O 6º sentido: Mito ou Verdade ?

Numa das sessões de regressão de memória, o paciente, um jovem de 20 anos, me indagou: – Essa terapia é muito punk! De onde está vindo essa brisa, esse ventinho gostoso e o cheiro de rosa? (a sala de atendimento onde ele estava deitado no divã, a janela e a porta estavam fechadas e, portanto, não havia nenhuma correnteza de ar).

Nessa modalidade de terapia, a TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual (ser espiritual responsável diretamente pelo nosso aprimoramento espiritual, que na linguagem católica é o anjo da guarda e na umbanda é o guia espiritual) – método terapêutico de autoconhecimento e cura, que une a ciência psicológica e a espiritualidade, uma abordagem psico-espiritual breve, criada por mim em 2006, é comum os pacientes terem experiências de cunho espiritual, que foi o caso desse jovem.

A brisa, o ventinho que ele sentiu batendo em seu rosto e braços, bem como o odor agradável de rosa, são indicadores da presença de um ser do bem, um ser espiritual do Astral superior (plano espiritual de luz, onde os pacientes descrevem-no como um jardim com gramado vasto e muitas flores perfumadas).

Por isso, quando um ser espiritual do plano de luz aparece em meu consultório, os pacientes costumam sentir um odor agradável de perfume de flores, bem como uma brisa, próprios das emanações do ambiente do plano de luz que esse ser traz.

Nesta terapia, é preciso que o paciente se utilize dos cinco sentidos físicos (visão, audição, olfato, paladar e tato) e, principalmente, do sexto-sentido (intuição), pois pode acontecer dele não ver nada durante as sessões de regressão de memória. Nesses casos, ele precisa usar e confiar no seu 6º sentido.

Mas para isso, o paciente precisa aquietar sua mente racional (ego) por meio de técnicas de relaxamento, pois é comum o ego estar sempre argumentando e contra-argumentando, duvidando se o que vem à sua mente é uma fantasia, imaginação, se realmente é um ser espiritual que está presente nas sessões de regressão, ou mesmo se está regredindo, trazendo uma recordação de uma vida passada (o véu do esquecimento que se manifesta em forma de amnésia, não nos permite recuperar a memória e lembrar nossas vidas passadas).

Em suma, ao silenciar o seu ego, através do relaxamento, o paciente entra em contato com o seu eu verdadeiro (alma) para que o seu mentor espiritual possa orientá-lo melhor e, com isso, convidá-lo a ver os seus problemas sob uma nova ótica, de forma mais lúcida, sem a interferência da mente racional, da incredulidade do ego.

Em “A Arte da Felicidade – Um manual para a vida”, do psiquiatra americano Howard C. Cutler, em parceria com sua Santidade, o Dalai Lama, o autor, num desses encontros com o mestre tibetano, descreveu-lhe o caso de uma paciente que persistia em manter comportamentos autodestrutivos (o autor não especificou quais eram esses comportamentos).

O psiquiatra queria saber do mestre tibetano se ele tinha uma explicação para esses comportamentos, e como poderia lidar melhor com a paciente. Pensativo, depois de uma longa pausa, o mestre simplesmente respondeu que não sabia.

Ao perceber a reação de espanto do psiquiatra, Dalai Lama esclareceu que, do ponto de vista do budismo, são muitos os fatores que contribuem para um determinado tipo de comportamento humano, e que a visão ocidental, procura explicar tudo de uma forma simplista, dentro de uma única vida, negando a existência de vidas passadas: “A psicologia ocidental ao procurar às origens dos problemas humanos, não aceita a ideia de um determinado tipo de acontecimento ter ocorrido num período anterior a esta vida e ter deixado um registro muito forte na mente, registro este que pode permanecer oculto e mais tarde afetar o comportamento nesta vida”.

Muitos pacientes me encaminham um longo e-mail explicando em detalhes a sua história de vida, bem como seus problemas e, no fim, me perguntam qual a causa de seus problemas.

Eu respondo dizendo que cada caso é um caso, como se diz no jargão médico, pois o ser humano é único, um fenômeno muito singular, com características e sintomatologias muito particulares. Reproduzindo o grande mestre tibetano, o Dalai Lama, eu digo que não saberia lhes responder, mas seus mentores espirituais têm a resposta.

Desta forma, nessa terapia, o mentor espiritual é a peça chave para que o paciente possa saber a causa e resolução de seus problemas. Por isso, a TRE é uma nova revolução na saúde porque revoluciona os conceitos tradicionais de terapia e terapeuta, ou seja, o meu papel como terapeuta foge totalmente dos moldes tradicionais de uma psicoterapia convencional, pois não sou eu que conduz o processo terapêutico e, sim, o mentor espiritual de cada paciente.

