10ª e última sessão, a paciente me relatou: – O meu mentor espiritual me orienta dizendo que tenho que aprender a me desapegar de meus filhos, que faz parte do aprendizado deles ficar com outras pessoas e não depender tanto de mim.

– O que você precisa aprender com seus filhos?

– Diz que tenho primeiro que me amar mais, que não posso doar, além da conta, que tenho que respeitar o meu limite.

Fala que a minha filha é o reflexo de minha falta de respeito pelos meus limites. Fala ainda que a minha grande lição é aprender a me amar de verdade. Diz que gosto de ajudar muito os outros, mas enquanto não me amar de verdade, a ajuda aos outros não será duradoura, não vai ser um bem verdadeiro porque não me amo de verdade.

Ele lembra a máxima de Cristo: ” Amai ao próximo como a ti mesmo”. Explica que não dá para amar o próximo de verdade se a gente não se amar de verdade também.

Fala que estou criando uma dependência e superproteção com os meus filhos e isso tira a oportunidade de meu marido participar também dos cuidados deles. Fico achando que o meu marido vai se cansar com os meus filhos, acordando de madrugada com o choro de minha filha. Mas diz que isso limita o crescimento de todos.

Ele me lembra também que tudo na vida precisa ter um equilíbrio, que acho que tenho que estar presente o tempo todo com meus filhos porque a minha mãe fez o contrário comigo. Afirma que estou fazendo o contrário, o extremo também.

Após o tratamento, a paciente me deu um feedback dizendo que sua filha não estava mais acordando desesperada, gritando e se contorcendo. Agora, só acordava de vez em quando de madrugada, mas voltava a dormir rápido. Percebeu que seu marido estava mais calmo e amoroso com as crianças, pois antes da terapia ele vivia estressado e gritava com o choro de sua filha.

Percebeu também que seus filhos estavam brincando mais entre eles, o que não ocorria antes, pois brigavam muito.

Sua casa estava mais tranquila e, por fim, percebeu que estava mais consciente e assumindo mais responsabilidade pelos seus pensamentos e ações, pois estava cada vez lamentando menos e fazendo mais, pois era muito queixosa, entrava no vitimismo, sentindo-se infeliz e injustiçada.

Segundo a paciente, essa terapia lhe trouxe muitos esclarecimentos e a consciência de que precisava tomar as rédeas de sua própria vida.

 

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