Ressalto que nessa terapia, o mentor espiritual é o seu verdadeiro terapeuta, pois o conhece profundamente porque vem acompanhando-o há muitas encarnações. Portanto, é a pessoa mais gabaritada, com mais autoridade para falar a respeito do paciente. Pelo fato do mentor espiritual ir direto ao ponto, revelando-lhe a causa e resolução de seus problemas, essa terapia é conhecida por ser breve, segura e eficaz.

Como terapeuta em TRE, sou um facilitador, busco auxiliar o mentor espiritual de cada paciente a lhe mostrar a causa e resolução de seus problemas, bem como às aprendizagens necessárias e indispensáveis à sua evolução espiritual.

Mas para o paciente se comunicar com o seu mentor espiritual e se beneficiar de suas sábias orientações, precisa confiar no seu sexto-sentido, pois a comunicação com os desencarnados (espíritos) se dá intuitivamente, em pensamento.

A intuição tornou-se algo mágico, místico, sobrenatural porque foi reprimida por nossa sociedade pragmática, racional e tecnicista onde se valoriza mais os recursos científicos e tecnológicos. A nossa educação é muito voltada para o racional e o técnico. Por esta razão cultura, arte, literatura e o próprio lado espiritual não são muito valorizados e incentivados.

O avanço científico e tecnológico é algo impressionante se compararmos a humanidade nos primórdios do período da pré-história, a idade da pedra. São inegáveis os benefícios desse avanço na qualidade, no bem estar de nossas vidas. Mas esse avanço, essa conquista, no entanto, não acompanhou o ser humano em sua evolução espiritual, na mesma proporção, pois entendo que não lidamos bem com as mudanças internas, pois em muitos aspectos agimos feito os animais.

Neste aspecto, somos como um centauro (figura mitológica grega, que é metade animal e metade homem, ou seja, membro superior de um homem e o inferior, o corpo, de um cavalo). Nós cultivamos ainda padrões de pensamentos, sentimentos e atitudes ainda inferiores, como: ódio, ira, desejo de vingança, querer prejudicar o outro, possessividade, ciúme desmedido e egocentrismo. Geralmente, o ser humano lida melhor com as questões materiais do que às espirituais.

Devido ao desconhecimento, despreparo e preconceito a respeito da natureza espiritual do ser humano, a sociedade ocidental ainda ignora, ou mesmo desqualifica a intuição, não a vendo como um fenômeno natural, inerente ao ser humano.

Fomos doutrinados a valorizar, a focar apenas o lado lógico, racional e a rejeitar ou mesmo negar a intuição. Por esta razão, o lado espiritual não é muito valorizado por muitos, pois acreditam que a intuição, a fé e a espiritualidade são sinônimos de crendice popular e misticismo. Em seu lugar foi erguido o altar do intelecto.

Por isso, para a ciência a intuição é um fenômeno irracional porque não existe uma explicação racional, lógica, “não faz sentido”. É o caso daquele jovem paciente de 20 anos que relatei no início desse artigo em que sentiu do nada uma brisa e odor de rosa. Para a ciência esse relato não faz sentido, é um absurdo porque o que não pode ser entendido ou explicado pelo intelecto (razão), não existe.

Eu me recordo de um paciente, um senhor de 60 anos, físico nuclear, com pós-doutorado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), que é uma universidade privada de excelência localizada em Cambridge, Massachusetts, EUA.

Após o término da sessão de regressão, ele me disse surpreso: – Aconteceu algo aqui que vai além de minha capacidade de entendimento, mas que aconteceu, aconteceu. Isso não posso negar. Se negar estarei faltando com a verdade.

Outra paciente, uma médica de 45 anos, na entrevista inicial de avaliação (anamnese), ao lhe perguntar como soube dessa terapia, ela me respondeu: – Meu amigo que indicou o seu trabalho. Ele me disse que o senhor iria me ajudar.

Perguntei-lhe se seu amigo havia lhe explicado como funcionava essa terapia?

Disse que não, que só havia indicado o meu nome. Então, indaguei-lhe se tinha algum esclarecimento sobre os fundamentos da espiritualidade, isto é, noções básicas sobre reencarnação, plano espiritual, vida após a morte, lei do carma, pois para passar por essa terapia, expliquei que era necessário o paciente ter o mínimo de esclarecimento sobre esses assuntos para entender e se entregar no processo terapêutico, já que nessa modalidade de terapia, a TRE, ela tem como base experiências de cunho espiritual e lida com a reencarnação.

Ela me disse que não acreditava nesses assuntos espirituais, mas que queria fazer uma sessão de regressão para conhecer melhor essa abordagem terapêutica.

Na sessão de regressão, ela trouxe imagens, cenas de uma vida passada, porém, pela sua incredulidade e ceticismo, desqualificou essa experiência, achando que era pura imaginação, fantasia de sua mente. Mas, no final dessa sessão, ela me indagou incrédula: – Estou ficando louca? Como posso eu mesma estar me xingando?

Perguntei-lhe o que estava acontecendo?

Ela me respondeu: – Veio à minha mente o pensamento: “Sua vagabunda, piranha, nunca vou te deixar em paz! Você me paga pelo que me fez no passado!”.

Falei que não era ela que estava se xingando, mas, sim, um espírito obsessor, habitante do plano espiritual das trevas, desafeto dela, e que ela o prejudicou numa vida passada. Esclareci que a comunicação com os seres espirituais, normalmente, não se dá de forma clara, audível; por isso, nessa terapia, ela não iria escutar uma voz externa, mas, em pensamento (intuitivamente), pois os seres espirituais entram em nossas mentes e leem os nossos pensamentos. A paciente não se convenceu, pois achou que estava ficando “louca” e não quis continuar com a terapia.

Para que o paciente possa se beneficiar dessa terapia, é necessário que tenha maturidade espiritual, ou seja, ele precisa preencher três requisitos, que é a fé em si mesmo, isto é, acreditar em suas experiências espirituais nas sessões de regressão, humildade e esclarecimento (leitura prévia em relação aos assuntos espirituais, tais como: vida após a morte, reencarnação, carma e espíritos de luz e das trevas).

Esclareço aos meus pacientes, que o processo de autoconhecimento é feito de três etapas: humildade, não ter vergonha do que vai descobrir nessa terapia e coragem para saber a verdade a seu respeito.

Essa terapia sempre dará certo quando os corações dos pacientes estiverem sinceramente buscando a verdade. Então, os combustíveis que movem a TRE são o amor à verdade, isto é, o compromisso com a verdade, e as vibrações de luz.

A verdade sempre vem quando a gente pede por ela de forma sincera, desejo sincero de saber a verdade. Quem busca as respostas para seus problemas e é merecedora delas, certamente irá recebê-las.

Muitos pacientes relutam em se entregar nessa terapia, mas muitos também – a maioria – relutam em se entregar, inicialmente, mas depois acabam se entregando e se transformando.

Osho (foi considerado pelo Sunday Times de Londres como uma das mil personalidades mais influentes do séc. XX e, pelo Sunday Mid- Day da Índia, como uma das dez pessoas, ao lado de Gandhi, Nehru e Buda, que mudaram o destino da Índia) relata no prefácio de seu livro “Intuição – O saber além da lógica”: – A intuição não pode ser explicada cientificamente porque o fenômeno em si é irracional e não científico.

A intuição é algo além do intelecto, vem de um lugar (alma, do espírito) onde o intelecto é totalmente inconsciente. Assim, o intelecto pode sentir a intuição, mas não explicá-la porque a explicação precisa da causalidade (a ciência se baseia no nexo causal, onde todo o efeito tem uma causa).

Em outras palavras, a explicação significa responder à pergunta: – De onde vem à intuição, qual é a causa?

Osho diz ainda: – Se a intuição viesse por meio de raios ou ondas poderíamos construir um aparelho para recebê-las. Mas nenhum aparelho pode captar a intuição porque ela não é um fenômeno ondulatório.

A intuição ocorre súbita, repentinamente. Ela vem simplesmente do nada. Por isso, a razão nega porque ela é incapaz de enfrentá-la, entendê-la. A mente reacional se fecha, fica presa, circunscrita dentro dos limites da razão, e a intuição não pode penetrar. Só aqueles que são capazes de ir além das limitações da lógica racional que conseguem intuir.

Não por acaso, Einstein afirmou: – Não existe caminho lógico para a descoberta das leis do universo; o único caminho é a intuição. No dicionário Aurélio da língua portuguesa, Intuição é “Conhecimento imediato, que independe do raciocínio”.

Quero finalizar este artigo com as explicações de Osho sobre a razão, a intuição e a fé: “Para a razão existem duas esferas de existência: o conhecido e o desconhecido (o que ainda não é conhecido, mas que algum dia pode ser conhecido).

A intuição reconhece três esferas de existência: o conhecido, desconhecido e o incognoscível (aquilo que não pode ser conhecido, entendido pela razão).

São os mistérios, os segredos da vida!

Na vida existem coisas mais profundas que a razão, o intelecto não pode entender, mas a vida tem suas razões. Por isso, para se resolver um problema não basta só o raciocínio lógico, racional, pois é superficial, não responde às questões mais complexas da vida. Aqui entra a intuição. O intelecto percebe uma lacuna: – Aconteceu algo aqui que vai além de minha capacidade de compreensão. É aqui que vem a fé ou não ter fé”.

Caro leitor, a intuição e a fé são como duas irmãs siamesas – uma depende da outra. Ou seja, para intuir é preciso ter fé, acreditar, confiar em suas impressões. Santo Inácio de Loyola, jesuíta, fundador da Companhia de Jesus, dizia: – Aos que creem, nenhuma palavra é preciso; aos que não creem, nenhuma palavra é possível.

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